Escrevendo: Sangue e Trovão Capítulo 1

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Muito bem, semana passada tivemos nossa introdução, agora vamos para o nosso primeiro capítulo.

Mornov I

– Você não deve esquecer essa cena – Falou o homem careca para o rapaz atrás dele – Isso vai mudar nossa vida.

O raiar do sol assomava sobre o porto, iluminando sinistramente os cadáveres dos guardas portuários, o sangue escuro das poças assumia uma coloração quase laranja diante da incidência direta da luz solar.

Nove corpos, braços amarrados para trás e gargantas cortadas indicavam execuções, e as poças de sangue no chão, espalhadas entre os paralelepípedos e já coagulando, mostrava que as mortes haviam ocorrido à noite. Nuvens de moscas que circulavam no cais já empesteavam os corpos, acostumadas a pararem tudo que faziam para esquadrinhar um corpo novo.  Aves carniceiras observavam de longe com olhares famintos esperando que as pessoas se afastassem e deixassem que elas fizessem seu trabalho.

O homem careca, moreno, magro e alto estava quase pisando em uma das poças de sangue enquanto encarava pensativamente os cadáveres. Seu assistente se postava atrás dele com intensa atenção à reação do homem careca, e diversos metros atrás do assistente quase vinte guardas do porto afastavam irritadamente uma multidão que matracava e especulava o que poderia ter acontecido neste ponto do porto, onde os navios militares atracavam. A imobilidade do homem careca e de seu assistente quase compunha uma pintura, dos dois parados no Pier, próximo a enorme torre conhecida como o Olho Direito, que guardava um dos lados da Baía de Hespéria. Continue lendo…

Resenha: Sombras Eternas

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No momento que eu escrevo esta resenha, eu já li a trilogia completa da Companhia Negra do Glen Cook, sendo que o primeiro livro já foi objeto de um podcast nosso. Mas fiz esta afirmação anterior para poder estabelecer que tendo lido a trilogia, acredito que Sombras Eternas seja o melhor livro dentro dela.

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Sombras Eternas foi editado em 1984, no mesmo ano da Companhia Negra, apenas cinco meses depois, e seu enredo começa alguns anos após a guerra ao fim da Companhia Negra, onde os exércitos da Dama esmagaram os rebeldes. A história se passa principalmente em Zimbro, e narra as desventuras da Companhia naquela cidade.

Sem dar spoilers, o que posso falar é que Sombras Eternas é meu livro favorito da trilogia da Companhia Negra. O local onde se passa, a cidade gigantesca de Zimbro, cheia de favelas, cortiços e muquifos, é uma localidade urbana instigante para um livro de fantasia, e o novo personagem principal, Barraco Castanho, é um sujeito terrível, mesquinho, trapaceiro, mas muito interessante de se observar em sua vida bizarra.

O ambiente urbano também traz uma estranha leveza para o livro, como se Glen Cook estivesse mais à vontade escrevendo este livro em comparação com os demais. Mas seu estilo esquisito de narrativa continua, mas ele cada vez mais dá um gosto único para o livro, ainda mais se considerando a fadiga que estou tendo de livros de fantasia tradicionais.

Acho um pouco estranho a guinada feroz que ele dá na história de Corvo, mudando radicalmente a apresentação de seu personagem e introduzindo novos elementos à sua história, que faz com que seu comportamento, e eventualmente, a conclusão de sua história não sejam nada do que o leitor aguardava, ainda mais considerando-se a narrativa do personagem no primeiro livro.

Mas no final das contas o livro é isso, uma fantasia tão fortemente diferenciada das demais, que você leitor habituado com livros do gênero, não deixará de estranhar. Mas não torça o nariz e não despreze este livro, porque ele tem o poder de te surpreender de muitas maneiras diferentes. Na verdade, a narrativa do livro é seu ponto forte no final, não criaturas fantásticas ou o cenário sombrio, que tantos outros livros já possuem.

Dou oito tapetes voadores para Sombras Eternas.

Edição que eu li: Editora Record, 2013. Tradução de Domingos Demasi.

Escrevendo: Sangue e Trovão

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Hoje nós vamos começar um exercício diferente: Eu vou escrever um livro.

Eu vou escrever um livro, mas vou ouvir seus pitacos. Bom, na realidade o livro já está escrito, mas não é esse o foco, a ideia aqui é nós explorarmos a criação de um livro, e toda semana vou publicar um capítulo aqui, junto com um comentário, ao fim, sobre o porque de cada elemento escrito ali.

Muito bem, eu lhes apresento “Sangue e Trovão”.

Prólogo:

– Se deixar de prestar atenção em mim vai se arrepender profundamente! – Gritou o Capitão dos Aquilários para seu escudeiro, mas o vento sibilava tão rápido que mal podia ser ouvido enquanto eles sobrevoavam o vale em que duas nações se chocavam em uma batalha sangrenta que podia ser ouvida a quilômetros.

O Capitão podia ver abaixo das nuvens escassas as massas de pessoas rumando umas contra as outras, os estranhos canhões elétricos dos Aéllicos rugiam no vale contra as forças da Coorte de Rapina, mas os soldados com asas de águias nos elmos devolviam catapultando esferas de vidro repleto de líquido combustível que explodia em contato com o ar ou disparando com seus canhões de pólvora negra. O vale se enchia com os trovões das armas, galopes de cavalos, os gritos de homens mutilados ou incendiados. E o cheiro ficava preso no vale pelas elevações ao redor, carne queimada, sangue, suor e urina.

Os Aéllicos se entrincheiraram na embocadura estreita do vale, tirando a vantagem de números vastamente superiores da Coorte, disparando seus canhões engenhosos sobre as massas de soldados, que tentavam se espalhar sem muito sucesso pelo vale, na tentativa de se tornarem alvos menos óbvios. Os soldados da Coorte eram treinados e valorosos, e pressionavam o inimigo com disparos de rifles, frascos incendiários, jatos de chamas, cargas de baionetas e espadas em punho.

O esquadrão estava a uma altura acima das nuvens em que o ar se tornava rarefeito, prontos para seu ataque de mergulho. Eles já podiam ver abaixo a monstruosidade de aço escuro mais próxima que flutuava sobre o vale, parcialmente encoberta por nuvens criadas artificialmente, um dos três navio voadores de guerra que cuspiam fogo e relâmpagos sobre seus inimigos no vale. Continue lendo…

Corações Sujos

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Corações Sujos é um livro jornalístico de Fernando Morais publicado originalmente em 2000.

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A obra fala principalmente sobre a Shindo Renmei, um grupo rebelde de japoneses que moravam no Brasil durante o fim da Segunda Guerra Mudial e não acreditavam na derrota do Japão.  As ações do grupo incluía propaganda falsa dentro das colônias japonesas no Brasil, invertendo os vencedores da Guerra, assim como ataques aos japoneses e descendentes de japoneses que falavam publicamente que o Japão havia sido derrotado (chamados de makegumi, “corações sujos”). O livro também trata de outros temas relativos ao central, como a imigração japonesa e o tratamento dispensado aos imigrantes no Brasil.

Esse movimento ocorreu especificamente no Brasil justamente pelo Brasil ser o segundo país com a maior concentração de japoneses, atrás apenas do… Japão, é claro.

O livro foi escrito por Fernando Morais após uma intensa pesquisa, possuindo um estilo de escrita quase literário, o que facilita muito na exposição dos acontecimentos, e traz um grande prazer à leitura.

A história da Shindo Renmei é uma história muito interessante, não só pelas suas ações, mas sobre como eles são um estilo de próprio de insurgente, totalmente caraterizados com a cultura japonesa. Para todos os efeitos a Shindo Renmei pode ser considerada hoje em dia uma organização terrorista, principalmente por sua técnica de calar os que discordam dela com técnicas de aplicação de medo e violência pontual como forma de exemplo.  O Japão nunca havia sido derrotado em guerra até o advento da Segunda Guerra Mundial, e a Shindo Remnei acreditava que era impossível ele ser derrotado e, portanto, as histórias da derrota eram falsa propaganda dos Aliados.

Mas apesar do terror que causavam, a Shindo Renmei não era concentrada em lutar contra brasileiros (apesar de algumas refregas contra autoridades policiais) mas sim contra japoneses e niseis que não tinham um espírito nipônico de confiança na invencibilidade do Japão.

Isso tudo me lembra da história de Hiroo Onoda, que continuou uma guerra de um homem só nas selvas das Filipinas até 1972, incapaz de acreditar que o Japão havia sucumbido, e se recusando à abandonar suas ordens de ocupar a ilha em que estava. Hiroo só voltou à uma vida normal depois de receber uma delegação militar do Japão, que o dispensou de seu serviço e lhe deu um prêmio pela tenacidade e lealdade. Adivinha onde Hiroo foi morar depois disso? Sim, no Brasil.

Na verdade, o que se torna central no livro é essa ideia do ufanismo e dedicação dos japoneses, e como os filhos de japoneses no Brasil sempre aprendiam a ser japonês antes de ser brasileiro ou qualquer outra coisa.

Uma das minhas partes prediletas do livro é quando é descrito uma rádio pirata que enviava falsas notícias para as colônias japonesas, entre elas:

“MacArthur suicidou-se”

“O boato de que o Japão perdeu a guerra vem dos judeus do Rio de Janeiro, que estão fugindo para São Paulo, porque o povo do Rio sabe da vitória certa do Japão.”

Enfim, Corações Sujos é uma história das mais interessantes, com um foco histórico e sociológico sobre um grupo de imigrantes tão singular dentro do Brasil.

Eu dou oito Shindo Renmeis para Corações Sujos.

Edição que eu li: Editora Companhia das Letras, 2011. Terceira Edição.

Moby Dick ou A Baleia

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Estivemos parados, estivemos improdutivos em relação ao Grifo. Mas eu venho até vocês lhe prometer que teremos muitas publicações no futuro, pelo menos enquanto eu aguentar dispara-las várias vezes por semana. Então segurem suas tiaras e cartolas, madames e cavalheiros, porque vamos ter uma viagem vertiginosa, literariamente falando.

Que livro melhor para começar nossa nova onda de resenhas que Moby Dick, um dos meus livros prediletos?

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Moby Dick, ou A Baleia, foi escrito por Herman Melville e publicado originalmente em 1851. Ele foi inspirado pelo naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard quando este foi atingido por uma baleia e afundou. O livro também é baseado nas experiências do próprio autor, que viajou em uma expedição baleeira e também encontrou pessoalmente tribos canibais.

De forma geral o livro narra a expedição do Pequod, um navio baleeiro comandado pelo Capitão Ahab, que parte de Nantucket, uma cidade em Massachusetts, na costa leste dos Estados Unidos. O livro é narrado por Ismael, um novo membro na expedição do navio, o por seus olhos vemos a história e por sua experiência aprendemos sobre o mar e a caça às baleias. E de Ismael vem a frase que inicia o livro, uma das mais célebres da literatura: “Pode me chamar de Ismael”. Continue lendo…

Lord of the Samples: Unwrapped Sky (Rjurik Davidson)

Publicado em by Lorde Worth | em Review: Primeiras Páginas | 2 Comentários

Unwrapped Sky

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Lord of the Samples: Sekret (Lindsay Smith)

Publicado em by Lorde Worth | em Review: Primeiras Páginas | 3 Comentários

Sekret

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Capítulo 29 – O Condenado

Publicado em by Dani Toste | em Podcast | 16 Comentários

O PODCAST:

Capítulo 29 - O Condenado

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Nota: Este podcast contém Spoilers.

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Lord of the Samples: A Natural History of Dragons (Marie Brennan)

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A Natural History of Dragons

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Notícias Subterrâneas: A Vingança da Lista de Lançamentos

Publicado em by Lorde Worth | em Notícias Subterrâneas | 1 Comentário

Reclamei no último post da falta de livros… Os deuses editoriais ouviram meu lamento e agora estou com problemas – a lista original estava bem grande…

Senhoras e senhores: Notícias Subterrâneas, seu periódico informativo para o mundo da ficção especulativa! Subam a bordo do Transsubterrâneo, nosso trem conceitual em jornada pelos confins dos Reinos Subterrâneos da literatura. Veremos novos livros vindo direto do forno, recordaremos séries queridas agrupadas em charmosos omnibuses (que plural bizarro), especularemos sobre antologias… E eu insultarei os elfos por todo o percurso.

The Time Traveler's Almanac

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