Leitura Séria: O caso dos exploradores de cavernas

Escrito por: | em 01/02/2011 | Adicionar Comentário |

Vou começar esse post explicando a coluna nova: faz um tempo que eu estava pensando se devia escrever aqui no Grifo Nosso sobre livros que não sejam romances e que, de certa forma, eu leio mais para aprender ou pensar sobre alguma coisa do que para me divertir, até porque muitas vezes os livros “não-romances” que eu leio normalmente tem alguma relação com Direito, que talvez tivessem mais a ver com meu blog jurídico.

Ainda assim, resolvi escrever aqui, e resolvi fazer uma coluna específica para isso (chamada “leitura séria” em contraposição à “leitura divertida” que é o que os romances normalmente significam para mim), porque acho que, apesar das diferenças, livros são livros e esse é um blog sobre livros (ainda que o podcast seja específico para os romances). Então, ainda que essa coluna talvez não represente os interesses particulares de grande parte dos nosso leitores (ou representa?) espero que seja um lugar para sair da rotina e procurar alguma coisa diferente.

E, para começar essa coluna, resolvi falar de um livro que li ontem, em poucas horas, e que fiquei me perguntando porque ainda não tinha sido recomendada por NENHUM professor da faculdade, que é “O Caso dos Exploradores de Cavernas” de Lon L. Fuller (e que eu li na tradução de Plauto Faraco de Azevedo, publicada por Sergio Antonio Fabris Editor, na 10ª reimpressão de 1999).

O livro é super curto, são setenta e poucas páginas num livro de bolso com margens enormes e é, também, super fácil de entender, mesmo para quem não entende nada de direito. Aliás, acho que teria sido uma ótima pedida nas aulas de IED (Introdução ao Estudo do Direito).

Trata-se um julgamento fictício, no qual diversos Ministros de um tribunal apresentam seus votos num caso no qual 4 exploradores de caverna são acusados de assassinato, por terem, lá pelo 20 dia presos numa caverna, sem mantimentos, sorteado e matado um colega para evitarem a morte por inanição (não lembra um pouco o caso dos Andes?).

O interessante do livro, acredito eu, é observar a argumentação e forma como nós mesmos mudamos de opinião entre um voto e outro dependendo da forma como a questão é analisada. Para os juristas, acho que é leitura obrigatória, no mínimo para conhecer, mas para os não juristas acho que vale a pena também, pelas reflexões e pela argumentação.

Convido-os, então, a ler, e, se quiserem, deixarem suas opiniões sobre a solução do caso.



Categorias: Review: Leitura Séria
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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.

6 Comentários sobre Leitura Séria: O caso dos exploradores de cavernas

  1. Vinícius Cortez

    Oi Dani!

    Boa escolha, acho que tem espaço para esse tipo de artigo aqui sim!

    Mas, já que vc falou, e como também sou aluno de Direito, qual o seu blog jurídico? Se por lá as sugestões forem desse calibre, serão todas muito interessantes ;)

  2. Eric Torres

    Dani,

    Quando eu estava no 1º ano da faculdade eu li este livro e tive que defender na sala a minha posição, assim como todos os outros alunos. No período da manhã o professor de IED deu esse trabalho, acho que bem quando entramos. Mas o professor do noturno era diferente, e o programa de vcs era outro também.

    É um bom livro e de leitura extremamente rápida. Leva a pensar sobre nossas ideias mais firmes e que, apesar de uma base aparentemente sólida, elas podem ser facilmente abaladas. No fundo, fica a ideia de que não é o fato que importa, mas a versão dele (que, por sinal é a primeira coisa que se ensina em uma faculdade de direito, ainda que na surdina).

    Para quem gostar do tema, recomendo dois livros que são bem convenientes aqui: A Arte de Ter Razão, de Schopenhauer, e Dos Argumentos Sofísticos, de Aristóteles.

  3. Dani Toste

    Vinicius,

    Meu blog de direito é o Sapere Aude (www.danitoste.com), faz tempo que eu não escrevo artigos para ele, mas minha idéia é retomar isso agora que eu terminei a faculdade, espero que vc goste.

    Eric,

    Fiquei até com um pontinha de inveja, ehehe, acho que eu teria me divertido bastante fazendo isso no primeiro ano (ou em qualquer um, na verdade). Acho que minhas aulas de IED foram boas também, mas nada muito emocionante. No fim acho que você terá mais sugestões para essa coluna do que eu.

  4. Jaime

    Nossa, excelente ideia essa de criar uma coluna com essa finalidade. Um ganho e tanto para o blog trabalhar esse eixo ‘sério’ da leitura juntamente com o que vocês já vinham fazendo brilhantemente aqui na parte ‘fun’.

    Percorram os mais variados temas. Fiquei bastante feliz com a iniciativa, Dani.

  5. Gustavo Domingues

    O Caso dos exploradores é um livro divertido.
    Ele não lembra o caso dos Andes, porque nos Andes eles comeram os que já estavam mortos pelo acidente, não houve assassinato.
    É uma análise superficial sobre mudança de opiniões de acordo com abordagens e mostra como não podemos confiar em julgamentos facilmente.
    Sou contra Tribunais do Júri porque eles julgam com a emoção e contra julgamento de Juízes, porque julgam de acordo com a Lei mesmo quando ela vai contra a razão, ou seja, não confio no julgamento de ninguem que não seja eu.

  6. Didi

    ótima recomendação! Achei que você fosse falar do mito da caverna, que também é uma boa pedida para os estudantes de direito (eu estudei na Comunicação). Esse daí deve mostrar muitas outras facetas em situações extremas. Fiquei bem interessada!

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