Review: O Dossiê Odessa

Escrito por: | em 11/02/2011 | Adicionar Comentário |

Meu nome é Salomon Tauber. Sou judeu e vou morrer. Resolvi terminar minha vida porque esta não tem mais valor algum e nada mais me resta fazer. As coisas que procurei fazer com minha vida deram em nada e meus esforços não surtiram efeito…Só continuei vivo tanto tempo porque havia mais uma coisa que eu queria fazer, uma coisa que eu queria ver e agora sei que nunca acontecerá”

A Segunda Guerra Mundial acabou e a Alemanha capitula na mais amarga das derrotas. Tudo pareceria ter simplesmente acabado se não fosse outra tentativa de perpetuar o erro, agora com uma nova arma: ODESSA.

Odessa é muito mais do que o nome de uma bela cidade litorânea da Ucrânia. Sob suas letras se esconde a organização de ex membros da SS (Organisation der Ehemaligen SS-Angehörigen), responsável por proteger os antigos kameraden dos julgamentos por crimes contra a humanidade e, em último grau, de livrar o mundo de uma ameaça causada pelos judeus. Sim, de novo a mesma história.

Em Dossiê Odessa, Frederick Forsyth constrói um suspense protagonizado por Peter Miller, repórter alemão freelancer que se empenha em fazer uma reportagem sobre um antigo oficial da SS que foi visto nas ruas de Hamburgo. No entanto tudo fica mais difícil no momento em que descobre que seu alvo é apenas uma peça em um jogo muito maior.

Tudo começa quando Peter Miller ouve a notícia da morte do presidente Kennedy no rádio de seu carro, fazendo o parar no caminho que tomava para Hamburgo. O tempo perdido na estrada foi responsável por criar o momento perfeito depois, quando Miller vê uma ambulância correndo e, como bom abutre, decide acompanhar o veículo na tentativa de uma ótima reportagem.

Aparentemente Miller teria perdido tempo, já que o caso era apenas mais o suicídio de um homem idoso, um tal de Salomon Tauber. Não poderia dar dinheiro… seria no máximo uma matéria para ser passada ao lado de uma manchete do tipo “Ariadna é a primeira eliminada do BBB 11: preconceito no paredão?”, e nada que pudesse construir uma notícia de verdadeira classe. Seria isso se não fosse o fato do homem morto ter sido um antigo prisioneiro do campo de concentração de Riga e, em seu diário, ter narrado o encontro com o comandante do campo há apenas uns dias antes do suicídio: o capitão Roschmann.

Após ler o diário de Tauber, Miller finalmente decide  ir atrás do oficial para entregá-lo às autoridades. No mais, ganharia com elementos para uma nova e lucrativa reportagem.

Várias indisposições começam a aparecer com as autoridades responsáveis por manter registros sobre os nazistas procurados. Roschmann é apenas uma das peças, e a Odessa já tem conhecimento da intromissão de Miller.

Com impasses, Miller vai procurar dados sobre os refugiados de Riga no centro comunitário judaico de Munique, onde finalmente ele encontra um ex-prisioneiro daquele campo que o introduz em uma espécie de sociedade secreta formada por judeus que sofreram nos campos de concentração.  O objetivo aqui é exatamente o mesmo dos bastardos inglórios: encontrar e matar nazistas, acabando com toda a mancha que sobrou deles.

A partir deste momento Miller é treinado para se comportar como um “camarada” da SS, para que possa se infiltrar na ODESSA e descobrir quem são os membros da organização. É um plano muito arriscado, o que torna evidente que suas intenções no caso vão muito além de uma simples reportagem.

Toda a trama é bem desenvolvida e conduz a um suspense muito agradável, ideal para o cinema. No entanto o livro tem alguns detalhes que não são tão bem vindos e, de certo modo, podem deixar o leitor um pouco frustrado: o protagonista excessivamente cinematográfico, por vezes artificial; um final clichê, com uma revelação sobre os verdadeiros motivos que levaram Miller a perseguir Roschmann, erros imperdoáveis de matadores experientes e por aí vai.

Por outro lado, as tramas internacionais que envolvem a ODESSA diminuem essas falhas, fazendo com que a leitura possa ser feita em poucas horas. Não existem teorias da conspiração absurdas e o livro adquire um ar de narrativa inteiramente verídica. Não poderia ser de outra forma, afinal vários fatos do livro são verdadeiros, como a própria ODESSA.

No geral é uma narrativa bem sólida, cuja leitura é indispensável para quem gosta de livros de suspense e investigação policial.



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Comentário sobre Review: O Dossiê Odessa

  1. Gustavo Domingues

    Frederick Forsyth é meu autor de ação contemporânea predileto, acho que as vezes ele não surpreende muito, mas é porque ELE inventou os clichês.

    Deveríamos ler Cães de Guerra para um de nossos podcasts, eu tenho dois livros.

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