Será lançado pela Editora Martins Fontes no dia 19 deste mês o livro O Último Desejo, A Saga do Bruxo Gerald de Rívia Vol I, de Andrzej Sapkowski (não, eu não escrevi errado), considerado o maior escritor de fantasia da Polônia e um dos melhores da Europa.
O livro inicia a história de Gerald de Rívia, um feiticeiro assassino treinado desde criança para caçar monstros e criaturas sobrenaturais. Sua viagens mostram um mundo fantástico e sombrio, sem maniqueísmos, repleto de violência e intolerância. Gerald segue seu próprio código de ética, longe de ser heróico, mas nobre embora extremamente cínico.
O livro pode parecer escrito de uma vez só, mas ele se trata de uma série de contos com Gerald de Rívia compactados em um único volume. Algo que pode parecer não garantir uma boa continuidade, mas surpreende quando mostra como Sapkowski escreveu tudo sob um mesmo contexto que abrange o mundo inteiro, um mundo vasto e interessante.
Apesar de não haver lido o livro ainda tenho aqui uma reclamação: No original Gerald é um Wiedzmin, traduzido para o inglês como Witcher, Hexer ou Spellmaker. No Brasil ele é um Bruxo… sério senhor tradutor? Eu tenho que imaginar Gerald como um bruxo? Ninguem disse ao tradutor que já temos uma série de livros com um termo traduzido erronemente como bruxo (AKA Harry Potter’s Wizards)? E agora eu tenho que imaginar Gerald de chapéu pontudo e montado em uma vassoura?
No Brasil a maioria das pessoas que conhecem a coleção, entre eles eu mesmo, conhece-a por conta do jogo The Witcher de 2007, um RPG para PC que conta boa parte da história, se focando fortemente no enredo e na narrativa. Inclusive, ao procurar informações para complementar o artigo eu afortunadamente descobri que este ano lançará a continuação desta obra prima. Recomendo.
O livro pode ser encontrado no Submarino por R$29,90.
















Parece interessante.
Pergunta: é no estilo Neil Gaiman de violência e cenas fortes?
Sem comentários sobre a tradução. Parece bruxonilda.
Não, não chega a ser estilo Neil Gaiman, está mais para George R.R. Martin de cenas fortes, mas dentro de contexto, nada é gartuíto.
Acredito que a tradução não está errada. Afinal bruxo e feiticeiro são a mesma coisa na língua portuguesa.
Ambos preparam poções, magias e selos amaldiçoados.
No caso de escolher entre feiticeiro ou bruxo cabe ao tradutor decidir.
Acredito que o mesmo opitou pela mesma tradução espanhola que traduziu Wiedźmin como Brujo preterindo Hechicero.
Deixar Wiedźmin como Witcher é que seria ridículo numa tradução para o nosso idioma.
Na verdade não José, apesar de o senso comum dizer que bruxo e feiticeiro são sinônimos.
Você pode argumentar usando um dicionário de língua portuguesa, mas dicionários de idiomas jamais foram fontes confiáveis para um trabalho sério. Isso porque esses dicionários tratam a palavra do modo como ela é encontrada no uso diário e não do modo como um cientista trataria a palavra. A preocupação de um dicionarista é de colocar nas páginas do dicionário a palavra como é encontrada no uso diário. Para pesquisas eu indico um dicionário técnico. Esses dicionários técnicos é que podem ser usados como referência para um trabalho sério.
Eu indico o Dicionário das Religiões de Mircea Eliade:
A palavra “bruxo” vem do grego “brouxos”. “Brouxos” é a palavra grega para “larva de borboleta” e, como a larva passa por uma transformação, quando se usa a palavra “bruxo” para aquele que pratica “Bruxaria”, se está falando da transformação. Bruxaria = Transformação.
Esta é a origem para as línguas latinas.
Em inglês, “Bruxaria” é “Witchcraft”.
“Witch” significa “sabedoria” e “Craft” significa “arte”.
Portanto, “Witchcraft” é “Arte da Sabedoria” ou “Arte dos Sábios”. A língua polaca têm as mesmas raízes eslavas com fortes influências germânicas, que por sua vez deu origem à língua inglesa, Wiedźmin é uma delas.
Feitiçaria vêm do grego “Farmakia”, que também deu origem à “farmácia”, feiticeiro é o mesmo que boticário, um criador de drogas.
Gerald se transforma em alguma coisa? Então não é bruxo, cuja habilidade é a transformação(principalmente em animais).
Por outro lado ele cria poções quem ampliam sua habilidades, poções feitas pela manipulação de drogas: Farmakia, feitiçaria… feiticeiro.
No caso de escolher bruxo ou feiticeiro cabe ao termo condizente com o personagem ser escolhido.
E você me provou que o tradutor espanhol também errou.
Sem querer ofender mas você está,como diz minha avó, de “PICUÍNHA” com o português.Não posso deixar de comentar sobre essa sua frase aqui: “E agora eu tenho que imaginar Gerald de chapéu pontudo e montado em uma vassoura?”
Ridículo.
Você esqueceu que essa, é a imagem que VOCÊ tem da palavra.
Eu por exemplo não ví mal algum em nomea-lo de Bruxo.
Já que BRUXARIA de verdade não existe, logo se vê as consequências da imagem do produto semeado.
A discussão se “bruxo” e “feiticeiro” são sinônimos não tem nada a ver com a tradução do termo “wiedźmin” na saga de Geralt de Rívia. A palavra “wiedźmin” não existe em polonês – trata-se de um hipotético masculino da palvra “wiedźma” que em português significa “bruxa”. O mesmo ocorre com o termo “witcher” em inglês, também um hipotético masculino de “witch”, ou seja, “bruxa” em português.
Tanto o tradutor para o espanhol quanto eu (o tradutor para o português) resolvemos adotar a variante masculina de “bruxa” que, infelizmente, tem um significado próprio nas nossas duas línguas. Antes de tomarmos tal atitude consultamos o autor, que aprovou as denominações “el brujo” e “o bruxo”. Portanto, fica aqui uma sugestão a todos que pretendam criticar negativamente uma tradução: façam antes o dever de casa e consultem o tradutor ou o autor da obra. Os e-mails estão disponíveis na editora.
Olá Tomasz, tudo bem ? É um imenso prazer saber que está trazendo belas artes para o Brasil e está na ativa !
Espero algum dia nos encontrarmos novamente …bem, trabalhar juntos não dá mais porém, a amizada será eterna.
Um forte abraço.
Me senti honrado, alguém veio pessoalmente defender sua obra no nosso humilde site:
Primeiramente gostaria de falar que seu e-mail na WMF Martins Fontes só está disponível por solicitação. Não que eu pretendesse te consultar, para ser franco.
Mas reitero minha crítica, analizemos:
Me corrija se eu estiver errado, mas “Wiedźma” se traduz como “Bruxa” no português, termo que tem significado próprio e não se sabe como foi ligado à “Wiedźma”, pois a tradução que mais vemos para bruxa é “Czarownica”.
“Wiedźma” vêm do verbo “wiedzieć” (saber) e na Polônia antiga estava ligada às mulheres idosas do interior que “sabiam” mais do que o homem médio, parteiras e curandeiras seria uma definição mais plausível.
“Wiedźmin” é de fato um hipotético masculino referente ao homem sábio do mundo de Sapkowski, mas sendo você o tradutor deve saber que ele gosta de brincar com a ambiguidade de algumas palavras.
Quanto à aprovação do autor, perdoe minha descrença, mas eu duvido que ele aprove pessoalmente tais traduções, ou ele realmente não se importa com elas, ou devo lembrá-lo que “Wiedźmin” foi traduzido em inglês como Witcher, Hexer e Spellmaker, que também têm definições bastante distintas, supostamente aprovadas pelo autor. E como foi enviado o termo para a aprovação dele? Foi inclusa definição técnica do termo que seria utilizado?
Normalmente eu não sujeitaria minha crítica à sua aprovação, assim como não espero aprovação de autores para criticá-los, mas como entrou em contato pessoalmente (algo que me fez ter grande respeito por você), se tiver mais alguma dúvida ou crítica de tradução deste livro ou de outros levarei diretamente à você.
Grato pela atenção
Gustavo Moscardo Domingues
Prezado Gustavo,
Sinto ter que corrigi-lo mas a tradução de “Wiedźma” (que ralmente porvém do verbo “wiedzieć”, ou seja “Saber”) é “Bruxa”. A tradução de “Czarownica” (que vem de “Czar”, ou seja “Feitiço”) é “Feiticeira”.
Quanto ao interesse do autor nas suas traduções, saiba que ele zela muito por elas e eu (assim como os outros tradutores dos seus textos) tenho mantido um estreito contato com ele. Só para desfazer a sua descrença, irei retransmitir para você um dos e-mails trocados entre nós. Como imagino que você não seja fluente em polonês mas o seja em inglês, envio um no qual o senhor Sapkowski e eu nos comunicamos nas duas línguas.
Para todos os que veem a imagem da Capa e das ilustrações de Geralt (sim, com t no final) com uma espada e mãos e assassinando monstros, fica díficil realmente imaginá-lo com um “bruxo”. Mas o personagem é realmente muito articulado e tem total domnínio de alquimia e reversão de maldições. Todos os monstros que ele caça são totalmente contextualizados e sempre tem uma razão de existir, o que deixa a narrativa com uma pegada forense e investigativa. No começo também estranhei a tradução literal para “Bruxo”, mas agora acho completamente plausível.
Comprei o livro e devorei ele rapidamente, terminei em 3 dias. Para quem é acostumado a ver Geralt ser chamado de Witcher, realmente no início fica digamos assim, estranho o fato de ele ser chamado de bruxo. Mas eu acredito quando o tradutor diz que ele manteve contato com o autor, não vejo motivos para desacreditar… Agora estou no aguardo dos próximos livros! Vi na contracapa do livro que tem 2 sequencias, mas não eram mais??
O tradutor manteve contato com o autor sim, ele me enviou os e-mail. Mantenho minha posição que “bruxo” é uma tradução equivocada, mas os nomes das criaturas em geral ficaram muito bons. Quanto às sequências: Na verdade os livros são compilações de contos que formam uma história, então é uma trilogia mesmo, com mais alguns contos por fora.
Obrigado pela resposta Gustavo, mas ainda continuo com a pulga atrás da orelha. Veja bem, dando uma pequena pesquisada no Google mesmo, achei referências a livros de contos relacionados a série The Witcher: 1- “Witcher”, 2- “O Último Desejo”, 3- “A Espada do Destino”, 4- “Algo Acaba, Algo Começa”, 5- “O Sangue dos Elfos”, 6- “Tempos de Desprezo”, 7- “Batismo de Fogo”, 8- “A Torre do Swallow” e 9- “A Dama do Lago”. Por isso volto a perguntar, não são mais sequências? Esses outros livros, se não são sequência, o que são? Não estou duvidando de você, apenar gostaria de saber do que se trata estes outros livros se minha pesquisa estiver errada. Além disso, li também que até o 4 (Algo Acaba, Algo Começa) são contos, e que do 5 até o 9 são romances. Procede essa informação?
Gabriel, fui conferir na Wikipedia americana e vi que os dois primeiros livros da trilogia é só para a compilação de contos mesmo, existem outro livros, mas estes são romances completos (Inclusive, o terceiro da trilogia daqui, o Blood of The Elves é um romance completo mesmo), segue o link: http://en.wikipedia.org/wiki/The_Witcher
Gabriel e Gustavo,
A saga de Geralt de Rívia propriamente dita é formada por quatro lívros: O sangue dos elfos, Tempo de ódio (talvez eu vá traduzi-lo como O tempo de desprezo), Batismo de Fogo, A torre da andorinha e A Dama (talvez eu o traduza como “a senhora”) do lago – este último provavelmente em dois volumes.
Os dois primeiros livros: O último desejo e A espada do destino, são coletâneas de contos que devem ser lidos antes da saga, pois contêm dados importantes para a compreensão da trama. Já os livros da saga fazem parte de uma sequência (O sangue dos elfos, por exemplo, termina com a expressão “Fim do primeiro volume”).
Já traduzi e entreguei à editora o Espada do destino e estou trabalhando na do Sangue dos Elfos. Para sua informação, a editora comprou até agora somente os direitos autorais desses três livros. No entanto, diante do sucesso de vendas de O último desejo, acredito que irá comprar os quatro restantes.
Eu concordo com o tradutor sobre o termo bruxo, foi uma opção do autor por esse termo, nao cabe ao tradutor tentar troca-lo ^.^
Alguem tem ideia d quando sao o segundo livro?
o primero eh um dos melhores livros q ja li, tava quase importando um em espanhol (ate q vi o preço que ia ficar e desisti =P
A espada do destino já está pronto e revisto, tanto pela editora quanto por mim.
Acredito que estará nas livrarias no primeiro trimestre de 2012
Tomasz Barcinski
Valeu ^.^
Desculpe o desenterro dos comentários.
Mas foi bom saber que as outras obras sobre o “Bruxo” já estão chegando.
Quanto a tradução, não vejo problema algum com a denominação de “bruxo” no Geralt. Tive a oportunidade de jogar o primeiro jogo (antes do primeiro livro traduzido no Brasil) The Witcher e a ideia de Witcher é realmente masculino de Witch. Além do mais eu já associava meio que subliminarmente o termo Witcher com bruxo não faço a mínima ideia do porquê.
No final, “Bruxo” não exatamente incomoda por eu já ter um certo contexto adotado na experiência do primeiro game.
Além do mais todo e qualquer termo tem o direito de sofrer mutações adaptando o seu significado à realidade de cada ou coletiva. Como aconteceu com Anarquia ou Aristocracia que hoje têm significados diferentes no senso comum quando comparados à suas essências. Além de outros termos, claro.
No final um belo trabalho de tradução, Tomasz Barcinski, as críticas que li sobre a tradução são absurdamente irrelevantes e de certa forma até estúpidas se comparadas ao trabalho geral do livro (sem querer ofender).
Fico feliz que outras obras estão chegando esse ano. Terminei recentemente O Último Desejo e queria mais. :D
Belíssimo trabalho, Desculpe o desenterro dos comentários.
Mas foi bom saber que as outras obras sobre o “Bruxo” já estão chegando.
Parabéns, Tomasz.
Bom Rafael, já que você desenterrou os comentários:
Você leu o restante dos comentários? Se preocupou em entender o que foi discutido?
A tradução foi feita do Polonês, então os termos em inglês são irrelevantes. Você fez esta associação particular e está afirmando como verdade absoluta. Joguei The Witcher e o Assassin of Kings, não vejo de onde você tirou o contexto. Você leu o significado da palavra “Bruxa”? De onde ela vêm?
A tradução como um todo foi excelente, mas não perfeita. O trabalho de crítica se baseia nisso, encontrar tudo que pode ser melhorado, e deixar de fazer uma crítica porque o restante do trabalho é bom tornaria todas as críticas eternamente obsoletas, aí não haveriam mais resenhas.
Qualquer termo pode ser modificado, mas uma coisa é chamar Harry Potter de bruxo, outra é chamá-lo de Pai de Santo.
Não se preocupe, seu comentário não foi ofensivo (até porque se eu me sentisse ofendido por comentários na internet estaria maluco, mas procure ler todo o conteúdo da discussão antes de desenterrar os comentários.
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