Review Boazinha: Guardas! Guardas!

Escrito por: | em 13/04/2011 | Adicionar Comentário |

“Eles podem ser chamados de Guarda Palaciana, Guarda Municipal ou Patrulha. Qualquer que seja o nome, seu propósito em todas as obras de fantasia épica é um só: por volta do capítulo três(ou depois dos dez minutos de filme) entrar correndo numa sala, atacar o herói, um de cada vez, e ser massacrados. Ningém jamais pergunta se era isso que eles queriam.

Este livro é dedicado a esses grandes homens.”

“Guardas! Guardas!” Foi o terceiro livro de Sir Terry Pratchett que li, e por enquanto foi o melhor, seguido bem de perto por “Eric”. E vocês não têm idéia de como eu sorrio ao falar isso, pois são obras-primas da literatura. Deixem-me lembrá-los que Sir Terry Pratchett foi o autor britânico que mais vendeu nos anos 90 e continuaria assim na década seguinte se não fosse uma certa sem-teto escrevendo sobre bruxos virgens.

Um livro dedicado às buchas de canhão.

Sir Terry Pratchett é um escritor inglês muito peculiar que eu já descrevi em outro post. Dito isso, reviewremos o livro agora (lembrando-os que tenho liberdade poética):

Guardas! Guardas! têm como personagens principais a guarda da Cidade de Ankh-Morpork, a maior e mais cosmopolita cidade de Discworld, o mundo plano sustentado por quatro elefantes que por sua vez são sustentados pelo casco de uma tartaruga gigantesca, a grande A’Tuin.

Mais ou menos isso.

A Guarda de Ankh-Morpork é composta pelo capitão Sam Vimes, o sargento Colon, o soldado Nobby e o recruta Cenoura, que é um humano ruivo com dois metros de altura e foi criado por anões.

O enredo gira em torno de uma sociedade secreta que invoca um dragão em Ankh-Morpork para poderem reinar sobre a cidade, mas o dragão têm outra idéia e decide ele mesmo se tornar o rei. Cabe à atabalhoada Guarda da Cidade dar um golpe de estado e depor o tirano escamoso e encontrar os culpados pela invocação dracônica.

Da esquerda para a direita: Colon, Nobby, Cenoura, Vimes e Errol nas mãos de Vimes

O que é engraçado? Eles não são heróis. Eles estão com medo, com preguiça e são mal pagos para isso. A Guarda de Ankh-Morpork é a legítima representante medieval do funcionalismo público, e serão pagos se tirarem o dragão do poder ou não. O que acaba movendo os guardas não é o bem comum, mas os interesses pessoais.

O livro, como todas as obras de Sir Pratchett, dá uma olhada cínica sob os panos de convenções sociais de nosso mundo e demonstra isso em um cenário fantástico mas muito mais verossímil do que muitos romances passados no “mundo real”.

Você vai aprender à amar este grupo. Tudo bem, amar talvez não, mas você vai gostar muito deles.

A Guarda da cidade se tornou um grupo recorrente nos livros de Sir Pratchett e hoje é considerado o grupo de personagens mais importante do autor. Os indivíduos tiveram personalidades bem trabalhadas ao longo dos livros e a escrita de Sir Pratchett também evolui muito.

É um livro para ser lido com atenção. Pode parecer cansativo as vezes, mas quando você acabar ele vai lembrar de cada passagem perfeitamente e pensar como este livro é incrivelmente inteligente. Eu não coloquei prós e contras porque eu absolutamente não consigo pensar em contras. Com exceção talvez de algumas guinadas na tradução, mas levando-se em conta a dificuldade de traduzir uma saga tão única e perfeitamente compreensível.

Haverá uma adaptação de Guardas! Guardas! para a TV no reino unido, mas não se sabe se contará a história do livro ou se serão novas histórias à partir do Status Quo estabelecido no primeiro livro. Segue o vídeo de Sir Terry Pratchett discutindo a série com os produtores:




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Gustavo Domingues

Leitor inveterado e crítico mal humorado, pretende criticar todos os autores até alienar a literatura para sempre!

5 Comentários sobre Review Boazinha: Guardas! Guardas!

  1. Thaís Priolli

    Eu li este livro já faz alguns meses, e na época não foi de leitura muito fácil, mas realmente depois que terminei de ler lembro de cada passagem com um sorriso no rosto.
    Um ótimo livro, eu devo dizer que tem o que falta aos livros de Douglas Adams: trama.
    Um ótimo livro para um futuro podcast.

  2. Jagunço

    “(…) e continuaria assim na década seguinte se não fosse uma certa sem-teto escrevendo sobre bruxos virgens” foi uma dedada nos filhos da década. :P

    Mas nem precisa. Prefiro o Pratchett cult mesmo. Gera menos idolatria. :D

  3. Alexis González

    Terry Pratchett é sensacional… tenho todos os livros!

  4. Nilda

    Uma das minha maiores tristezas é o fato da Ed. Conrad ter parado de publicar os livros do Discworld e espero, agora que parece ter resolvido os problemas financeiros, volte a publicar estes e outros livros do Pratchet com a regularidade que havia antes (2 a 3 livros da série eram lançados por ano normalmente)

    E eu queria morar num lugar governado pelo Patrício…

  5. Pingback: Vídeo Resenha: Guardas! Guardas! | Grifo Nosso

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