Dungeons And Dragons 1ª Edição

Escrito por: | em 08/06/2011 | Adicionar Comentário |

Sim, eu tive a audácia de escrever um post com este nome, porque eu adoro D&D, o sistema mais popular e mais antigo de RPG, e vou explorar cada uma de suas edições.

O set original de Dungeons & Dragons


Conta a lenda que D&D surgiu quando Gary Gygax e Dave Arneson, dois desenvolvedores de jogos de guerra de tabuleiro, quando trabalhavam em estratégias e desenvolvimento de um jogo chamado Chainmail, publicado pela TSR (Tatical Studies Room), entraram em uma discussão se o castelo de um deles era impenetrável ou não.

Chainmail, explorando guerras religiosas como todo bom jogo


Um deles, supostamente lembrando-se do Hobbit de Tolkien, falou que ele não atacaria com um exército, mas com um grupo especializado que invadiria as masmorras do castelo (Dungeons). Percebendo a inspiração do outro, o dono do castelo retrucou que talvez houvesse um dragão nas masmorras, e com a observação mais bizarra (se alguem me dissesse que há um dragão na masmorra eu imaginaria que ele é um prisioneiro, não que colocaram uma monstruosidade alada para guardar túneis subterrâneos) foi criado o nome do jogo: Masmorras e Dragões.

Mas historinhas à parte, fato é: A primeira edição de Dungeons & Dragons foi publicada em 1974, e é conhecida hoje em dia como a “Caixa Branca”. Um jogo com elementos de tabuleiro inspirado nos Wargames em que cada um dos jogadores assumia um único personagem ao invés de um exército, e um jogador em especial teria um papel diferente, o de “Mestre da Masmorra”, aquele que é o narrador do jogo, dando o ritmo e desafios para os demais jogadores.

Eu relutaria em confiar em um cara que se intitula "Mestre da Masmorra"


A primeira edição contava apenas com três classes de personagem: Guerreiro, Mago e Clérigo. Assim como quatro raças para serem usadas: Humano, anão, elfo e hobbit, isso mesmo, hobbit, chupinhando o nome na cara dura, só depois que eles passaram à ser chamados de halflings (Half-of-a-thing). Haviam apenas três alinhamentos morais: ordeiro, neutro e caótico (baseado no modelo moral introduzido na fantasia por Michael Moorcock, autor de Elrich de Melniboné, oposto ao eixo bem/mal). Esta edição era totalmente dependente das regras de combate de Chainmail, dependência esta que só foi eliminada com o suplemento Greyhawk de 1975. Se a depêndencia de regras de combate não fosse um obstáculo, a primeira edição também assumia que você devia ter o jogo de tabuleiro Outdoor Survival para exploração e aventuras fora das masmorras, o que era uma ecolha estranha, visto que Outdoor Survival era publicado pela Avalon Hill, concorrente direta da TSR.

Vejo que você é Caótico e Neutro


Curiosamente esta depêndencia de material, que muitas vezes não era acessível aos jogadores foi um dos impulsos para o sucesso do jogo, visto que muitos grupos desenvolveram suas próprias regras e assumiram um senso de propriedade sobre aquilo, expandindo o universo criativo do jogo e criando muitos derivados por aqueles que entenderam completamente a idéia por trás do jogo, como Tunnels & Trolls, e mostrando que a melhor forma de conquistar fãs é dando poder criativo à eles.

Houveram muitas publicações não oficiais de material de D&D na época, infringindo os direitos autorais da TSR, mas esta nunca os reclamou, pois via como uma forma de publicidade gratuita. Uma dessas publicações chegou ao mesmo patamar dos materiais oficiais, era a série Arduin, que introduziu o eixo moral duplo com bem/mal se misturando à ordem/caos.

Alinhamento: Quando você aprender, vai julgar todos por ele.


A primeira edição de D&D recebeu uma outra versão que ampliava e adicionava muitas opções, conhecida como Advanced Dungeons & Dragons, mas as duas edições continuaram com publicações próprias e foram dois ramos separados até a unificação de regras de 2000 pela 3ª edição.

A primeira edição foi publicada no Brasil como um jogo de tabuleiro pela Grow, mas que curiosamente não pegou, visto que Hero Quest da Estrela fez muito mais sucesso.

Hero Quest da Estrela, o Algoz de D&D 1ª Edição no Brasil, mas eu também adoro. Me digam que vocês não queriam ver isso sobre sua mesa quando criança? Eu ainda quero.


Na próxima publicação falarei do próprio Advanced Dungeons & Dragons, a versão que me introduziu ao mundo do RPG.




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Gustavo Domingues

Leitor inveterado e crítico mal humorado, pretende criticar todos os autores até alienar a literatura para sempre!

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3 Comentários sobre Dungeons And Dragons 1ª Edição

  1. Kedraroth

    Fantástico, eu daria uma perna e um braço pela caixa branca completinha =\

  2. Dani Toste

    Acho que o esquema de alinhamento é bom, mas o maior problema simplesmente misturar o bem/mal com caos/ordem é que acho que uma orientação sempre tem que ser predominante, porque há ocasiões em que é preciso escolher, p. ex., entre fazer o bem e seguir a ordem…

  3. Pingback: Grifo Nosso » Advanced Dungeons And Dragons

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