O que é mais importante: qualidade, gosto ou experiência?

Escrito por: | em 18/08/2011 | Adicionar Comentário |

Quem sabidamente gosta de ler deve estar acostumado a receber pedidos de indicação de livros. Acontece de as pessoas me perguntarem sobre algum livro específico ou simplesmente pedirem uma sugestão genérica e, cada vez mais, eu fico com um pouco de receio de fazer recomendações enfáticas.

Print do filme "A Bela e a Fera" da Disney

São tantas opções que às vezes é difícil escolher um único livro para recomendar

Eu já falei, meio por cima, no meu post sobre primeiras leituras, que acho que nem sempre os mesmos livros são recomendáveis para pessoas diferentes, então às vezes eu fico me perguntando sobre qual seria um bom critério de análise para determinar a qualidade de um livro.

Acho que, em geral, existem dois tipos distintos de avaliação de qualquer tipo de obra: um relacionado à qualidade da obra em relação à sua própria proposta e o outro relacionado à personalidade da pessoa que tem contato com a obra. Esses critérios poderiam ser descritos como sendo as respostas para as seguintes perguntas: “Este livro é bom?” e “Você gostou desse livro?”.

Para mim, além da dificuldade que temos de separar as respostas a essas perguntas (porque tendemos a achar que se gostamos de algo é porque é bom, e vice versa), uma das coisas mais complexas é conseguir definir um parâmetro para determinar o que, afinal de contas, é “bom”.

Isso porque “bom”, para mim, tem que ser de acordo com a proposta da obra. Não adianta pegar um livro infanto-juvenil para ler e depois dizer que ele não é “bom” porque é muito infantil, nem pegar o Tolkien para ler e dizer que ele não é “bom” porque é muito descritivo (eu, particularmente, não sou fã de excesso de descrição, mas para um escritor descritivo – que é a proposta dele – acho o Tolkien ótimo).

Mas mesmo depois de ponderar sobre todos esses critérios. O que fazer para comparar dois livros quando as respostas de ambas as perguntas, para ambos os livros, é sim? Como comparar, por exemplo, a simplicidade cativante de “Coraline” com a complexidade surpreendente de “A Guerra dos Tronos”? Na minha humilde opinião, simplesmente não dá para comparar.

Outro pai, de "Coraline" e Robert Baratheon, de "Guerra dos Tronos"

Poderiamos comparar dizendo que ambos os livros tem pais obviamente "falsos"?

No entanto, eu me pergunto: se eu considero que ambos os livros que mencionei acima são dignos de nota máxima numa avaliação, porque nenhum deles entrou na minha lista de “favoritos de todos os tempos”?

Quando penso sobre essa pergunta, acredito que a melhor resposta esteja relacionado menos à qualidade ou ao gosto, e mais à experiência. Talvez pareça loucura, mas acho que no fim das contas relacionamos muito da nossa opinião sobre os livros à experiência que tivemos durante a leitura, os sentimentos que nos trasmitiram e às emoções que conseguiram despertar.

Quero dizer que, por mais que eu ache “Alice” uma genialidade da literatura e uma verdadeira obra prima, o motivo para ele ser meu livro favorito de todos os tempos provavelmente tem mais a ver com o fato de que ele me faz sorrir, faz imaginar, sonhar e me desprender um pouco da realidade. Pode parecer estranho dizer isso, mas acho que o livro me deixa feliz, e esse definitivamente é um ótimo critério para fazer de um livro o seu favorito.

Print do Desenho "Alice in Wonderland" da Disney

Para a Alice, por exemplo, de nada serve um livro sem gravuras nem diálogos

Minha conclusão de tudo isso é que quando alguém te pede uma indicação de livro a melhor coisa a fazer é perguntar para a pessoa o que ela procura numa leitura (ou conhecer a pessoa bem o suficiente para já saber a resposta). Isso porque não adianta um livro ser “bom” e você tê-lo amado, se ele não corresponder às expectativas da pessoa para quem você o indicou. Acreditem ou não, tem gente que não gosta de “Alice no País das Maravilhas” e acha “Viagem ao Centro da Terra” ótimo… loucura né?!



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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.

2 Comentários sobre O que é mais importante: qualidade, gosto ou experiência?

  1. Aléxis González

    Uso o “Tempo” como critério, obras que sobrevivem ao tempo são boas de forma geral. Na época da literatura fast food, o tempo parece um critério excelente. Entretanto, isso não quer dizer que todos os livros são ruins. Digamos que o bom é aquilo que te agrada, o ruim é o que não.

    Recomendo atualmente literatura New Weird. Saiu Rei Rato de China Miéville pela Tarja editorial, excelente.

    http://tarjaeditorial.com.br/tarja/?p=221

    Abraços,
    PS: Viagem ao centro da terra; Da Terra à Lua; À volta da Lua; Vinte mil léguas submarinas; A volta ao mundo em oitenta dias; Kerabán, o teimoso. São obras de Júlio Verne excelentes.

  2. Léo

    Rs…é Toste…acho que essa é uma das poucas vezes que eu concordo completamente com o que vc disse…parabéns pelo texto. Muito bom mesmo!

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