Vampiro: A Máscara

Escrito por: | em 16/08/2011 | Adicionar Comentário |

Comemorando a infame escolha do próximo podcast (Crepúsculo para quem não sabe) vou falar sobre o RPG que me introduziu ao mundo dos vampiros, ou melhor, dos verdadeiros vampiros, mas não de forma técnica, pois hoje vou abordar o cenário e a história dos vampiros deste mundo:

Capa da edição brasileira feita pela Devir.

Vampiro: A Máscara é um RPG de horror gótico contemporâneo publicado nos EUA pela primeira vez em 1991 pela White Wolf Publishing, sendo que em 2004 a linha foi interrompida e substituida por Vampiro: O Requiem. Vampiro: A Máscara deu inicio ao chamado Mundo das Trevas, um mega cenário baseado em nosso mundo atual e povoado com lobisomens, magos, fadas, fantasmas e outras criaturas fantásticas, mas tudo de uma forma bastante sombria e violenta. A idéia geral do cenário veio dos livros de Anne Rice, a renomada escritora vampírica.

Sabe aquela mulher que escreveu Entrevista com Vampiro, cuja adaptação cinematográfica têm o Tom Cruise e o Brad Pitt?

“A Máscara” se refere tanto ao costume dos vampiros deste mundo de “mascarar” suas ações, fazendo as pessoas acreditarem que eles são apenas uma lenda, como ao fato de eles usarem uma “máscara” de humanidade para esconder a besta sanguinária que existe por dentro deles. VaM estruturou os sistema de regras conhecido como Storyteller, com fichas de personagens compostas de “bolinhas” para se preencher e determinar suas características.

Eu preencho meu currículo assim até hoje.

O Mythos dos vampiros começa com ninguém menos do que Caim, que segundo a bíblia teria sido o primeiro assassino da história da humanidade. Quando Caim matou Abel, Deus o amaldiçoou à vagar pelo mundo eternamente, sem estar vivo nem morto, com uma sede que nunca acaba e sem poder ver a luz do sol. Caim se tornou um imortal e aprendeu à manipular as características de sua maldição, mas os mortais entre os quais ele caminhava só serviam de comida e nunca de companhia. Milhares de anos depois de se tornar o primeiro dos vampiros, ou a “primeira geração”, Caim criou mais três vampiros ao sugar completamente o sangue de três mortais que ele considerava talentosos e alimentá-los com o seu, criando a “segunda geração”. Logo que puderam estes três criaram mais treze vampiros, que se tornariam a terceira geração, ou os Antediluvianos, aqueles que vieram antes do dilúvio que destruiu o mundo e no qual só Noé e sua família se salvaram.

Os treze vampiros deram origem à treze clãs que se espalharam pelo mundo, cada um com as características próprias de seus criadores, sendo que cada geração que se afastava deles, mais fraca se tornava. Neste mito, você escolhe um destes clãs quando é criado e é inserido na complexa sociedade vampírica, composta de imortais poderosos quem vêm influenciando o mundo desde os tempos antigos, com um dedo em cada grande acontecimento da humanidade. Os vampiros manipulam suas maldições através das “disciplinas” linhagens de conhecimento que fazem seus corpos mortos-vivos mais fortes ou rápidos e lhes dá ligações com animais e poderes extraordinários sobre a mente humana.

Como eles se vestem mal para imortais.

Alguns clãs se agruparam em duas coligações distintas, a Camarilla e o Sabá, sendo que os que não escolheram nenhuma das coligações são conhecidos como os clãs “Independentes”. A Camarilla defende a manutenção da docilidade humana e da condição humana ainda existente dos vampiros assim como a supressão da “besta” que existe dentro dos vampiros (sendo que a besta representa a fome irracional e o instinto assassino inerente à condição vampírica), ela é a criadora da “Máscara” e que defende que os humanos são perigosos e melhor deixados na ignorância quanto aos vampiros, chamados de “Membros” entre eles, assim como a criação responsável de novos vampiros. O Sabá acredita que os vampiros devem assumir seu lugar natural como superiores da humanidade, expandindo sua raça e dominando o “rebanho” humano, sem vergonha de mostrarem sua verdadeira natureza e abraçando a besta sanguinária que existe dentro deles. A maioria dos clãs, assim como das cidades do mundo, pertence à Camarilla.

A Camarilla de "Kindred the Embraced" adaptação para série de Vampiro: A Máscara feita pela Fox em 1996.

A sociedade vampírica dentro da Camarilla se divide em territórios controlados por “Príncipes”, que são líderes máximos em suas circunscrições. Dentro destes domínios existe um “Elísio”, ou seja, um território neutro, com o objetivo de ser ponto de encontro e reuniões entre membros da Camarilla local. Dentro dos territórios podem existir muitas posições sociais e atribuições diferentes: Xerifes são os policiais dos vampiros, harpias são os informantes dos vampiros, neófitos, ancillas e  primigênie são níveis de status em ordem crescente. Carniçais são humanos escravizados pelas propriedades místicas do sangue vampírico para serem lacaios eternamente.

Há muito o que se falar sobre Vampiro: A Máscara, mas este básico cobre muita coisa. Um dia volto para falar dos clãs se causar interesse. E não esqueçam, Vampiro: A Máscara é recomendado apenas para maiores de 18 anos, ou seja, é muito divertido.

Gustavo Domingues, Ventrue de 7ª geração membro da Primigênie do Grande ABC.




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Gustavo Domingues

Escritor relapso.Gosta de jogar video game, ouvir rock, ler um bom livro, jogar RPG e têm hobbies demais para listar. Já lutou boxe e está retornando para seus treinos ninja. Ocupação: Lutando contra super heróis com o poder da DANÇA!

7 Comentários sobre Vampiro: A Máscara

  1. Jagunço

    Saudade dos bons tempos…

    Peguei gosto pelo jogo a partir da 3ªEdição – cheia de novidades e melhorias de sistema dos nobres anos 1990.

    Vampiro ganhou muita fama (e infâmia) por introduzir o RPG como jogo narrativo. Além do mais, por conta da inspiração da tia Anne, o livro tratava o mito do vampiro com um respeito literário. Sem o escrachamento e a chupinhação melodramática que vei depois (não apenas com os mortos-vivos purpurinados, mas também com de adaptações toscas no cinema e nas telenovelas).

    De vez em quando é bom ler algo sem se sentir obrigado a avacalhar! :)

    Jagunço, Tremere macho de 7ª Geração da Capela de São Francisco dos Angicos da Ribeira do Estreito, em algum ponto do Sertão of Darkness.

  2. Natália

    Lendo o texto me trouxe antigas memórias dessa época de Vampiro.. bons tempos. Sinto falta da Sofia, malkaviana, justiceira e não menos louca que muitos por aí =P

  3. Hatake Diogo

    Cara, esse texto me lembrou o quanto eu gostava do meu Gangrel, apesar de que nem sei mais onde foi parar a ficha….
    Sempre jogo com personagens mais baseados na força e constituição, em D&D Bárbaro ou Fighter.
    Eu parei era um gangrel de 8ª geração.

    Abraço

  4. Rafael Jacaúna

    É bons tempos que eu ainda vivo em parte. Vampiro a Mascará foi meu 1º Grande RPG, comecei a jogar ainda em 1999 e joguei sem parar por uns 4 anos. Joguei Lives em tempos posteriores, e mesas esporádicas entre outros sistemas.

    Hoje jogo o novo cenário, mas Vampiro não é meu preferido, lobisomem se tornou mais interessante…
    Contudo, uma boa e interessante mesa de Vampiro Idade das trevas nunca é ruim, e ainda no cenário de Crônicas de Artur não tem como ficar chato.

    Bom, acabei caindo para o D&D ou jogos mais simples como 3D&T pelo simples fato da fanfarronice e arrogância dos jogadores de Storyteller (em sua maioria) dar valor a FORÇA, PORRADARIA e combates, em vez do foco básico que é a interpretação e a política. Não pense que sou chato que ão gosta de combate, ao contrário, não atoa jogo D&D que é mais sincero com o foco.

    Não de graça nota-se que pouca gente diz, meu personagem era um Gangrel/Toreador/qualquer coisa de 12º geração, espião/guarda costa/amigo do xérife/qualquer coisa. Sempre a turma é de Geração Elevada, e pertencendo a alguma parte forte da cidade…

    Enfim, muito bom post e se morar no Rio uma mesa de RPG (D&D, lobisomem, vampiro) sempre poderá receber +1′s

    Meu melhor personagem: Lion Alucard Gangrel 11º Geração, soldado linha de frente, promovido a Algoz de uma cidade fictícia nos Estados Unidos. ( época boa que jogava 2 vezes por semana, uma narrava e outra jogava)

    Ps: a melhor versão do Vampiro a Mascará, é o Idade das trevas.

  5. Pingback: Lobisomem: O Apocalipse | Grifo Nosso

  6. Pingback: Mago: A Ascenção | Grifo Nosso

  7. Morfeu

    O_O

    Excelente!

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