Lobisomem: O Apocalipse

Escrito por: | em 20/09/2011 | Adicionar Comentário |

“Lobisomen: O Apocalipse” é um consagrado RPG escrito  por Mark Rein-Hagen, publicado originalmente pela White Wolf Publishing e no Brasil pela Devir.

Na edição que tenho a capa é vazada nos locais em que as "garras" atingiram, é um efeito único.

Lobisomem situa os jogadores um mundo sombrio (o mesmo de Vampiro: A Máscara) no qual eles assumem o controle dos lobisomens titulares, conhecidos como Garous (do termo francês para lobisomem: Loup Garou), e lutam uma batalha de duas frentes: Uma contra a urbanização que destrói os espíritos da natureza e uma contra forças sobrenaturais da corrupção que pretendem trazer o “Apocalipse”.

Os Garous são seres de natureza tanto física quanto espiritual, criados por uma entidade conhecida como “Gaia” que representa o mundo selvagem e espiritual, enquanto a “Weaver” representa a urbanização e a “Wyrm” a corrupção.Nas histórias dos Garous a corrupção é a grande inimiga, seduzindo tribos inteiras para seu serviço, exterminando outras, sempre suportados pela megacorporação Pentex, uma empresa inteiramente dedicada à Wyrm e à sua propagação.  Os Garous protegem a santidade do mundo espiritual, conhecido como “Umbra”, das dessacrações da Wyrm e da desolação da Weaver, mas seus números definham e eles parecem lutar uma guerra perdida.

Quando a a Gnose tá baixa é que o bicho pega.

O tom de “guerra perdida” é o que eu acredito ser a grande sacada deste RPG, assim como a apresentação dos lobisomens como guerreiros iluminados e não bestas irracionais, o que levam à seriedade do cenário e à satisfação dos jogadores com coisas simples. Alguém talvez me pergunte “Qual a graça de jogar com um personagem condenado/em um mundo condenado?” e eu lhes respondo: Me diga você. Ou será que a graça está simplesmente em saber que de alguma forma tudo vai dar certo? O que importa é o caminho e não o destino.

Os Garous são divididos em tribos, à maioria têm origens europeias, mas há muitos nativos de outros continentes, principalmente das Américas, pois o novo mundo continuou selvagem por muito mais tempo. Os Garous são regidos pela lua também, sendo que a fase da lua em que um Garou nasce é o que determina sua vocação dentro de sua sociedade. Entre os filhos de Gaia não estão apenas os Lobisomens, mas toda sorte de licantropos representando inúmeros animais, sejam tubarões, leões, corvos ou ursos. A licantropia, neste universo, não é uma doença como confabula o mito genérico, mas uma característica hereditária, que é algo que não gosto particularmente no cenário, pois ou você nasce Garou ou não, ninguém é escolhido para isto, como é o caso dos vampiros, o que faz dos Garous um grupo muito menos seleto embora menos relutante, pois seus deveres são inerentes à quem são, obrigações familiares e consaguíneas.

"Obrigado por comparecer senhor Wolfman, a saída é pela direita."

Um dos aspectos mais estranhos do jogo era o fato de o seu personagem poder ser um humano (nascido de uma humana, vocês vão entender esta observação estranhamente óbvia) que se torna um lobo e híbridos de ambos (conhecidos como Crinos, Hispo e Glabro) ou você pode ser um lobo (nascido de uma loba) que se torna um humano e híbridos. Confie em mim, é a coisa mais estranha ver um jogador interpretar um personagem nascido lobo, você estará com sorte se ele não uivar.

A formas dos Garous: Homenídeo, Glabro, Crinos, Hispo e Lupus.

Lobisomem é um conto sombrio de uma crusada perdida de muito impacto, e se bem utilizado, pode ser um sistema que gera uma experiência única para quem joga e para quem mestra.

Gustavo Domingues, Cria de Fenris Theurge de posto 3.




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Gustavo Domingues

Leitor inveterado e crítico mal humorado, pretende criticar todos os autores até alienar a literatura para sempre!

4 Comentários sobre Lobisomem: O Apocalipse

  1. Dani Toste

    Apesar de “Lobisomem” ter muitas afinidades com “Vampiro” em termos de história e até para possíveis Crossovers, acho que a “idéia” por trás é muito mais parecida com “Changeling: The Dreaming”. Como os Lobisomens, os changelings também são nascidos, não feitos, e vivem num mundo condenado (pela banalidade no caso).

    Nunca joguei Lobisomem a Sério, apenas uns dois jogos isolados, então não conheço mto bem.

  2. João Uberti

    Opa, faltou a Wyld. Gaia representa o mundo que conhecemos, ou a sacralidade da vida desse mundo, mas ela é algo meio independente da Trindade. A trindade é a Wyld a Weaver e a Wyrm. Algo em sua origem provavelmente inspirado na doutrina Hinduísta de Bhrama, Vishnu e Shiva. A Criação, a Preservação e a Destruição (necessária à renovação). A diferença é que em Werewolf a coisa assume tons extremos. A Wyld é a criação caótica, que se não for mantida dentro de limites, simplesmente não permite uma realidade estável. A Weaver seria a equilibradora e a Wyrm originalmente a destruição necessária. Mas se não engano, a Weaver se excedeu na sua tarefa, e tentando criar uma realidade mais do que fixa, acabou enredando a Wyrm, que se corrompeu e virou a destruição desenfreada, sem propósito.

  3. Pingback: Mago: A Ascensão | Grifo Nosso

  4. Ricardo

    Muito interessante este frase “A licantropia, neste universo, não é uma doença como confabula o mito genérico, mas uma característica hereditária” vale um reflexão… se hereditária de onde será a sua origem???

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