Clube da Luta

Escrito por: | em 27/09/2012 | Adicionar Comentário |

Clube da Luta é um livro de ficção escrito por Chuck Palahniuk e lançado em 1996 (lançado atualmente no Brasil pela Leya). Um fenômeno cultural, mais tarde o livro foi adaptado para o cinema por David Fincher e estrelado por Brad Pitt, Edward Norton e Helena Bonham Carter (a mulher do Tim Burton que está em todos os filmes dele).

O livro segue a linha de narrativa típica de Palahniuk, começando em seu fim cronológico e mostrando todos os eventos que levaram até aquele ponto. Os personagens são intensamente auto-destrutivos, assim como todos os outros personagens de Palahniuk.

O livro têm um tom de “revelador”,principalmente por ser “politicamente incorreto” e pela retórica e ideia da crônica anti-consumista. Repleto de violência e excessos de tantas coisas mais, ele é um soco na cara do leitor pouco acostumado com uma leitura tão pesada, mas é tão caótico e tão anti-apologético, que você dificilmente não vai rir de tudo que está acontecendo.

A narrativa se passa em primeira pessoa, sendo que o autor, que também é o personagem principal, nunca revela seu nome, e este é um pequeno detalhe, que como muitos neste livro, se revela uma grande sacada. Nosso narrador sem nome conta sobre sua experiência de ter a vida totalmente mudada quando conhece um homem chamado Tyler Durden e junto com ele funda o Clube da Luta, um ringue de lutas “alternativo” para homens de todas as classes que querem simplesmente esquecer suas rotinas excruciantes e vidas monótonas. A experiência é tão libertadora que atrai cada vez mais lutadores e em determinado momento passa à se tornar um grupo organizado que se opõe determinadamente ao tipo de vida que eles inicialmente fugiam.

A ideia se espalha pelo país na forma de “células” e em breve nosso narrador e Tyler se vêem à frente de uma espécie de culto subversivo que despreza o consumismo, o elitismo e o corporativismo. Um grupo perigoso, informado e organizado, que em breve se torna um inimigo público da vida moderna.

Clube da Luta hoje, é uma leitura tão instigante quanto Laranja Mecânica foi no passado, e as perguntas que ambos propõe são as mesmas: O que é pior? O dano que um indivíduo ou grupo de indivíduos é capaz de causar ao sistema? Ou o dano que o sistema é capaz de causar nesse indivíduo ou indivíduos? É justo o revide de alguma das partes? O sistema nos serve ou servimos o sistema?

Mas não são essas as perguntas de qualquer indivíduo moderno que pensa minimamente em nossa relação com o Estado como um todo?

Este livro merece mais de uma leitura, pois após o fim revelador, a segunda leitura será muito melhor aproveitada com todas as nuances do texto de Palahniuk.



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Gustavo Domingues

Leitor inveterado e crítico mal humorado, pretende criticar todos os autores até alienar a literatura para sempre!

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