Lord of the Samples: The Red Wolf Conspiracy

Escrito por: | em 07/04/2013 | Adicionar Comentário |

“But centuries had passed, and the big ships had sunk one by one, leaving only Chathrand, and whatever lands there were had likewise drowned in seas of forgetting”

Red Wolf Conspiracy

Olá, senhoras, senhores, elfos, dopplegangers e outros. Direto das longas galerias subterrâneas do reino dos ebooks, novamente retorno à superfície com uma gloriosa sample para desmembrar. Sentemo-nos à mesa de cirurgia. Com vocês,  Lord of the Samples apresenta, o primeiro livro de Chathrand Voyage: The Red Wolf Conspiracy.

[Música épica ao fundo, aplausos ressoam pela nave central]

(Pigarro) The Red Wolf Conspiracy, lançado em 2008, iniciou um quarteto de histórias navais que veio a encontrar seu fim há dois meses, em The Night of the Swarm. Li algumas críticas positivas sobre a série ao longo dos últimos meses, achei as capas bonitas, agraciei a sinopse com aquela levantada de sobrancelha que indica algum interesse e, como nenhum livro das últimas semanas pareceu-me tão atraente, cá está nossa vítima. Abro o jogo desde já: foi uma apresentação magistral. Falo sério, essa sample foi muito bem servida e, mesmo não sabendo como a história progride, sugiro que ao menos leiam a sinopse (não, não a colocarei aqui).

A versão resumida. O Chathrand é um navio colossal construído por meios antiquíssimos e de madeira até extinta na natureza. Em uma viagem diplomática (ou não) acaba por desaparecer completamente do mapa, sem traços dos passageiros, exceto por alguns corpos mutilados encontrados à deriva. É exatamente sobre os acontecimentos até esse desaparecimento que leremos.

Claro, qualquer história naval traz desconfiança. Forçar uma história a acontecer em um ambiente tão restrito como um navio, com tantos personagens a bordo, já é andar na corda bamba ameaçando cair no loop de descrições sobre como viagens navais são um tédio por meses. A não ser que você escreva que há monstros no mar, ou uma baleia branca gigante (ou uma toupeira branca gigante, no caso do China Miéville). Não me levem a mal, gosto de histórias navais e justamente por isso desconfio desses clichês de que abusamos tanto (são quase tão ruins quanto dragões!). A saída do Redick foi ao menos a princípio bem engenhosa. Primeiro ele aumentou o espaço, tornando o Chathrand um palácio flutuante, depois diminuiu os tripulantes. E por falar neles…

O enredo se desenrola na sample da seguinte forma… aliás, não falarei sobre isso. Foi uma leitura boa pelo suspense de alguns detalhes. Gostei da condução da narrativa, não estragarei essa meia hora de diversão para vocês. Continuo, mas sem dar muitos detalhes. A sample começa com recortes de notícias falando sobre o desaparecimento do Chathrand, depois retrocedemos a algum tempo antes da saída do Chathrand e somos apresentados a nosso primeiro protagonista: Pazol. Gostei dele, é um modelo meio Kvothe que, por outro lado, aprendeu a calar a boca. Não chega a parecer um palerma completo como o protagonista de Railsea ou outros aprendizes a bordo de navios nesse tipo de narrativa e também não chega a ter toda a pose do herói inteligente e cínico; responde à altura quando necessário e tem noção de abaixar a cabeça na hora certa. Incrível, é tão raro que um autor não retrate um personagem jovem como muito impetuoso ou infantiloide!

Na sequência, e o ponto alto, uma descrição dos Ixchel invadindo o Chathrand. Fiquei sinceramente confuso. A apresentação dos Ixchel é no tom de “veja, gente pequena”, mas conforme a história progride eles me pareceram mais… só um pouco como… ratos, parecem totalmente com ratos. Foi uma bela jornada épica para atravessar a rua a deles, me emocionei quase tanto quanto com a primeira cena do Kaladin tomando sopa em Way of Kings (sopa épica, Brandon Sanderson atacou de novo).

Ademais, para uma história de quinhentas páginas a construção de mundo foi bem sólida. Temos uma conspiração, algumas lendas, tensões sociais, desconfiança mútua entre personagens, promessas de carnificina, uma missão grande para seres pequenos e um navio gigante. Nada de monstros do mar e até vou excusar uma pontada de Holandês Voador na metade.

É digno do selo Worth de aprovação.

Teje Carimbado!

Muito bem, fico por aqui. Até a próxima semana e bons tempos a todos.

Vou buscar a escada e voltar para aquelas catacumbas de samples…



Categorias: Review: Primeiras Páginas

Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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