Lord of the Samples: The Islanders (Christopher Priest)

Escrito por: | em 18/08/2013 | Adicionar Comentário |

“None of it is real, though, because reality lies in a different more evanescent realm. These are only the names of some of the places in the archipelago of dreams”

Eu ainda não me decidira por como proceder quanto a este livro, então percebi que isto é incomum para a coluna, e decidi escrever mesmo assim.

Senhoras e senhores, com vocês… Lord of the Samples, a coluna de crítica de ebooks do Grifo.

Para a crítica desta semana, escolhi The Islanders do Christopher Priest, cuja sample para kindle é bem curta e intrigante. O livro não é longo, claro que a introdução seria curta, e, por ser de um autor bem estabelecido e premiado, não vemos nele as marcas típicas dos novos autores (o desespero por atenção) ou dos autores mais comerciais (querer tragar o autor logo no começo). Explico: a introdução é uma nota editorial dizendo que o livro é incompleto e confuso. Forma curiosa de começar, não? Mas me adianto, mal falei sobre o autor.

Christopher Priest é um autor de sci-fi conhecido por The AffirmationInverted WorldThe Separation e outras pérolas. No Brasil, ele é mais conhecido por The Prestige. Não reconheceu? É a base para o filme O Grande Truque, dirigido pelo Christopher Nolan. Priest angariou por aí vários prêmios ao longo dos anos, e por uma dessas premiações mais recentes The Islanders me chamou a atenção. Como um bom tolo, pensei “opa, O Grande Truque foi divertido e há tempos quero ler algo dele, parece uma forma boa de começar” e baixei a sample. Foi… incomum. Não me estranha que a sinopse diga algo como “fãs de David Mitchel, venham ler isto”, porque o livro trouxe à memória muito daquele comecinho de Cloud Atlas – Pacific Journal e afins.

A maior parte da sample é a introdução. Nela, o editor ficcional do livro nos conta sobre seu mundo, composto por um oceano, dois continentes e o Arquipélago dos Sonhos. Ressinto-me um pouco dessa apresentação. De fato, acho incômodo quando um autor decide me explicar ponto a ponto os elementos de seu mundo, isso sempre parece rescindir a fantasia escapista.  Mas a explicação foi rápida, e talvez eu esteja um pouco grato por ela. O que ele nos conta é que há um continente em guerra ao norte, sendo as batalhas travadas ao sul, e que as tropas passam pelo Arquipélago nas suas viagens. O resto é sobre o Arquipélago em si. Ok, eu começo a pensar que começar por este livro não tenha sido uma escolha tão boa por ler em críticas que o Arquipélago já é examinado, com algum detalhamento, em outros livros do Priest. Talvez a falta de conhecimento prévio adicione algum sabor maior de descoberta à experiência, mas deixo a decisão a cargo do leitor. De qualquer forma, o conceito do Arquipélago dos Sonhos foi apresentado de forma levemente confusa, mas não hermética demais.

Após uma longa e serena descrição do ambiente físico (ou não) do Arquipélago, somos apresentados à topografia psicológica de seus habitantes. Foi então que comecei a ficar intrigado. Ora, o que leva um povo tão passivo a escrever guias de suas ilhas? De qualquer forma, algum viajante escreveu seus relatos, e agora o editor compila diversos desses relatos para lançar um guia de viagens pelo Arquipélago. Como ele mesmo nos diz, o guia é muito incompleto e inútil, pois dificilmente se chegaria a qualquer lugar por suas indicações. No mais, filosofia superficial.

Indo ao primeiro capítulo, temos descrições topográficas.

A sinopse diz que haverá um assassinato misterioso, uma trama romântica e outros temas básicos de enredo. O formato do início atesta o contrário. O saldo é que o livro parece indeciso quanto a sua direção, a serena passividade do povo nativo pinga pelas primeiras páginas e estou genuinamente intrigado. É certamente um livro de contos em formato de diário de viagens, mas há alguma promessa de que tudo se una no final… ou não. Talvez tudo continue disperso e haja só a sugestão de um enredo por trás de tudo. Cloud Atlas novamente?

Caso The Islanders vá além de Cloud Atlas, tenha conteúdo decente sob seu formato curioso (eu gostei do Atlas, mas é um livro de muito estilo e pouco conteúdo), provavelmente me fará vomitar arco-íris pelo mundo afora.

Hm, acho que ao longo deste post consegui formar uma opinião.

Veredito postergado, preciso ler o resto de The Islanders



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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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