Notícias Subterrâneas: Como Worth Matou Novembro (parte 1)

Escrito por: | em 02/12/2013 | Adicionar Comentário |

Olá, leitores! Há um bom tempo não apareço por aqui, não? Novembro foi um mês corrido e complicado para seu anfitrião – peço paciência e minha não degola, obrigado. Para me redimir, separei a nata dos lançamentos do mês passado em dois posts especiais para esta semana.

Eu até escrevi alguns posts anteriores, mas todos eles foram massacrados pela falta de tempo (ou conexão de internet) e não foram ao ar: posso dizer que matei tudo que estava preparando para o Grifo? Nosso post será, no final, algo assim – “como Worth matou novembro” e mais uma tentativa de um post atingir a vida.  Nesta primeira parte há pequenos lançamentos que impressionaram, grandes que decepcionaram e, na verdade, poucos que eu leria. Triste (sniff). Mas não se aflijam, pois o Transubterrâneo sempre passa por alguma passagem curiosa. Todos a bordo (!), rumo às primeiras antologias do final de ano.

The End of the RoadTwenty-First Century Science FictionA Cosmic Christmas 2 You

Quase me esqueço: leitores novos e outros desavisados, lembrem-se (pelo amor dos céus) de que os comentários são baseados totalmente no meu gosto, não são tentativas de padronizar as opiniões alheias ou descreditar totalmente qualquer lançamento. Sem rage nos comentários porque eu disse que algo é genérico. Passada esta mensagem de paz, podemos falar de…

The End of the Road: An Anthology of Original Fiction *(Jonathan Oliver)

Comecemos com as boas notícias, sim? The End of the Road é uma antologia que reúne alguns contistas competentes, alguns editores de antologias simpáticas, uma galera que já esteve em outras coletâneas sobre as quais falei… e alguns que atraíram mais minha atenção: Lavie Tidhar, que escreveu Bookman Histories para a Angry Robot, Philip Reeve, a figura por trás de Mortal Engines, Helen Marshall (Hair Side, Flesh Side) e Ian Whates (City of a Hundred Rows).

Unindo seus poderes especiais, esse time de autores compôs uma nova antologia de weird focada em estradas. O espírito que pede carona, o monstro da estrada, blá blá blá. À primeira vista me remeteu a um livro de lendas urbanas (o que, na verdade, soa bem neste caso). Parece ser simpático. E sim, vou usar esses adjetivos com conotação diminutiva. Não é a melhor proposta de antologia com que me deparei ao longo do ano, não é uma reunião dos meus autores favoritos, mas está, certamente, acima da média.

Twenty-First Century Science Fiction ** (David G. Hartwell & Patrick Nielsen Hayden)

Esta veio para explodir minha alma… para a lua… deixando para trás uma trilha de arco-íris. É uma antologia com novos, e velhos, autores de sci-fi engajados no desbravamento de novas fronteiras do gênero para o século XXI; é editado por dois senhores consagrados no ramo; tem participação da Catherinne M. Valente e do Scalzi… Simplesmente magnífico.

Posso fazer uma pausa para chorar por não ter lido nada do Scalzi? Eu queria ter lido Redshirts, mesmo, mas sempre que trombo com uma cópia, algo me impede de fazê-lo. Por exemplo, To Aru Majutsu no Index – ainda estou lendo essas light novels, e meu QI diminui a cada volume. Claro, podem me recriminar por esse tipo de comportamento, fãs do Scalzi: eu nem me importo [foge chorando rumo ao horizonte].

Onde estávamos? Ah, sim, essa parece ser a peça mais deliciosa desta lista. E é, talvez, o último bastião de sanidade entre as hordas de antologias natalinas. Interessa-me, e muito. Quem sabe que valor histórico isso terá? É uma seleção imensa do que é quente e nov hoje (em teoria). Daqui a cinquenta anos, como terá evoluído o sci-fi e quais dessas histórias serão mais ou menos batidas e bregas? Algumas já são batidas e bregas, mãs…

-Sem sacanagem com os clichês, Worth

Perdão, consciência. Vamos adiante.

A Cosmic Christmas 2 You* (Hank Davis)

E o que eu disse sobre antologias natalinas? Mesmo que Connie Willis, Joe Hadelman e Hank Davis estejam creditados na capa, não vejo como isso pode ser bom. São contos natalinos de foco cósmico? De volta ao Transubterrâneo para seguirmos viagem.

Swords Are My Business: A Collection of Four Eddie LaCrosse NovelsFiddlehead

Deixando para trás aqueles pequenos impérios de editores e temáticas descabidas (ah, os Impérios Antológicos Centrais!), faremos pequenas paradas na Vila do Omnibus e nas jovens colônias do Continente Steampunk (aquele gueto lá).

Swords Are My Business ( Alex Bledsoe)

Alguém sabe quem é Eddie LaCrosse? Eu vejo livros dessa série de tempos em tempos e sempre me esqueço. Aqui vai algo para refrescar a memória:

“… Eddie LaCrosse, the hard-boiled but soft-hearted detective known as a “sword jockey” who, for twenty-five gold pieces a day, plus expenses, will take on any case short of murder for hire…”

Se você realmente nunca viu nada dele, já sabe por que. Parece ser uma história tão insossa, e, ainda assim, a Tor lançou um omnibus digital. Bom, é o que temos para a semana.

Clockwork Century #5 : Fiddlehead** Cherie Priest)

É um desses pretendentes a bestseller steampunk. Melhor dizendo, a série é realmente um bestseller steampunk. E eu ainda não dou credito algum para ela… Será que meu desgosto pelo steampunk está interferindo em meu julgamento? Talvez, admito. Há fãs de sobra de Clockwork Century para contrariarem meu julgamento (até aí, Crepúsculo tem legiões…).

Começando com Bonecrusher, a série fala de coisas de steampunk e engenhocas steampunk e piratas voadores e… Vocês sabem como continua. Não que pareça ruim, há até algumas pontadas legais de história alternativa dos EUA nas sinopses. Por outro lado, quase tudo nela parece ser uma dose insuportável de mais do mesmo.

Fãs de Boneshaker, por favor, mobilizem-se e me digam o que acham da série. Eu ainda tenho receios.

the land acrossThe Arrows of Time

Para finalizar, um salto pela República do Sci-fi.

The Land Across **^(Gene Wolfe)

Distopias e distopias. Por ter a marca Gene Wolfe, ganha pontos, mas os comentários de reviews não estão sendo piedosos. Que fazer? Distopias e distopias.

Orthogonal #3 : The Arrows of Time **^ (Greg Egan)

Ah, Clockwork Rocket, novamente nos encontramos na estrada. The Arrows of Timeo terceiro volume de Orthogonal, vem nos agraciar com sua aura mesclada de amor e rancor dos fãs. Esta é, sem dúvida, a série de sci-fi que mais vi dividir multidões nos últimos tempos. Eu ainda não li, estou sem certezas quanto a meu lado no combate. Este é um livro que merece uma sinopse na íntegra antes de ser discutido.

In Yalda’s universe, light has mass, no universal speed, and its creation generates energy; on Yalda’s world, plants make food by emitting light into the dark night sky. And time is different: an astronaut might measure decades passing while visiting another star, only to return and find that just weeks have elapsed for her friends.

 On the farm where she lives, Yalda sees strange meteors that are entering the planetary system at an immense, unprecedented speed – and it soon becomes apparent that more of this ultra-fast material is appearing all the time, putting her world in terrible danger. An entire galaxy is about to collide with their own.

 There is one hope: a fleet sent straight towards the approaching galaxy, as fast as possible. Though it will feel like weeks back home, on board, millennia will pass before the collision, time enough to raise new generations, and time enough to find a way to stop the ultra-fast material.”

Relendo a sinopse, vejo bem explícitas as causas das cisões. Orthogonal não é uma série de sci-fi fácil e vai além do que esperamos mesmo de hard sci-fi: é um pesadelo de gráficos e teorias físicas nada intuitivas. Se quiser, se aventure a ler a explicação de como se pode ter uma ilusão de tempo em um universo em que o tempo é um eixo de deslocamento igual ao espaço, sem direção definida para o universo macroscópico. E essas construções tomam muito tempo no livro, prejudicando o desenvolvimento de um enredo e de personagens. É uma ficção científica literal. Quem gosta de um núcleo teórico muito sólido para o seu sci-fi provavelmente amará; os outros leitores, que querem seu worldbuilding decente como plano de fundo para bons personagens e afins, não gostarão tanto.

Independente do seu lado na guerra, admita que é interessante. Não consigo enumerar mais do que 2 ou 3 obras de sci-fi recentes que tenham um foco tão grande em física.

E como a série Orthogonal, este post também está se encerrando.

Ufa, consegui terminar e ainda é segunda-feira.

Logo mais volto com a continuação. Deixei alguns livros curiosos para o próximo post, aguardem.

Até breve e vão em paz (mas deixem seus comentários antes!)



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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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