Lord of the Samples: Words of Radiance (Brandon Sanderson)

Escrito por: | em 10/03/2014 | Adicionar Comentário |

Word of Radiance.

Sim, neste post especial falaremos de Stormlight Archive. Stormfather, estou esperando esta sequência há dois anos! Previamente conhecido como Highprince of War ou The Book of Endless PagesWords of Radiance foi publicado poucos dias atrás e já assombra meus pensamentos. Como demorarei um pouco para poder ler o livro todo, decidi ao menos espiar a sample e falar sobre por aqui.

Este não será um Lord of the Samples normal; não farei uma análise da sample cena por cena, falarei sobre as minhas expectativas para a sequência de The Way of Kings e, principalmente, sobre o que é Stormlight Archive e porque vale a pena conhecê-lo. Colocarei um aviso grande, ruivo e chamativo antes da zona de spoilers.

Devia começar dizendo que… Não, esta acima não é a capa final de Words of Radiance– é a capa inicial que o Michal Whelan propôs, e ,como sou um babão quanto ao Michael Whelan, colocarei as duas no post. A arte de Stormlight Archive é muito rica, afinal de contas – bem o que o Sr. Sanderson disse que queria. O que nos leva a… Quem é Brandon Sanderson?

Se você, leitor, é novo ao mundo da ficção especulativa e nem sabe o que essa terminologia indica, é por aqui que deve começar. Porque, pasme, a fantasia não é um gênero que se resume a cavaleiros e dragões, senhores das trevas e profecias… E fantasia épica NÃO se resume ao Senhor dos Anéis. Assim como é preciso retornar ao começo do século passado, para os tempos da Weird Tales, para entender o atual New Weird (se é que alguém entende aquele manifesto dos Vandermeer), também é preciso retomar o último meio século de fantasia épica para compreender o que se passa com os novos autores “quentes” do gênero. Desde Tolkien (que é o ponto de referência mais fácil), passamos por longos períodos de desconstrução e reconstrução da fantasia.

Com isso, o ponto de partida da vanguarda atual é um pouco distante do que estamos acostumados a ver, principalmente se só conhecemos o que chega traduzido ao Brasil. Há quem queira escrever anti-fantasias, desconstruções completas (vide Vellum e as obras mais representativas do New Weird); há quem queira recriar a fantasia de bases mitológicas distintas; há quem queira trabalhar com conceitos puramente psicológicos ou explodir todas as barreiras de gênero… e há quem só quer ver tudo ir pelos ares (Tailchaser’s Song NÃO é um livro ok!). Assim, quando alguns autores decidem retomar a fantasia épica mais clássica sufocando-a de twists inusitados, é essencial ter em mente que a parábola talvez seja muito mais ampla do que aparenta.

E o Sanderson é um autor importante nessa vanguarda. Ele por certo não é um expoente de fantasia artística ou muito cerebral: os conceitos dele costumam ser simples, o estilo dele é de vez em sempre sofrível e cada livro que ele escreve é cheio até o tampo de cenas de ação e cenários cool. Mas…Costumo dizer que a criação de um livro é um processo de três etapas: 1)agarrar um conceito, 2)amarrá-lo com uma teia narrativa e 3)emoldurá-lo com um estilo. Ainda que o Sanderson faça um trabalho bem básico (talvez por vezes até medíocre) nas etapas 1 e 3, ele é, sem dúvida alguma, um dos novos autores mais hábeis na etapa 2.

Todos os mundos do Sanderson são esculpidos com a máxima cautela, a magia é sempre sistematizada ao extremo (ele fez uma TABELA PERIÓDICA para Mistborn), os personagens têm arcos bem planejados e caracterizações cuidadosas. E os twists dele são excepcionais. Cada peça do quebra cabeça narrativo é talhada seguindo um manual muito detalhado e, para qualquer novo autor, tentar escrever o esqueleto de um livro dele é uma tarefa altamente didática.

 Mistborn, por exemplo, é uma pérola de fantasia contemporânea. É uma fantasia épica, claro, com um herói místico, uma profecia, um senhor das trevas, superpoderes… E qualquer um que leu a série deve estar sorrindo ao pensar o que cada desavisado imagina quando lê essa descrição. Isso porque Mistborn também é um filme de assalto, um campeonato de kung-fu, uma discussão muito longa sobre religião e liderança… E porque Mistborn tem o sistema de magia mais complicado e bem descrito que qualquer leitor de fantasia já encarou (“Deus Ex Machina? Não, mortal, você só não entendeu a Tabela Periódica Allomântica”).

Era isso que conhecíamos de Brandon Sanderson até The Way of Kings chegar às livrarias. O primeiro livro de Stormlight Archive, a saga extremamente ambiciosa do Sanderson, tinha 1000 páginas em que praticamente nada relevante acontecia. Isso aí, nada. Foi como um grande prólogo. E agora a sequência está entre nós e deve nos dizer algo relevante. Valeu a espera? A sample me diz que sim. Leitores desavisados peço que se retirem a seguir, mas partam com a seguinte frase em seus corações:

Em The Way of Kings, os dragões foram trocados por lagostas gigantes.

[Zona de Spoilers]

Shallan

Direto da Tor.com, Shallan Davar!

Foi só começando a ler Words of Radiance que percebi o quão necessárias foram várias das páginas de enrolação de The Way of Kings. O cenário, os personagens e até o vocabulário da série são muito herméticos, mas Words of Radiance supõe desde o começo que estamos familiarizados com tudo isso. Há, talvez, meia dúzia de frases que buscam refrescar nossas memórias. O máximo que temos de enrolação é um prólogo que repete a morte do velho rei do ponto de vista da (ugh) Jasnah. Crédito para Words of Radiance, os dois primeiros capítulos deixaram a Jasnah bem mais tragável. Ela ficou quase, quase, simpática, mas não se aflijam, o cinismo continua intacto dentro do coração duro, peludo e erudito dela. O Demoux também aparece no prólogo (acredito na teoria de que era ele).

Há um retorno do Kaladin que, para variar, continua neurótico. Mas tudo bem, ele está neste livro para arrancar rostos/ empalar desavisados e não para ficar chorando embaixo da ponte e pensando em suicídio. Presumo eu. Claro que ele precisa de um longo arco de evolução psicológica para aceitar os novos superpoderes e começar a confiar no Dalinar.

Quanto ao Dalinar… BLAAAAAACKTHOOOOOORN!

Ele não chega a aparecer na sample. Sniff. E o gancho dele para este livro é o melhor dos três protagonistas do último – que infelicidade, Highprince of War será o quinto livro. Ainda deve estar meditando sobre o que o recado de secretária eletrônica dele quer dizer, assim como todos estávamos no fim de Way of Kings. Por outro lado, o Adolin foi citado: nosso playboy favorito está com problemas sérios. Sérios, ruivos e esquizofrênicos.

Nossa querida (nem tanto) Shallan continua lutando contra as vozes na sua cabeça e a influência daquela subversiva princesa Alethi. Não posso realmente reclamar de este ser um livro focado na Shallan; afinal, ele parece ser bem-sucedido apesar disso. Embora eu prefira uma longa história do Dalinar comendo macarrão a qualquer coisa que a Shallan possa fazer, uma história com a moça maluca subentende a Jasnah por perto. E a Jasnah sabe o que faz. E a Jasnah parece feliz em, por fim, nos contar algo do que sabe.

Esse último detalhe foi a parte mais legal da sample. Finalmente temos explicações sobre o que está acontecendo. Spren Spren Spren, Shadesmar, Surgebinding, Voidbringers… Há um porquê para tudo isso! Depois de tanto tempo no escuro, é até desnorteador receber uma explicação direta e concisa sobre o que é Shadesmar. A Shallan não entendeu nada, para variar, mas isso nos dá tempo para digerir uma informação que já não parece tão estranha (depois das últimas 1000 páginas). Falando em ‘estranho’, as aventuras da Shallan com os Symbolheads já estão pisando em território Lovecraftiano.  “Um padrão vivo deslizando pelo chão” é a descrição do pokemon mais esquisito que já tentei imaginar.

No mais, não espero que Words of Radiance empurre a história muito para frente. E não fico ofendido por isso. Na verdade, até me alegra um pouco a ideia de passar por outro Way of Kings sem o Kaladin e a Shallan chorando e se desesperando. Há um sistema de magia inteiro para ser descoberto, a corte de Alethkar tem muitos problemas internos para resolver (ou seja, Sadeas tem que mandar uma caixa de cookies do perdão para o Dalinar), o Adolin tem que chorar muito, a Shallan fará uma longa, longa viagem até as Shattered Plains. E a Jasnah tem explicações a dar, muitas delas. Se pudermos só ver o que são realmente  surgebinding e a cultura dos Parshendi, teremos andado um bom trecho do caminho, não?

Há muitas interações interessantes entre personagens já engatilhadas e o Sanderson não é um autor que deixa essas situações ficarem de fora do livro. No fim, creio que o clímax do livro será algo maior que o grande duelo do Kaladin (e espero que ele apanhe muito). Mas isso não importa realmente; como Way of Kings repetiu tantas vezes…

Life before death, strength before weakness, journey before destination.”

Words of Radiance, capa final

 




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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

6 Comentários sobre Lord of the Samples: Words of Radiance (Brandon Sanderson)

  1. Alexandre Brandão

    Conseguiu me deixar bem curioso Lorde!
    Evitei a zona de Spoilers…

    Ótimo Post.

    • Lorde Worth

      Ora, obrigado, Alexandre =D

      Se quiser se aventurar pelo território do Sanderson, sugiro que comece pelo Elantris, que já foi inclusive lançado no Brasil.

  2. Bertalúcia

    gostaria de saber mais do autor e quantos livros são, será que pode mandar para mim.

  3. Gabriel

    Muito bom.. Eu ia ler o way of the kings até perceber que iriam ter inúmeros livros ai fiquei meio preocupado com a espera (já chega os livros do patrick rothfuss que não saem nunca) , o que atrasou esse livro foi exatamente o desvio do Sanderson para terminar a wheel of time que dizem que é incrível porém não tive tempo de ler!
    Seu review diz tudo, o Sanderson vem com uma nova leva de atores que estão renovando o cenário de Fantasia

  4. fernando

    ainda estou tentando encontrar o sentido no comentario sobre Tailchaser’s Song. poderia esclarecer por favor .

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