Lord of the Samples: A Natural History of Dragons (Marie Brennan)

Escrito por: | em 11/04/2014 | Adicionar Comentário |

A Natural History of Dragons

Sim, é um livro sobre dragões. Asseguro que não enlouqueci. Como disse nas últimas Notícias Subterrâneas, A Natural History of Dragons: A Memoir by Lady Trent*^ (Marie Brennan)  é um livro de cara simpática sobre uma naturalista que estuda dragões. Sua primeira sequência, Tropic of Serpents, já teve um lugar no meu último post e a capa para a segunda, The Voyage of the Basilisk, foi revelada na tor.com recentemente. Adiantando o veredicto, a sample é curta, simples e agradável – sugiro uma lida rápida.

Detalhando mais o enredo… Isabella, Lady Trent, é uma renomada estudiosa de dragões em um mundo muito semelhante ao nosso, exceto pela existência dos dragões, claro. Quando digo “muito semelhante”, quero dizer que a premissa da série é quase – quase – escrever uma biografia da naturalista/escritora inglesa Isabella Bird em um mundo com dragões. A partir disso, a história deve fugir completamente do que foi a vida da naturalista real. Quase completamente. Memoirs By Lady Trent ainda se preocupa com um tema central da biografia de Isabella Bird: o desafio às normas sociais. Assim como a Isabella real, em sua trajetória Lady Trent precisou superar as convenções sociais que supõem que uma Lady inglesa não viajará pelo mundo em busca de aventuras/dragões.

A Natural History of Dragons começa a série da forma óbvia: a velha Lady Trent nos diz que decidiu escrever sua biografia e começa a narrativa por sua infância. O que vemos disso na sample não é muito: uma descrição do ambiente em que cresceu a jovem Isabella, a cena de uma dissecação falha e o começo da narrativa de uma caçada. Perdão, vou corrigir algumas coisas – o que vemos não é muito: uma descrição da vida da vida da aristocracia rural, a cena da dissecação de uma ave e o começo da narrativa de uma caçada a um dragão raro. E, claro, algumas repetições de ” quão carente de estudos rigorosos sobre dragões o mundo era na época” (Lady Trent precisa garantir que saibamos como ela é importante).

É pouco conteúdo, concordo; o que me agradou mais foi o estilo da narrativa. Os capítulos começam com aquela cara de Verne, a voz narrativa é muito leve e despreocupada, até algumas construções tentam enganar o leitor fingindo ser algo mais antigo. Quando digo que “tentam enganar”, quero reforçar que o estilo não é, de forma alguma, uma simulação de uma escrita antiga. O que há na escrita de cada capítulo é, sim, um trabalho muito cuidadoso com vocabulário para passar a impressão de literatura do século XIX sem que o estilo seja o mesmo ou a leitura se torne difícil para um leitor desavisado. Achei impressionante.

Enfim, não é um livro pretensioso, criativo ou monstruosamente bem escrito, mas é elegante e tem seus truques. Ganha meu selo de aprovação. Apesar disso, não acho que leria o livro completo.




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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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