Cinema: John Wick

Escrito por: | em 11/10/2017 | Adicionar Comentário |

“John Wick não é o bicho-papão, é quem você chama para matar o maldito bicho-papão”

Uma coisa que falta no cinema hoje em dia é criatividade. Não me leve a mal, mas pare e pense, quantos filmes você assistiu ultimamente que não eram adaptações de livros, quadrinhos, videogames, desenhos animados ou remakes, reboots e readaptações? Assim como vocês, eu adoro a maior parte desses filmes todos, mas sinto falta de algo novo e realmente bom.

É aí que entra John Wick.

Quando assisti ao primeiro filme em 2014 (traduzido como “De volta ao jogo” no Brasil), tudo que sabia eram as histórias fantásticas que circulavam pela internet. Relato de um filme com Keanu Reeves que parecia bom demais para ser verdade e que tinha uma contagem de mortos digna de um filme de ação dos anos 80. De fato, não lembro sequer de saber deste filme passando nos cinemas brasileiros, então fui assistir com curiosidade e poucas informações.

A história é simples, John é um homem casado e feliz, porém, quando sua esposa sabe que vai falecer, ela deixa um filhote de cachorro para que ele tenha algo a se apegar na vida, pois, como ela diz, ele não pode só amar ao carro (um lindo 1969 Ford Mustang Mach 1). Dias após o enterro de sua esposa, um grupo de criminosos ligados à máfia russa rouba o seu carro e mata o seu cachorro. O que acontece então é uma grande caçada a toda a máfia russa em toda a glória que apenas uma história de vingança pode proporcionar.

Não é a história que faz com que John Wick seja um filme tão adorado, ela é simples porque precisa ser simples, e ela precisa ser simples para que todo o resto possa brilhar. A fotografia artisticamente plástica, a trilha sonora misteriosa, os figurinos e cenários caricatos na medida certa, e a ação que não esperávamos, mas sempre desejamos.

O foco na ação não é por nada, os diretores David Leitch e Chad Stahelski, trabalharam no passado como dublês, desde a coordenação até a própria “mão na massa”. E o quanto conhecem uma boa cena de ação fica evidente tanto no primeiro quanto no segundo filme (John Wick: um novo dia para matar, dirigido apenas por Stahelski). Cenas de ação com continuidade, sem a necessidade de cortes abruptos (que na maioria dos filmes apenas servem para disfarçar a inaptidão dos atores em fazer cenas de ação convincentes), movimentos táticos, munição que acaba, combates de claro entendimento e muito “Gun fu”.

Eu preciso de um momento para falar do “Gun fu”.

John Wick é retratado como um homem de foco e disciplina, dotado de uma força de vontade inabalável e uma criatividade especial para matar seus alvos. Porém, apesar de incontáveis lendas serem ditas a seu respeito, John mostra seu talento ao matar dezenas de inimigos em sequencia, enquanto utiliza suas armas em movimentos que soam como uma arte marcial. Esse “estilo de combate” é comumente conhecido como “Gun fu”, e não poderíamos esperar menos de Keanu Reeves (não depois de Matrix). Tiros múltiplos em um mesmo alvo, golpes de Jiu Jitsu que derrubam os inimigos e os deixam vulneráveis a tiros e (o meu favorito) muitos tiros direto na cabeça dos pobres capangas. John usa pistolas, rifles, facas e “dizem que ele matou três caras num bar usando um lápis”. A forma com que esse protagonista enfrenta os inimigos, remete a uma experiência que vivíamos muito mais em filmes da década de 80.

Porém, o que mais me atraiu em ambos os filmes foi o universo em que se passa. É como se fosse um mundo escondido de nós, no qual assassinos profissionais tem uma sociedade quase própria, com suas regras e locais alheios à população. Tudo é atemporal, o Hotel Continental (e todas as suas filiais pelo mundo) é um “solo sagrado” em que os profissionais não podem matar, os pagamentos são feitos em moedas de ouro, os contratos de assassinatos são passados a uma central e telegrafados, os telefones tem fios e todos se vestem elegantemente enquanto portam as mais modernas armas.

Quando terminei o primeiro filme, eu pensava “cara, se fizerem um segundo, eu quero que mostrem mais dessa sociedade secreta”, bem, acho que não fui o único a pensar assim. A continuação é repleta de códigos (como as “promissórias” que forçam uma pessoa a pagar um favor que devem), instituições e “funcionários” desse mundo (o “sommelier de armas” é facilmente uma das minhas adições favoritas da continuação).

John Wick: Um novo dia para matar, pegou tudo o que foi bom no primeiro filme e melhorou, ampliou e (por que não?) degustou com um cuidado que sequencias pouco tem nos dias de hoje em Hollywood.

Espero que você entenda que a partir de agora, estará entrando no universo onde vive uma lenda, você está no mundo de John Wick, e eu garanto, é melhor não ficar em seu caminho.




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vinicius

"Sou os diálogos do Tarantino, a ação de Ridley Scott, a magia de Spillberg, as explicações de Nolan e a pose cool de Guy Ritche."

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