Review: A Revolta de Atlas

Escrito por: | em 16/10/2017 | Adicionar Comentário |

A Revolta de Atlas foi escrito por Ayn Rand e publicado em 1957. Ela nasceu na Russia em 1905 e mudou-se para os EUA em 1926. Por isso ela é considerada “russa-americana” (se essa é uma expressão correta).

Ayn Rand é criadora da filosofia objetivista, que tem como base o princípio das pessoas serem impulsionadas pela lógica e pela razão. Tendo como principal ideia de moralidade de uma pessoa, que esta atinja felicidade própria. O libertarismo é uma posição política influenciada por esta filosofia.

Ayn Rand

Então sim, se você veio procurar nos livros da Ayn Rand apologia ao socialismo e ao bem maior e coletivo, você não irá encontrar. Na verdade, ela vai tentar te explicar detalhadamente o porquê de muitas ideias do socialismo poderem dar errado durante este livro, então se você discorda da opinião da escritora e não está aberto a discussões e reflexões, não aconselho a leitura.

Eu realmente espero que pelo menos você prossiga com a leitura deste artigo. Nem se for para falar mal do livro depois, apesar de eu esperar que você o leia antes disso.  

Existem algumas edições do livro, sendo a mais recente um volume único. Eu li a edição dividida em  3 volumes. Uma coisa que foi muito útil para a minha leitura, pois carregar um livrão no ônibus é um pouco complicado. Outra informação interessante sobre o livro, é que o mesmo já teve o nome de “Quem é John Galt?”, quando foi lançado no Brasil anteriormente, esta é uma expressão bem recorrente em A Revolta de Atlas.

Mas vamos ao que interessa:

O nome A Revolta de Atlas vem da mitologia grega, nela Atlas é um titã condenado por Zeus a sustentar o mundo para sempre nos seus ombros. No livro as grandes mentes do mundo acreditam que estão sofrendo do mesmo mal de Atlas.

A história se passa em um retrofuturismo, ou seja, um possível futuro do passado, provavelmente o que foi imaginado pela autora. A maior parte da história se passa pelo olhar da grande empresária Dagny Taggart (seria ela uma inspiração para Daenerys Targaryen? Com certeza ela é uma mulher forte, mas vamos dizer que elas são bem diferentes em suas “filosofias” de vida).

Dagny dirige uma das maiores empresas de transporte que é a Taggart Transcontinental e é uma mulher bem objetiva e que deixa claro a todos ao que veio no mundo: Continuar o ótimo trabalho feito pelo seu antepassado Nathaniel Taggart , aumentar suas riquezas e deixar a própria marca na história, ou seja um legado.

Mas ela sabe que não conseguirá ser presidente da empresa por ser mulher, e tem o cargo de vice-presidente, sendo que o seu irmão James Taggart ocupa a posição de presidente apenas pelas aparências, enquanto ela realiza o trabalho pesado.

Essa é uma relação muito importante para o livro e também é possível ver um conflito que a autora tem, sendo que Dagny tem o pensamento mais objetivista e James mais “socialista”, aqui eu digo “socialista”, porque a autora logicamente é totalmente contra esta filosofia, então a maneira satírica que é apresentada no livro com certeza não é uma boa representação que um socialista de verdade gostaria de ver ou que possa ser verdade.

Nesse mundo, muitos empresários são tidos como se fossem “inimigos da sociedade”, gananciosos e egoístas, preocupados só com o lucro de suas empresas. E com isso alguns empresários como James, que estão “preocupados” com a sociedade e a concorrência que o capitalismo leva as empresas a tomarem algumas atitudes ajudando o Governo a ter maior poder em relação as mesmas. Apesar de sabermos que a preocupação de James e seus amigos está mais com o seu poder e riqueza individual do que com a sociedade em geral.

Outro personagem importante no livro é o Hank Rearden, ele cria o metal Rearden, o melhor metal do mundo e que é o centro de várias disputas, pois leva a uma concorrência “desleal”, segundo James e seus aliados. Hank é um grande aliado de Dagny, e está ao lado dela quando vários empresários e inventores começam a sumir da sociedade.

Não posso escrever muito mais sem começar a chover spoilers. Este é um livro com uma leitura complexa, com longos discursos, alguns com mais de 80 páginas. E sim, se você discorda da autora e suas ideias, a leitura pode ser bem mais difícil. Mas pode ser mais fácil de compreender pessoas que concordam com esta filosofia após a leitura e levar a reflexões sobre o tema e a sociedade.

Mas é um livro também que retrata um problema bem comum em nossa sociedade que é a empatia, isso dos dois lados, e é interessante como podemos associar as personagens com algumas pessoas do nosso dia-a-dia, assim como políticos, personalidades e até uma pessoa que você pode conhecer.

E você leu o livro? Qual a sua impressão?



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Thaís Priolli

Louca por distopias, sempre com uma teoria de "E se...". Não pretende morrer neste planeta.