Review: O Homem do Castelo Alto

Escrito por: | em 09/10/2017 | Adicionar Comentário |

O Homem do Castelo Alto foi escrito por Philip K. Dick e lançado em 1962. Aqui no Brasil é possível achar várias edições do livro, a que eu utilizei para fazer esta review foi a da Editora Aleph, a terceira edição que foi feita em 2009. É bem interessante que a editora tem utilizado o mesmo estilo de capa para todos os livros do Philip K. Dick.

Outros livros que eu havia lido de distopia em geral elaboram uma sociedade no futuro de acordo com correntes políticas atuais. Mas o interessante no O Homem do Castelo Alto é que Philip K. Dick pegou um fato do passado, o alterou e imaginou como o mundo seria a partir disso.

E qual seria esse fato?

Como todos sabemos a segunda guerra mundial historicamente foi vencida pelos aliados. Já na história desenvolvida pelo escritor, os aliados perderam a guerra, e, consequentemente, o Eixo ganhou.

Assim, ao invés de termos uma divisão entre o capitalismo dos EUA e o socialismo da URSS, o mundo fica dividido entre o comando dos Alemães Nazistas e os Japoneses Imperiais.

 

A história em si se passa nos EUA e na costa Oeste, que seria a parte do pacífico, onde temos São Francisco como principal cidade da narrativa. E como pode ser visto no mapa acima, faz parte do controle dos japoneses.

São vários pontos os que levaram os aliados a perderem a Guerra, e é bem interessante quando eles vão se revelando aos poucos durante o livro e montando um quebra cabeça que mostra uma visão ampla dos acontecimentos finais da derrocada dos aliados.

Temos alguns personagens principais no livro e a história deles vai se entrelaçando:

  • Nobusuke Tagomi – é um representante do comércio japonês em São Francisco, e assim como a maioria dos japoneses, adora antiguidades americanas, tem até uma parte famosa em que ele dá um relógio do Mickey Mouse de presente para um parceiro comercial.
  • Frank Frink – um judeu que veio para a costa Oeste fugindo dos nazistas. No início ele trabalha em uma fábrica que faz réplicas de antiguidades americanas, pois acaba virando um bom negócio, já que os japoneses adoram comprar as antiguidades.
  • Juliana Frink – ex-mulher de Frank, ela se mudou para uma cidade no Colorado, que faz parte das Montanhas Rochosas, que seria a parte marrom no mapa. Ela é uma personagem que tem dificuldade em confiar nas pessoas e isso é bem retratado no livro.
  • Robert Childan – é dono de uma loja que vende antiguidades e tem que lidar com muitos colonos japoneses.

Na costa Oeste dos EUA é publicado um livro chamado O Gafanhoto, que conta uma história de como seria o mundo caso os EUA e a Grã-Bretanha tivessem ganho a guerra, este livro foi escrito por Hawthorne Abendsen, que é conhecido por ser “O Homem do Castelo Alto”, pois dizem que ele mora numa casa no alto de uma colina. Sendo que este livro era estritamente proibido no domínio Alemão. Alguns personagens acabam tendo contato com o livro, mudando suas vidas sutilmente.

Um ponto interessante do livro, é que vários personagens confiam no Oraculo para tomar decisões importantes. O Oráculo é um livro real, ele também é conhecido como “Livro das Mutações” ou “I Ching”. Isso é bem interessante porque  Philip K. Dick confirmou que utilizou este mesmo livro para tomar decisões importantes do livro O Homem do Castelo Alto, outra fonte de inspiração para ele também foi o livro Bring the Jubilee escrito por Ward Moore e publicado em 1953, este livro conta como seria se os estados confederados tivessem ganho a Guerra Civil dos EUA.

 

Recomendo fortemente a leitura do livro, que foi ganhador do prêmio Hugo em 1963 e teve uma adaptação para série feita pela Amazon Prime (serviço de Streaming da Amazon), ela já teve duas temporadas de 10 episódios cada. Levando em consideração que o livro tem 304 páginas a série elabora muito mais, e adiciona diversos elementos de história. Ainda não vi a série, mas ouvi falar que têm várias divergências do livro. Mas como falei anteriormente, é uma adaptação.




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Thaís Priolli

Louca por distopias, sempre com uma teoria de "E se...". Não pretende morrer neste planeta.

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