Review: O Assassino do Rei

Escrito por: | em 23/11/2017 | Adicionar Comentário |

Oi meu nome é Thaís, e hoje faz 35 dias que eu não leio Robin Hobb! “O Navio Arcano” chegou e estou lutando bravamente contra a vontade de colocá-lo na frente da fila. E para diminuir a sede estou lendo três livros ao mesmo tempo.

Hoje irei escrever sobre “O Assassino do Rei”, que faz parte da primeira trilogia “Saga do Assassino”, que se passa no “Reino dos Antigos”. Na minha opinião este é o melhor livro dessa trilogia (Maravilhosa, diga-se de passagem!)

“O Assassino do Rei” foi lançado em 2014 pela Editora Leya, e eles continuaram com as capas do Marc Simonetti, mostrando que entenderam o que os leitores brasileiros gostam além de livros bons: Capas bonitas.

Caso você seja como eu, e depois de um tempo que leu um livro esquece praticamente tudo (eu já esqueci que li um determinado livro uma vez, e só lembrei porque em uma discussão vi alguém falando mal, fui procurar e achei um comentário meu de anos atrás dizendo quase a mesma coisa sobre o livro), a escritora faz um belo trabalho aqui, ela convoca uma “memberberry” no início do livro e nos relembra tudo de importante que aconteceu no primeiro livro da trilogia “O Aprendiz de Assassino“.

 

Pode conter SPOILERS (depende do seu grau de sensibilidade)

O segundo livro conta a volta de Fitz depois de uma missão entre o povo das montanhas em que ele conheceu Kettricken, a esposa de Veracidade. Nessa missão, ele quase morre algumas vezes e fica com algumas sequelas. Temos também novos ataques dos Navios Vermelhos, mas agora “Os Seis Ducados” estão melhor preparados, com navios e com o circulo do talento treinado por Galeno, o que traz um pouco de esperança por um tempo limitado. Até que por algumas razões, o príncipe Majestoso novamente começa a fazer tudo para que nada dê certo nos planos de Fitz.

Sabe aquelas pessoas que têm os filhos que estão aprontando, todo mundo olha e os pais não tomam atitude nenhuma? Pois bem a Robin Hobb retratou isso muito bem nesse livro, esse é o Majestoso. Se você ainda tinha dúvida que ele seria o vilão, não tenha mais!

 

No primeiro livro conhecemos apenas um pouco sobre Kettricken, mas no segundo livro ela é bem explorada e é interessante ver as diferenças culturais entre o povo das Montanhas e dos Seis Ducados. A família real de Kettricken, que governa a Montanha, é tida como um sacrificio, ou seja, eles estão prontos a qualquer momento a se sacrificar pelo seu povo. Eles também tem um comportamento mais direto, menos ligado a intrigas, falsidades, aparências e coisas do tipo. Enquanto nos Seis Ducados existem estratégia por trás das conversas, com muitos comportamentos assumindo duplos sentidos. Kettricken também é uma tremenda guerreira, o que é interessante, assim não temos mulheres no circulo principal de personagens apenas para intrigas.

Veracidade que já confiava em Fitz no primeiro livro da série, agora o utiliza como olhos e ouvidos, a relação deles melhora bastante, sendo que ele, ao contrário do irmão, sempre tratou o sobrinho bem. Com o passar do tempo, desejamos que Fitz de ouvidos para Bronco, que cada vez mais parece entender sobre a “Manha”, a magia de ligação com os animais. Breu aparece no livro, mas tenho a impressão que ainda não foi tão bem explorado, talvez deixando mais para depois.

Outro personagem que ganha destaque neste segundo livro é o Bobo, sempre conversando com o Fitz e revelando que sabe muito, mas ao mesmo tempo sem revelar tudo que sabe ou é. Como vemos a partir da visão da personagem principal, e vemos que para ele o Bobo é tão confuso e tresloucado como para nós.

O relacionamento de Fitz e Moli finalmente avança, depois de um começo um pouco conturbado. Mas para mim o melhor personagem desse livro é o Lobito, um lobo que o Fitz compra bem filhote, e logo já faz uma ligação com ele pela “Manha”, desconsiderando os conselhos de Bronco. O que é interessante em relação ao lobo é que ele não entende muito bem algumas convenções humanas, tendo algumas cenas interessantes de vergonha alheia. E como não se encantar com a Dama Paciência, o Fitz é o filho bastardo do marido dela, e ela cuida dele desde o início de sua volta para a corte como se fosse o próprio filho.

Sem me prolongar mais,  eu gostei bastante do livro “O Aprendiz de Assassino”,  quando li este livro eu não tinha expectativa alguma, mas já com “O Assassino do Rei” eu tinha uma expectativa grande por causa do primeiro livro, e posso te dizer que ela foi totalmente atendida. A escritora prepara um mundo encantador, com personagens bem desenvolvidos, e acima de tudo sofridos. Sem falar que o livro tem um final fantástico, que ressoou comigo por um bom tempo.

No primeiro livro acompanhamos o Fitz , desde quando ele era criança até a juventude dele, acompanhamos o sofrimento de perto, choramos litros, achamos: “No segundo livro ele não vai sofrer tanto”, mas aí que você se engana. No primeiro livro ele adota o nome de Fitz Cavalaria (Cavalaria era o nome do pai dele), mas o que eu acho que a autora deveria ter batizado ele de “Fitz Romaria”, e eis aqui o motivo:

“Fitz Romaria moço órfão de pai e mãe, desgraçado por natureza, miseravelmente desafortunado”.

Quero ver agora você não associar o Fitz a Romaria…




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Thaís Priolli

Louca por distopias, sempre com uma teoria de "E se...". Não pretende morrer neste planeta.

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