Escrevendo

Escrevendo: Sangue e Trovão Capítulo 1

Publicado em by Gustavo Domingues | em Escrevendo, Produção Original | Deixe um comentário  

Muito bem, semana passada tivemos nossa introdução, agora vamos para o nosso primeiro capítulo.

Mornov I

– Você não deve esquecer essa cena – Falou o homem careca para o rapaz atrás dele – Isso vai mudar nossa vida.

O raiar do sol assomava sobre o porto, iluminando sinistramente os cadáveres dos guardas portuários, o sangue escuro das poças assumia uma coloração quase laranja diante da incidência direta da luz solar.

Nove corpos, braços amarrados para trás e gargantas cortadas indicavam execuções, e as poças de sangue no chão, espalhadas entre os paralelepípedos e já coagulando, mostrava que as mortes haviam ocorrido à noite. Nuvens de moscas que circulavam no cais já empesteavam os corpos, acostumadas a pararem tudo que faziam para esquadrinhar um corpo novo.  Aves carniceiras observavam de longe com olhares famintos esperando que as pessoas se afastassem e deixassem que elas fizessem seu trabalho.

O homem careca, moreno, magro e alto estava quase pisando em uma das poças de sangue enquanto encarava pensativamente os cadáveres. Seu assistente se postava atrás dele com intensa atenção à reação do homem careca, e diversos metros atrás do assistente quase vinte guardas do porto afastavam irritadamente uma multidão que matracava e especulava o que poderia ter acontecido neste ponto do porto, onde os navios militares atracavam. A imobilidade do homem careca e de seu assistente quase compunha uma pintura, dos dois parados no Pier, próximo a enorme torre conhecida como o Olho Direito, que guardava um dos lados da Baía de Hespéria. Continue lendo…

Escrevendo: Sangue e Trovão

Publicado em by Gustavo Domingues | em Escrevendo, Produção Original | 2 Comentários

Hoje nós vamos começar um exercício diferente: Eu vou escrever um livro.

Eu vou escrever um livro, mas vou ouvir seus pitacos. Bom, na realidade o livro já está escrito, mas não é esse o foco, a ideia aqui é nós explorarmos a criação de um livro, e toda semana vou publicar um capítulo aqui, junto com um comentário, ao fim, sobre o porque de cada elemento escrito ali.

Muito bem, eu lhes apresento “Sangue e Trovão”.

Prólogo:

– Se deixar de prestar atenção em mim vai se arrepender profundamente! – Gritou o Capitão dos Aquilários para seu escudeiro, mas o vento sibilava tão rápido que mal podia ser ouvido enquanto eles sobrevoavam o vale em que duas nações se chocavam em uma batalha sangrenta que podia ser ouvida a quilômetros.

O Capitão podia ver abaixo das nuvens escassas as massas de pessoas rumando umas contra as outras, os estranhos canhões elétricos dos Aéllicos rugiam no vale contra as forças da Coorte de Rapina, mas os soldados com asas de águias nos elmos devolviam catapultando esferas de vidro repleto de líquido combustível que explodia em contato com o ar ou disparando com seus canhões de pólvora negra. O vale se enchia com os trovões das armas, galopes de cavalos, os gritos de homens mutilados ou incendiados. E o cheiro ficava preso no vale pelas elevações ao redor, carne queimada, sangue, suor e urina.

Os Aéllicos se entrincheiraram na embocadura estreita do vale, tirando a vantagem de números vastamente superiores da Coorte, disparando seus canhões engenhosos sobre as massas de soldados, que tentavam se espalhar sem muito sucesso pelo vale, na tentativa de se tornarem alvos menos óbvios. Os soldados da Coorte eram treinados e valorosos, e pressionavam o inimigo com disparos de rifles, frascos incendiários, jatos de chamas, cargas de baionetas e espadas em punho.

O esquadrão estava a uma altura acima das nuvens em que o ar se tornava rarefeito, prontos para seu ataque de mergulho. Eles já podiam ver abaixo a monstruosidade de aço escuro mais próxima que flutuava sobre o vale, parcialmente encoberta por nuvens criadas artificialmente, um dos três navio voadores de guerra que cuspiam fogo e relâmpagos sobre seus inimigos no vale. Continue lendo…