Resenha

Resenha: Sombras Eternas

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No momento que eu escrevo esta resenha, eu já li a trilogia completa da Companhia Negra do Glen Cook, sendo que o primeiro livro já foi objeto de um podcast nosso. Mas fiz esta afirmação anterior para poder estabelecer que tendo lido a trilogia, acredito que Sombras Eternas seja o melhor livro dentro dela.

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Sombras Eternas foi publicado em 1984, no mesmo ano da Companhia Negra, apenas cinco meses depois, e seu enredo começa alguns anos após a guerra ao fim da Companhia Negra, onde os exércitos da Dama esmagaram os rebeldes. A história se passa principalmente em Zimbro, e narra as desventuras da Companhia naquela cidade.

Sem dar spoilers, o que posso falar é que Sombras Eternas é meu livro favorito da trilogia da Companhia Negra. O local onde se passa, a cidade gigantesca de Zimbro, cheia de favelas, cortiços e muquifos, é uma localidade urbana instigante para um livro de fantasia, e o novo personagem principal, Barraco Castanho, é um sujeito terrível, mesquinho, trapaceiro, mas muito interessante de se observar em sua vida bizarra.

O ambiente urbano também traz uma estranha leveza para o livro, como se Glen Cook estivesse mais à vontade escrevendo este livro em comparação com os demais. Mas seu estilo esquisito de narrativa continua, mas ele cada vez mais dá um gosto único para o livro, ainda mais se considerando a fadiga que estou tendo de livros de fantasia tradicionais.

Acho um pouco estranho a guinada feroz que ele dá na história de Corvo, mudando radicalmente a apresentação de seu personagem e introduzindo novos elementos à sua história, que faz com que seu comportamento e, eventualmente, a conclusão de sua história não sejam nada do que o leitor aguardava, ainda mais considerando-se a narrativa do personagem no primeiro livro.

Mas no final das contas o livro é isso, uma fantasia tão fortemente diferenciada das demais, que você leitor habituado com livros do gênero, não deixará de estranhar. Mas não torça o nariz e não despreze este livro, porque ele tem o poder de te surpreender de muitas maneiras diferentes. Na verdade, a narrativa do livro é seu ponto forte no final, não criaturas fantásticas ou o cenário sombrio, que tantos outros livros já possuem.

Dou oito tapetes voadores para Sombras Eternas.

Edição que eu li: Editora Record, 2013. Tradução de Domingos Demasi.

Corações Sujos

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Corações Sujos é um livro jornalístico de Fernando Morais publicado originalmente em 2000.

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A obra fala principalmente sobre a Shindo Renmei, um grupo rebelde de japoneses que moravam no Brasil durante o fim da Segunda Guerra Mudial e não acreditavam na derrota do Japão.  As ações do grupo incluía propaganda falsa dentro das colônias japonesas no Brasil, invertendo os vencedores da Guerra, assim como ataques aos japoneses e descendentes de japoneses que falavam publicamente que o Japão havia sido derrotado (chamados de makegumi, “corações sujos”). O livro também trata de outros temas relativos ao central, como a imigração japonesa e o tratamento dispensado aos imigrantes no Brasil.

Esse movimento ocorreu especificamente no Brasil justamente pelo Brasil ser o segundo país com a maior concentração de japoneses, atrás apenas do Japão, é claro.

O livro foi escrito por Fernando Morais após uma intensa pesquisa, possuindo um estilo de escrita quase literário, o que facilita muito na exposição dos acontecimentos, e traz um grande prazer à leitura.

A história da Shindo Renmei é uma história muito interessante, não só pelas suas ações, mas sobre como eles são um estilo próprio de insurgente, totalmente caraterizados com a cultura japonesa. Para todos os efeitos a Shindo Renmei pode ser considerada hoje em dia uma organização terrorista, principalmente por sua técnica de calar os que discordam dela com técnicas de aplicação de medo e violência pontual como forma de exemplo.  O Japão nunca havia sido derrotado em guerra até o advento da Segunda Guerra Mundial, e a Shindo Remnei acreditava que era impossível ele ser derrotado e, portanto, as histórias da derrota eram falsa propaganda dos Aliados.

Mas apesar do terror que causavam, a Shindo Renmei não era concentrada em lutar contra brasileiros (apesar de algumas refregas contra autoridades policiais) mas sim contra japoneses e niseis que não tinham um espírito nipônico de confiança na invencibilidade do Japão.

Isso tudo me lembra da história de Hiroo Onoda, que continuou uma guerra de um homem só nas selvas das Filipinas até 1972, incapaz de acreditar que o Japão havia sucumbido, e se recusando à abandonar suas ordens de ocupar a ilha em que estava. Hiroo só voltou à uma vida normal depois de receber uma delegação militar do Japão, que o dispensou de seu serviço e lhe deu um prêmio pela tenacidade e lealdade. Adivinha onde Hiroo foi morar depois disso? Sim, no Brasil.

Na verdade, o que se torna central no livro é essa ideia do ufanismo e dedicação dos japoneses, e como os filhos de japoneses no Brasil sempre aprendiam a ser japonês antes de ser brasileiro ou qualquer outra coisa.

Uma das minhas partes prediletas do livro é quando é descrito uma rádio pirata que enviava falsas notícias para as colônias japonesas, entre elas:

“MacArthur suicidou-se”

“O boato de que o Japão perdeu a guerra vem dos judeus do Rio de Janeiro, que estão fugindo para São Paulo, porque o povo do Rio sabe da vitória certa do Japão.”

Enfim, Corações Sujos é uma história das mais interessantes, com um foco histórico e sociológico sobre um grupo de imigrantes tão singular dentro do Brasil.

Eu dou oito Shindo Renmeis para Corações Sujos.

Edição que eu li: Editora Companhia das Letras, 2011. Terceira Edição.

Moby Dick ou A Baleia

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Estivemos parados, estivemos improdutivos em relação ao Grifo. Mas eu venho até vocês lhe prometer que teremos muitas publicações no futuro, pelo menos enquanto eu aguentar dispara-las várias vezes por semana. Então segurem suas tiaras e cartolas, madames e cavalheiros, porque vamos ter uma viagem vertiginosa, literariamente falando.

Que livro melhor para começar nossa nova onda de resenhas que Moby Dick, um dos meus livros prediletos?

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Moby Dick, ou A Baleia, foi escrito por Herman Melville e publicado originalmente em 1851. Ele foi inspirado pelo naufrágio do navio Essex, comandado pelo capitão George Pollard quando este foi atingido por uma baleia e afundou. O livro também é baseado nas experiências do próprio autor, que viajou em uma expedição baleeira e também encontrou pessoalmente tribos canibais.

De forma geral o livro narra a expedição do Pequod, um navio baleeiro comandado pelo Capitão Ahab, que parte de Nantucket, uma cidade em Massachusetts, na costa leste dos Estados Unidos. O livro é narrado por Ismael, um novo membro na expedição do navio, o por seus olhos vemos a história e por sua experiência aprendemos sobre o mar e a caça às baleias. E de Ismael vem a frase que inicia o livro, uma das mais célebres da literatura: “Pode me chamar de Ismael”. Continue lendo…