Review: O Afegão

Publicado em by Eric Torres | em Review: Literatura | 5 Comentários

Frederick Forsyth é reconhecido hoje como um dos maiores escritores de espionagem internacional, e não é exatamente sem motivo.  O Afegão é mais uma obra que retoma a boa dose de intriga entre agências de inteligência e organizações terroristas do mundo árabe, de uma maneira bem similar ao Dossiê Odessa.

Com uma fórmula simples baseada na infiltração de um espião dentro do grupo inimigo, O Afegão parece pouco criativo para quem já conhece outras obras do autor. No entanto, apesar da fórmula poder ser resumida em poucas palavras, todo o contexto que se sobrepõe a base é muito melhor desenvolvido do que o protagonizado por Peter Miller na Odessa.

Quando os serviços secretos dos Estados Unidos e da Inglaterra descobrem que há um ataque terrorista sendo planejado pela Al-Qaeda, o qual parece ter proporções muito maiores do que os atentados já vistos, os meios de ação fogem do tradicional. Não adianta usar um Continue lendo…

Review: Nada de novo no front

Publicado em by Eric Torres | em Review: Literatura | 2 Comentários

“Sou jovem, tenho vinte anos, mas da vida conheço apenas o desespero, o medo, a morte e a mais insana superficialidade que se estende sobre um abismo de sofrimento. Vejo como os povos são insultados uns contra os outros e como se matam em silêncio, ignorantes, tolos, submissos e inocentes… Que esperam de nós, se algum dia a guerra terminar? Durante todos esses anos, nossa única preocupação foi matar. Nossa primeira profissão na vida. Nosso conhecimento da vida limita-se à morte. Que se pode fazer, depois disto? Que será de nós?”

Quando pensamos em livros sobre guerras a primeira imagem que vem é da exaltação da coragem do soldado, de como ele consegue pular todos os obstáculos do conflito para impor o seu lado. Por trás de tudo isso tem o aspecto romântico que deixa a batalha simplesmente deliciosa, chegando algumas vezes a ser limpa e agradável, nada mais que um simplório joguete em que somente a honra pode ser mutilada.

Em Nada de Novo no Front, de Erich Maria Remarque, esse caráter belicoso é colocado de lado em prol de Continue lendo…

Lançamento do mês: Dezesseis Luas (Beaultiful Creatures)

Publicado em by Thaís Priolli | em Notícias | 4 Comentários

Será lançado esse mês no dia 28/02 o livro Dezesseis Luas das escritoras Kami Garcia e Margaret Stohl da série que terá como nome Beaultiful Creatures, o livro foi lançado no final de 2009 nos EUA e já é considerado mais um próximo Harry Potter, e em algumas críticas foi comparado também com Crepúsculo. (Espero que as comparações não prejudiquem o livro e que ele não sofra preconceito por conta disso)

“Pacote completo: um cenário assustador, uma maldição fatal, reencarnação, feitiços, bruxaria, vudu e personagens que simplesmente prenderão o leitor até o fim…” Voya

O personagem principal do livro é Ethan Wate, que mora numa pequna cidade do Sul chamada Gatlin, e tem uma vida nada agitada até a chegada de Lena Duchannes, que vai revelá-lo um mundo secreto. Segue uma parte do livro Continue lendo…

Leitura Séria: O Domínio da Vida

Publicado em by Dani Toste | em Review: Leitura Séria | 2 Comentários

O livro “O Domínio da Vida: Aborto, Eutanasia e Liberdades Individuais”, de Ronald Dworkin, foi certamente um dos melhores livros “sérios” que eu li na minha vida.

Descobri esse livro meio sem querer, procurando pela palavra “aborto” no Buscapé quando estava buscando alguns livros para a minha monografia, e no fim ele acabou facilitando MUITO o meu trabalho, não apenas porque ele tratava de algumas coisas que eu queria mencionar na monografia, mas principalmente porque ele me ajudou a ver de uma maneira extremamente clara a construção do meu próprio raciocínio acerca do tema.

O livro parte de uma idéia muito interessante, de que os argumentos sobre a relação entre o aborto e direito à vida se dividem em dois:  o primeiro, que ele chama de derivativo, pressupõe que o feto seja uma pessoa desde a concepção, com inter esses próprios e dignos de proteção; o segundo, que ele chama de independente, pressupõe que Continue lendo…

Review: O Dossiê Odessa

Publicado em by Eric Torres | em Review: Literatura | 1 Comentário

Meu nome é Salomon Tauber. Sou judeu e vou morrer. Resolvi terminar minha vida porque esta não tem mais valor algum e nada mais me resta fazer. As coisas que procurei fazer com minha vida deram em nada e meus esforços não surtiram efeito…Só continuei vivo tanto tempo porque havia mais uma coisa que eu queria fazer, uma coisa que eu queria ver e agora sei que nunca acontecerá”

A Segunda Guerra Mundial acabou e a Alemanha capitula na mais amarga das derrotas. Tudo pareceria ter simplesmente acabado se não fosse outra tentativa de perpetuar o erro, agora com uma nova arma: ODESSA.

Odessa é muito mais do que o nome de uma bela cidade litorânea da Ucrânia. Sob suas letras se esconde a organização de ex membros da SS (Organisation der Ehemaligen SS-Angehörigen), responsável por proteger os antigos kameraden dos julgamentos por crimes contra a humanidade e, em último grau, de livrar o mundo de uma ameaça causada pelos judeus. Sim, de novo a mesma história.

Em Dossiê Odessa, Frederick Forsyth constrói um Continue lendo…

Outras Mídias: Enrolados, da Disney

Publicado em by Dani Toste | em Outras Mídias | 12 Comentários

Hoje vou começar um segmento novo no “outras mídias”: As adaptações dos contos de fadas (que embora não sejam originalmente obras de literatura, foram imortalizadas quando passaram para o papel). E para tentar fazer uma coisa não tão “menininha” vou falar da mais recente obra da Disney: “Enrolados”, que pelo que se diz abandonou o nome do conto (Rapunzel) justamente para atrair os mocinhos para o cinema.

OBRA ORIGINAL OBRA DERIVADA
Capa

Título Rapunzel
Enrolados
Autor ou Diretor Irmãos Grimm
Nathan Greno
Byron Howard
Editora ou Estúdio Domínio Público
Walt Disney Pictures
Tipo Livro/Conto Filme/Animação


Vou começar dizendo: embora o filme tenha se baseado no conto, a história foi completamente alterada, da história dos irmãos Grimm ficou mesmo apenas a base “garota cabeluda presa na torre encontra o amor da sua vida” e eu vou contar como, portanto o trecho seguinte contém spoilers (do conto).

Para começar, enquanto na versão da Disney a Rapunzel é uma princesa cuja vida da mãe foi salva por uma flor mágica, no original ela é filha de camponeses, que eram vizinhos de uma feiticeira e quando o campones é pego roubando da horta da vizinha para saciar o desejo da esposa grávida, acaba prometendo entregar a criança para a feiticeira, que fica com ela a coloca no topo de uma torre. Diferente do filme, também, no original os cabelos da Rapunzel não Continue lendo…

Busca Final: uma promessa narrativa

Publicado em by Jagunço | em Diversos, Notícias | 2 Comentários

Contar histórias continua sendo um troço fantástico. Viver um pouco disso, como uma espécie de co-autoria em uma tarde divertida parece ainda mais interessante. Essa é a perspectiva dos RPGs ou Role Playing Games, passatempo onde todo mundo faz parte do processo criativo e conta histórias enquanto joga dados.

O problema dos RPGs de hoje é que parte do lado literário da coisa tem sido pouco explorado. Nos anos 1990 tinhamos linhas inteiras do jogo baseadas em cenários bem construídos e propostas narrativas curiosas. Até o ponto em que esse modelo ficou monotemático nos anos 1990 (tudo girava em torno do lado obscuro do mundo moderno e os fins de mundo a isso relacionados). Foi aí que o modelo ficou chato, melodramático e gerou uma nova geração de produtos na área: os anos 2000 convocaram o lado-jogo do RPG, retomando o lado espada-e-magia que estava em seus primórdios. Caverna do Dragão nunca sai de moda, mesmo. :P

Então, neste fim de 2010 e começo de 2011 tivemos uma boa surpresa no meio: uma pequena editora indie brasileira, a Secular Games, trouxe uma proposta nova e meio mista: um jogo de narrativa baseado em um mundo decadente, transformado pela ausência recente da magia. Os leitores-jogadores são convidados a viver o papel de viajantes em busca da verdade: o que ocorreu com Othora? Por que o mundo sofreu sua Grande Perda? Continue lendo…

Histórias Históricas – Faroeste, Velho Oeste, Western

Publicado em by Renan MacSan | em Histórias Históricas | 4 Comentários

O interesse pela conquista do Oeste norte-americano não pode ser visto de forma alguma como adulação à história desse país, acusação feita inúmeras vezes. Pelo contrário, gostamos das histórias dos cowboys desbravadores assim como dos samurais no Japão ou dos cavaleiros medievais na Europa Ocidental. A disputa mortal entre dois homens para que prevaleça o melhor sempre fez e fará parte da cultura humana.

Como comentou o Gustavo em um post anterior, não é fácil achar boas obras literárias com essa temática no Brasil. Mas algumas delas, não tão conhecidas por aqui, merecem destaque. Começo com Meridiano de Sangue.

Há cerca de dois anos obtive uma lista do jornal britânico The Guardian que listava os 1000 melhores romances já feitos, escolhidos por votação, por um júri de pessoas da área literária. Ao analisá-la descobri que tinha de aumentar o ritmo se quisesse ler pelo menos metade dos indicados. Mas o que mais me impressionou, afora o fato de estarem inclusos três livros brasileiros na lista (Grande Sertão: Veredas; Dom Casmurro; Memórias Póstumas de Brás Cubas), é que Cormac McCarthy aparecia quatro vezes nela. Enquanto autores consagrados como Wilde e Asimov só tinham um livro, ele tinha quatro? Fiquei mais surpreso ainda quando li que só havia escrito dez romances até então. Continue lendo…

Leitura Séria: O caso dos exploradores de cavernas

Publicado em by Dani Toste | em Review: Leitura Séria | 6 Comentários

Vou começar esse post explicando a coluna nova: faz um tempo que eu estava pensando se devia escrever aqui no Grifo Nosso sobre livros que não sejam romances e que, de certa forma, eu leio mais para aprender ou pensar sobre alguma coisa do que para me divertir, até porque muitas vezes os livros “não-romances” que eu leio normalmente tem alguma relação com Direito, que talvez tivessem mais a ver com meu blog jurídico.

Ainda assim, resolvi escrever aqui, e resolvi fazer uma coluna específica para isso (chamada “leitura séria” em contraposição à “leitura divertida” que é o que os romances normalmente significam para mim), porque acho que, apesar das diferenças, livros são livros e esse é um blog sobre livros (ainda que o podcast seja específico para os romances). Então, ainda que essa coluna talvez não represente os interesses particulares de grande parte dos nosso leitores (ou representa?) espero que seja um lugar para sair da rotina e procurar alguma coisa diferente.

E, para começar essa coluna, resolvi falar de um livro que li ontem, em poucas horas, e que fiquei me perguntando porque ainda não tinha sido recomendada por NENHUM professor da faculdade, que é “O Caso dos Exploradores de Cavernas” de Lon L. Fuller (e que eu li na tradução de Plauto Faraco de Azevedo, publicada por Sergio Antonio Fabris Editor, na 10ª reimpressão de 1999).

O livro é super curto, são setenta e poucas páginas num livro de bolso com margens enormes e é, também, super fácil de entender, mesmo para quem não entende nada de direito. Aliás, Continue lendo…

Literatura e liberdade de expressão

Publicado em by Dani Toste | em Diversos | 4 Comentários

Esse é um post curto, porque eu queria dividir com os nossos leitores esse video, que acabei de ver no blog Aprendiz de Escritor, e que daria um ótimo artigo sobre direito de expressão (porque é, afinal, uma das melhores e mais honestas descrições que eu já vi), mas que eu acho muito mais pertinente de colocar aqui.

Philip Pullman responde a uma pergunta sobre o título chocante de seu novo livro The good man Jesus and the scoundrel Christ (O bom homem Jesus e o salafrário Cristo)


Acho que eu quis postar esse video aqui para lembrar a todos que, por mais que nós fiquemos criticando livros aqui e no podcast, e falando mal, ou bem, e amando ou odiando livros, a grande beleza da literatura, e dar artes em geral, é que não importa se você gosta ou não de uma obra (ou se ela é imoral, ou ofensiva, ou sei la o que) outra pessoa pode ler e gostar (ou não), mas o autor tinha o ponto de vista dele e o expressou, e é isso que importa.