Outras Mídias: Percy Jackson e o Ladrão de Raios

Escrito por: | em 14/02/2010 | Adicionar Comentário |

Eu tinha planejado a freqüência dessa coluna para ser mais ou menos mensal, mas resolvi quebrar essa idéia para falar de uma adaptação recente e de um livro que já comentamos em um podcast aqui no Grifo Nosso.

OBRA ORIGINAL OBRA DERIVADA
Capa
Título O Ladrão de Raios Percy Jackson e o Ladrão de raios
Autor ou Diretor Rick Riordan
Craig Titley
Joe Stillman
Produção N/A
Chris Columbus
Michael Barnathan
Karen Rosenfelt
Tipo Livro Filme


Eu sempre digo que ler um livro antes de ver o filme que o adapta geralmente implica em decepção, depois que você conhece a história integral e original é difícil se contentar com qualquer outra. Ainda assim, existem níveis de decepção e eu posso não ter gostado de uma ou duas coisas sobre a adaptação, mas muitas vezes consigo achar o filme bom, independente das alterações em relação à obra original.

Sobre a obra em análise aqui, vou separar a minha opinião em duas partes:

Primeiro: O filme é muito bonito, os efeitos especiais são bons, as cenas têm aquele toque holywoodiano e tudo mais. Nesse quesito devo dizer que o filme é bom.

Segundo: Se você não leu o livro talvez goste da trama, talvez, mas para mim foi uma lição de como destruir uma história muito legal e abaixo eu vou explicar porque (e já aviso que a partir daqui esse post tem spoilers).

1. Os Personagens

Houve uma supressão massiva de personagens. A princípio você pode pensar: “ah, mas no cinema não da para ficar perdendo tempo apresentando um monte de personagens que muitas vezes não tem tanta importância para a trama” e isso é verdade, mas não é o que acontece nesse caso.

Além de vários colegas e “membros” de acampamento, como a Clarisse e Dionisio, que são presença marcada e importante ao longo de toda a série, o filme suprime os dois “vilões” principais da história. Seja o “vilão” da história do ladrão de raios (Ares) ou o “vilão” da trama central de toda a séries (Cronus). Com isso, é claro, acaba virando vilão quem na verdade não era, como Hades (e não vou nem começar a falar de como o mundo inferior foi retratado muito mais como o inferno cristão do que como Érebo).

Além disso, há as alterações nos personagens que efetivamente aparecem, como a Anabeth e o Groover, cuja personalidade e as motivações são bem diferentes das retratadas no livro. Alias, não vou nem falar nos Deuses, retratados como pais preocupados afastados de seus queridos filhos por uma regra do tirano Zeus, o que profana não só a forma como eles são retratados no livro, mas na mitologia em geral, onde já se viu Poseidon pedir perdão pro filho por não estar presente na sua infância? Um Deus do Olimpo, pedindo perdão!

2. A Trama

O impacto de tudo isso que eu falei é claro: a trama embora use uma boa parte das cenas do livro (e suprima uma outra parte também, como o Procrusto, a Equidna, a Quimera, as outras duas Fúrias, A Nereida e o Cérbero), acabando dando uma forma e  justificativa totalmente diferente para as cenas, o que significa, em última análise, mudar toda a história.

É difícil explicar sem resumir toda a história do livro e do filme e apesar de eu estar citando vários spoilers essa não é a intenção, mas imaginem em vez de o Frodo levar o anel para Mordor para destruí-lo e acabar ficando um pouco corrompido, o Frodo fugir de casa, encontrar o anel no caminho, achar bonitinho e pegar para ele e acabar caindo em Mordor sem querer. Quer dizer, isso não é adaptar a história, é reescreve-la, só que para pior.

Tudo isso, é claro, se mistura com o que eu disse lá em cima sobre a motivação dos personagens. Para não ficar enrolando muito vou dar só um exemplo: Se o Groover do livro estava preocupado com questões ambientais e tinha como objetivo de vida obter uma licença de buscador para encontrar Pan e de certa forma “consertar” o mundo, o Groover do filme está mais preocupado em onde vai ser a próxima festa.

# Conclusão:

Se você ainda não leu o livro, assistir o filme antes talvez melhore a sua experiência, mas caso contrário não crie suas expectativas em relação ao livro com base na versão cinematográfica, da para amar um e odiar o outro sem problemas.

Se você já leu o livro e gostou, bom… eu posso ser um pouco chata e super crítica com essas coisas às vezes, mas se você leu o artigo inteiro da para ter uma boa idéia do que esperar, talvez não seja tão decepcionante para alguém menos implicante do que eu.

Fiquei pensando na avaliação, e se ela seria justa ou demasiadamente afetada, mas dentro dos MEUS critérios, acho que a nota mais justa é dois, porque realmente foi decepcionante para mim.

Eu estava esperando um filme com um nível de fidelidade semelhante ao Harry Potter (os personagens, a trama principal, os vilões e os heróis são os mesmos, com temperos diferentes para adaptar a mídia), mas dei de cara com uma coisa totalmente diferente e, na minha opinião, para pior.

OBRA ORIGINAL ADAPTAÇÃO
CAPA
TÍTULO O Ladrão de Raios Percy Jackson e o Ladrão de Raios
CRIADOR Rick Riordan Craig Titley
Joe Stillman
PRODUÇÃO N/A Chris Columbus
Michael Barnathan
Karen Rosenfelt
TIPO Livro Filme



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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.

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