Outras Mídias: Alice do Tim Burton

Escrito por: | em 24/04/2010 | Adicionar Comentário |

Devo admitir que depois de ter antecipado minha coluna de março do outras mídias acabei deixando um espaço muito grande em relação à de abril, que está saindo bem atrasada. Então, teoricamente toda essa questão do tempo acabou resolvendo meu problema de decidir a adaptação a ser comentada.

Eu sei que nessa e nas próximas semanas escrever sobre o recente (aqui no Brasil pelo menos) Alice do Tim Burton vai ser um pouco clichê, e que, de certa forma, todo mundo vai estar de saco cheio dos reviews do filme e das comparações com o livro e blá blá blá. Mas afinal de contas, como uma fã das histórias do Carroll que já arranjou uma série de desculpas para mencionar os livros aqui eu não podia deixar de fazer parte dos inúmeros textos sobre o assunto que já surgiram ou ainda vão surgir aqui na internet.

Então, sem mais enrolações, vamos ao que interessa:

OBRA ORIGINAL OBRA DERIVADA
Capa

Título “Alice no país das Maravilhas”
e “Alice através do espelho”.
Alice no país das Maravilhas
Autor ou Diretor Lewis Carroll
Tim Burton
Editora ou Estúdio N/A
Walt Disney
Tipo Livro Filme


Acho que posso começar falando do filme exatamente a mesma coisa eu disse quando falei da adaptação de Alice do Syfy: não se trata de uma versão dos livros e não há a menor intenção de fazer uma obra fiel ao original. Por isso vou chamar o Alice do Tim Burton de Obra Derivada, e não de adaptação.

Vocês provavelmente vão ler umas críticas por ai dizendo que o filme carece de substância para encher toda a sua beleza, mas, na minha opinião, isso não é bem verdade. Achei que o filme tem uma história, feita para ser outra, que não a original, e que é, em si, completamente suficiente para suprir a proposta dos criadores.

Não achei nada de extraordinário, é verdade, mas não achei ruim. Se tivesse que apontar algo que senti falta, devo dizer que foi o nonsense, e aqui me permito alguns linhas para falar sobre isso:

Imagino que a perda desse elemento no filme tenha ocorrido pela relação que as pessoas fazem entre o nonsense e o infantil. As pessoas pensam de Alice que o nonsense está ligado à história ser feita para crianças, ou que isso reporta à mente infantil, e daí, numa Alice adulta, num filme para adultos, talvez isso pareça não se encaixar. Nisso, no entanto, eu não poderia discordar mais. Nonsense não é sinônimo de infantil, e principalmente o nonsense de Carroll, que em muitos momentos está relacionado a uma lógica pura e a ver as coisas da forma mais simples possível.

Se você lê o livro pensando isso, embora eu não possa nem pretenda dizer a ninguém a maneira adequada de ler e/ou interpretar um livro, você acaba perdendo justamente aquele “que” do Alice que o torna genial, e o transforma num simples livro infantil, difícil de engolir com uma mente adulta.

Mas, voltando ao filme, acho que essa foi a única coisa que me decepcionou: a falta do nonsense lógico, a falta das sacadas típicas do Carroll, as frases perfeitamente construídas que tornam o livro eterno. Ainda assim, nem sei se considero isso um defeito, porque acho que não era, afinal, a intenção do filme.

Diferente das aventuras da Alice criança, a versão do Tim Burton dá a Alice um problema a ser resolvido, uma história linear (uma jornada do herói talvez?), Alice está ali por um motivo, tem um papel importante a desempenhar e precisa seguir um caminho certo para fazer uma coisa certa.

Então, porque, afinal de contas, eu achei legal um filme que acabou sendo tão diferente das obras original que eu absolutamente amo? O motivo é muito simples: as sutilezas do filme fizeram com que ele parecesse, aos meus olhos, não uma adaptação ou uma tentativa de melhorar ou mudar algo que me é tão caro, mas antes, uma homenagem às obras maravilhosas do Carroll.

Eu amei que a Alice tenha mencionado a idéia da rainha de pintar as rosas de vermelho antes de ir para Wonderland, e a história de imaginar 6 coisas impossíveis antes do café da manhã, e que o Chapeleiro estava preso no tempo por causa da questão de “matar o tempo”. Acima de tudo, eu amei que a história tenha sido construída em cima do Jabberwocky, que é um poema maravilhoso e muito querido.

Conclusão: Se você é fã não espere encontrar uma adaptação fiel, mas, quem sabe, ver a obra como um presente de fã para fã, e acho que tem boas chances de você gostar do filme (mas é claro que, se você é fã, já deve ter visto o filme antes de ler isso aqui). Se você não é fã ou nem leu o livro, provavelmente não vai perceber as menções ao livro (que para mim, tira boa parte da graça), mas certamente vai encontrar um filme absolutamente lindo.

Avaliação: Então, depois de pensar bem, resolvi que esse livro merece 4 grifos. Três pelo filme em geral, e um com louvor pelo uso das referencias ao longo da história. Admito que eu esperava que cinco grifos não fossem suficientes para o filme (afinal: Tim Burton + Johnny Depp), mas acho que valeu a pena mesmo assim.



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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.

12 Comentários sobre Outras Mídias: Alice do Tim Burton

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