Criadores de Mundos: Dan Brown

Escrito por: | em 03/09/2010 | Adicionar Comentário |

As fórmulas de sucesso não costumam variar entre diversas opções. Além das clássicas tramas escolares entre adolescentes com algum tipo de poder sobrenatural, posso colocar também na lista uma heresia bem trabalhada. Muito simples, basta contestar algum ponto essencial da religião dominante, colocar um simbologista de Harvard e uma teoria da conspiração e pronto: mais de 80 milhões de livros vendidos e o sorriso contente ai de baixo:

Dan Brown

Dan Brown

No que foi a heresia mais pop da época, Dan Brown ofendeu Jesus, a Igreja e o Grande Arquiteto do Universo, e não teve suas tripas imediatamente dilaceradas. Mas até que foi algo previsível. Em tempos politicamente corretos é difícil empalar ou queimar um infiel (no ocidente, claro), sendo bem mais fácil xingar muito no twitter.

O grande sucesso de Dan Brown foi sem dúvida O Código Da Vinci, lançado em 2003 e adaptado para o cinema em 2005/2006. Embora de menor expressão, também lançou Ponto de Impacto, Fortaleza Digital, Anjos e Demônios e O Símbolo Perdido.

Toda a estória de Dan Brown é baseada no suspense. Por meio de teias de tramas conspiratórias suas narrativas são construídas, o que até aqui posso dizer que chega a ser bom, se não pecasse em alguns pequenos detalhes. Por exemplo, parece bem interessante escrever sobre uma sociedade secreta qualquer que esconde algum conhecimento que pode mudar o mundo. Somam-se alguns personagens igualmente razoáveis e temos um livro. Agora, pra que terminar com uma revelação de novela da Televisa, do tipo Carlos Daniel, preciso te contar antes de morrer, você é meu filho bastardo?

Acho que os clichês são o grande problema em Dan Brown. Por outro lado eu reitero, as estórias dele são cativantes de se ler, a narrativa flui bem e a leitura é agradável. Todo o aspecto histórico por traz dos livros é bem interessante, apesar das imprecisões que as vezes ocorrem. Faz parte da criação razoável o trabalho com fatos alternativos, desde que não sejam tão absurdos a ponto de comprometer a qualidade final do livro.

O Codigo da Vinci tem a estória que eu acho mais sólida e bem trabalhada. É nela que se questiona a divindade/imortalidade de Jesus Cristo e Robert Langdon, o simbologista de Harvard, ganha prestígio. Dan Brown sempre gostou de assuntos referentes à religião, por isso desejava reacender a discussão sobre a fé. E que tática melhor do que começar pelo aspecto mais fundamental do Cristianismo? Tá certo que não foi um impulso para ganhar mais fiéis e a apatia da religião não mudou muito…

No geral, os livros de Dan Brown estão longe das melhores obras, mas ainda assim é uma leitura boazinha. Recomendado para todos os meninos bonitos com medo de padres, sem dúvida.



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