Review: O Afegão

Escrito por: | em 04/03/2011 | Adicionar Comentário |

Frederick Forsyth é reconhecido hoje como um dos maiores escritores de espionagem internacional, e não é exatamente sem motivo.  O Afegão é mais uma obra que retoma a boa dose de intriga entre agências de inteligência e organizações terroristas do mundo árabe, de uma maneira bem similar ao Dossiê Odessa.

Com uma fórmula simples baseada na infiltração de um espião dentro do grupo inimigo, O Afegão parece pouco criativo para quem já conhece outras obras do autor. No entanto, apesar da fórmula poder ser resumida em poucas palavras, todo o contexto que se sobrepõe a base é muito melhor desenvolvido do que o protagonizado por Peter Miller na Odessa.

Quando os serviços secretos dos Estados Unidos e da Inglaterra descobrem que há um ataque terrorista sendo planejado pela Al-Qaeda, o qual parece ter proporções muito maiores do que os atentados já vistos, os meios de ação fogem do tradicional. Não adianta usar um Predator para bombardear alvos isolados, já que a operação pode continuar ainda que alguns elementos tenham encontrado as 72 virgens.

A solução aparente seria infiltrar um espião na Al-Qaeda, e com isso interceptar o ataque antes que ele atinja qualquer ato significante. Mas somam-se os problemas, porque é necessário alguém que tenha um árabe fluente, se pareça com um terrorista, conheça perfeitamente o islamismo e, mais importante, tenha algum histórico familiar que comprove a origem muçulmana.

As primeiras características o Coronel Martin preenche com perfeição, pois ele cresceu no Iraque pré-Saddam e teve oportunidade de aprender a língua e parte dos costumes locais. Já o histórico pode ser conseguido por meio de Izmat Khan, um afegão membro do Talibã que estava confinado em Guantánamo há alguns anos.

A família de Izmat fora morta pelos americanos em um ataque equivocado, de maneira que ele tinha bons motivos para nutrir um ódio mortífero. Assim, ele seria um candidato perfeito para o destacamento suicida da Al-Qaeda, bastando apenas que houvesse uma oportuindade para sair da prisão.

A oportunidade surge com a manobra feita pelas agências de inteligência americanas e inglesas, fingindo uma “devolução” do prisioneiro para o governo do Afeganistão. Mas Izmat ficará muito bem escondido e o afegão repatriado é o Coronel Martin, agora com um outro nome.

O livro é bem cuidadoso na exposição da história do Afeganistão durante a invasão soviética, bem como na ascenção do grupo religioso/político mais fundamentalista conhecido como talibã. A exposição desses fatos é necessária para descrever o Coronel Martin, que participou do conflito e conheceu pessoalmente o jovem Izmat.

Aqui eu reitero, a narrativa pode parecer meio maçante para quem conhece O Dossiê Odessa, pois novamente é centralizada em alguém que se infiltra em uma organização qualquer para obter informações. Fica a impressão que apenas os nomes foram alterados, com um desenvolvimento pouco criativo as vezes. Algo similar ao trazido por Dan Brown em Fortaleza Digital e Ponto de Impacto.

No entanto, o protagonista mais cativante e a narrativa mais detalhada compensam um pouco este aspecto. As 400 páginas do livro são bem distribuídas e a medida que o ataque da Al-Qaeda vai ganhando forma o suspense proposto pelo autor é atingido com sucesso.

Definitivamente O Afegão não é o melhor livro de Frederick Forsyth, mas ainda assim tem pontos positivos que compensam bastante a leitura.



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