Alice No País das Maravilhas: Cosac Naify, Edição Especial

Escrito por: | em 31/12/2009 | Adicionar Comentário |

Esse é um post super especial para falar para vocês sobre a Edição Especial do livro “Alice no país das Maravilhas” lançada recentemente pela editora Cosacnaify.

Dados da Edição:

Título: Alice no País das Maravilhas: Lewis Carroll
Tradução: Nicolau Sevcenko
Ilustrações: Luiz Zerbini
Edição: São Paulo: Cosac Naify, 2009
ISBN: 978-85-7503-877-2
Tiragem: 3.000 exemplares.

Capa e Caixa do Livro

Capa e Caixa do Livro "Alice no país das maravilhas – Edição Especial"

Descrição:

O livro se propõe a ser uma edição especial, ilustrada, para fãs e colecionadores, com uma tiragem limitada e acabamento caprichado e nisso certamente cumpre o que promete.

Inicialmente achei que o livro ia ter um tamanho maior que o a média dos livros (as editoras se recusam a ter um tamanho padrão, mas considero a média aqueles livros retangulares que podem ser confortavelmente segurados) mas não. O livro tem aproximadamente 23x17cm e não causa muitos problemas para caber na prateleira.

A caixa que, segundo a editora cria uma “metalinguagem com a história”, pode até ser, mas eu acho que livros não foram feitos para ficar nesse tipo de caixa, completamente fechada e com o feiche no topo, para mim o formato ideal de caixas para livros é com abertura na lateral, para ficar fácil de pegar na estante. Mas a caixa é bonita, embora não agregue muito valor ao livro, na minha opinião, eu abriria mão dela facilmente se tirasse um pouquinho do preço.

Laterais da caixa e livro Alice no país das maravilhas - edição especial

Laterais da caixa e livro "Alice no país das maravilhas – Edição Especial"

As ilustrações, apesar de não serem as originais do Tenniel, são encantadoras e bem diferentes do que se costuma encontrar por ai. Na verdade, são fotos de um trabalho bem mais complexo de cartas de baralho desenhadas, recortadas e montadas, tudo bem colorido, o que dá um efeito realmente belo à edição. Devo dizer que esse é o aspecto mais “especial” da edição que faz valer a pena para os fãs, que já possuem outras edições da história, comprar mais um exemplar.

Indice do livro "Alice no país das maravilhas -  Edição Especial"

Índice do livro "Alice no país das maravilhas – Edição Especial"

O índice acompanha a “metalinguagem” do livro, exibindo os capítulos como cartas de baralho, cujo número informa a página em que aquele capítulo se inicia. Achei isso bem legal, mas acho que o efeito seria ainda melhor se a “capa” do capítulo fosse a mesma carta do indice, do tamanho da página cheia e sempre numa página impar. Isso não ocorre, o ínicio dos capítulos é sempre igual, com o mesmo padrão do desenho da caixa do livro e o nome do capítulo, na sequencia das págias, seja par ou impar.

Interior do Livro "Alice no país das maravilhas - Edição Especial"

Interior do Livro "Alice no país das maravilhas – Edição Especial"

Outra coisa diferenciada nesse livro é a qualidade do papel (de todas as páginas, não apenas as ilustradas). O papel se chama “GardaPat Kiara” o que não quis dizer absolutamente nada quando eu li a descrição do livro na internet, mas para os que, como eu, não sabem nada sobre papel, vale a pena explicar que se trata de um papel mais grosso (que faz um livro de 166 páginas ter quase 2cm de largura quando o meu “O Aprendiz” com 222 páginas tem menos de 1,5cm). O papel é branco, o que normalmente torna a leitura mais cansativa do que livros de páginas creme, mas parece que o papel não reflete tanto a luz e isso deve amenizar um pouco. Minha única critica nesse sentido é que acabamento seria perfeito se o livro tivesse capa dura, mas não tem.

editado> O @JonnyKen lembrou de destacar que o livro é no formato de carta de baralho, com as bordas da direita arredondadas.

Formatação das páginas do livro "Alice no país das maravilhas - Edição Especial"

Interior do livro "Alice no país das maravilhas – Edição Especial"

O tamanho e cor da fonte do interior do livro foram muito bem escolhidos e o livro é bem confortável de ler. O único problema é que devido à espessura das páginas é bem difícil abrir o livro em 180graus quando você chega próximo do meio. Mas o espaçamento do texto em relação ao centro foi bem projetado e dá para ler o livro aberto em 90graus sem problemas (e se você é cuidadoso com seus livros sabe que isso é sempre uma boa pedida). Ah, eu já mencionei que as iluestrações aparecem praticamente a cada duas ou tres páginas e algumas vezes em página dupla?

Ilustrações do livro "Alice no país das maravilhas - Edição Especial"

Ilustrações do livro "Alice no país das maravilhas – Edição Especial"

Tradução:

Da tradução, olhando nas primeiras páginas e comparando com as duas outras edições que eu tenho (uma original em inglês e a outra da Maria Luísa Borges), percebi que não houve uma preocupação excepcional em manter a a fidelidade ao original. Não acho que isso seja necessariamente um ponto negativo, mas é preciso ler a obra com cuidado para ver se isso prejudica a história (o que eu ainda não fiz).

Confesso que torci o nariz quando vi que o “Cheshire Cat” foi traduzido como “Gato Inglês” e o Croquet da rainha ficou sendo “toque-emboque”. Mas de certo modo acho que é um pouco de preconceito, porque gosto e me acostumei com o original. Ainda não estou certa se isso é bom ou ruim.

Comparando: Para que vocês tenham uma idéia vou colocar um trecho do começo de cada uma das edições que eu tenho. Convido também os leitores que tenham outras edições a deixar nos comentários a tradução do mesmo trecho.

“Alice was beginning to get very tired of sitting by her sister on the bank, and of having nothing to do; once or twice she had peeped into the book her sister was reading, but it had no pictures or conversations in it, ‘and what is the use of a book’ thought Alice, “without pictures or conversations?’. So she was considering in her own mind (as well as she could, for the hot day made her feel very sleepy and stupid), whether the pleasure os making a saidy-chain would be worth the trouble of getting up and picking the saidies, when suddenly a White Rabbit with pink eyes ran close by her. There was nothing very remarkable in that, nor did Alice think it do very much out the wat to hear the Rabbit say to itself, ‘Oh dear! Oh dear! I shall be too late’ (When she thought it over afterwards, it occurred to her that she ought to have wondered at this, but at the time it all seemed quite natural); but when the (…)”

(The Complete Illustrated Works of Lewis Carroll. London: Bounty Books, 2004)

“Alice estava começando a ficar muito cansada de estar sentada ao lado da irmã na ribanceira, e de não ter nada que fazer; espiara uma ou duas vezes o livro que estava lendo, mas não tinha figuras nem diálogos, ‘e de que serve um livro’, pensou Alice, ‘sem figuras nem diálogos?’. Assi, refletia com seus botões (tanto quanto podia, porque o calor a fazia se sentir sonolenta e burra) se o prazer de fazer uma guirlanda de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as flores, quando de repente um Coelho Branco de olhos cor-de-rosa passou correndo por ela. Não havia nada de tão extraordinário nisso; nem Alice achou tão esquisito ouvir o Coelho dizer consigo mesmo: ‘Ai,ai! Ai,ai! Vou chegar atrasado demais’ (quando pensou sobre isso mais tarde, ocorreu-lhe que deveria ter ficado espantada, mas na hora tudo pareceu muito natural); mas quando viu (…)”

(Alice: edição comentada. Tradução: Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002)

“Alice estava começando a se aborrecer de ficar sentada ao lado de sua irmã num recosto do jardim, sem nada para fazer. dava uma ou outra olhada no livro que a irmã lia, mas implicava: – De que serve um livro sem figuras nem diálogos? – Cheia de preguiça, por causa do calor do dia, ela se perguntava se o prazer de fazer um colar de margaridas valeria o esforço de se levantar e colher as flores, quando de repente um Coelho Branco de olhos cor-de-rosa passou correndo junto da janela. Não havia nada de muito estranho naquilo. Nem Alice achou assim tão esquisito quando ouviu o Coelho dizer para si mesmo: – Oh, meu Deus! Eu vou chegar muito atrasado. Mas quando ele (…)”

(Alice no país das maravilhas: Lewis Carroll. Tradução: Nicolau Sevcenko. São Paulo: Cosac naify, 2009)

Avaliação:

Basicamente acho que é isso que pode ser dito da edição, e as imagens provavelmente dizem muito mais do que eu. Avaliando apenas materialmente (sem analizar a tradução, porque ainda não decidi se as diferenças são ponto contra ou a favor), diria que a edição merece 4 grifos, mereceria 5 se a capa fosse dura e a caixa abrisse na lateral.

Mereceria 5 com estrelinhas se tivessem conseguido encaixar as ilustrações coloridas do Tenniel junto com a belíssima arte do Luiz Zerbini, isso definitivamente tornaria o livro insuperável.

4 grifos

Conclusão: Se você é muito fã de “Alice no país das maravilhas” e gosta de arte e de livros ilustrados definitivamente esse livro é para você.

Mas faço uma observação, se você ainda não tem o “Alice: edição comentada” do Jorge Zahar e tiver que escolher entre as duas edições pense bem: O que essa edição especial tem em beleza a edição comentada certamente supre com muito conteúdo (sem deixar de ser, também, um livro muito bonito). É claro que a edição comentada também é mais cara, mas eu não a trocaria por nenhuma outra na qual coloquei as mãos até agora.

Clique aqui para acessar a página com a descrição do livro feita pela editora.

Clique aqui para ouvir o podcast no qual comentamos e avaliamos o livro “Alice no país das Maravilhas”.

OBS: Está provavelmente não será uma coluna fixa porque existem poucas edições de livros diferentes o bastante para valer uma review (e os livros nós avaliamos nos podcasts), mas os leitores estão convidados a enviarem suas próprias reviews ou sugestões para contato [arroba] grifonosso.com.



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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.