Confusão no maior prêmio literário do Brasil

Escrito por: | em 19/11/2010 | Adicionar Comentário |

Milhares de pessoas entraram essas últimas semanas na onda do “Chico, devolve o Jabuti”. E o mundo do livro anda agitado…

Para quem não sabe, o Prêmio Jabuti – maior premiação nacional do campo literário, criada em 1957 e adminstrada pela Câmara Brasileira do Livro – está no meio de uma polêmica (ou “barraco” ou, como  se diz na minha terra, “a **taria tá comendo de esmola”…).

O negócio é simples: como de outras vezes, o prêmio da categoria “Livro do Ano” foi para uma obra que não tirou o primeiro lugar em sua própria categoria (“Leite Derramado” do famoso/infame Chico Buarque, que ficou em segundo lugar como “Melhor romance”).  Furioso, o grupo editorial Record decidiu abandonar as edições do prêmio, declarando sua revolta em carta aberta. Em seguida, apareceu a ideia de criar uma petição on line (cujo título está lá na primeira frase deste post). Já são mais de 5900 assinaturas e contando…

A alegação do grupo Record faz pensar: o Jabuti estaria premiando não pela qualidade do material mas sim pela relevância midiática do autor, além de desconsiderar a opinião dos jurados (especialistas) da primeira fase (a fase “O Livro do Ano” é composta também por votos de empresários do setor e isso muda o peso das votações a favor dos últimos)?

E você, o que acha? O Chico tem que devolver o primo da tartaruga ou ele pode seguir cantando… vitória?

Abraços e peixeiras.



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Jagunço

Sociólogo, professor, blogueiro ocasional e amante de cinema pipoca. Acredita piamente que literatura é um troço extraordinário, uma das maiores formas de experiência humana, especialmente se você topa aprender algo com ela. Gosta de bom humor, enredos absurdos e de rir das marmotas da vida.

9 Comentários sobre Confusão no maior prêmio literário do Brasil

  1. Aléxis González

    O Chico deveria apenas compor suas canções… seus livros são paulificantes e ruins de dar dó!

  2. Jagunço

    Não vou nem comentar o que penso das canções… corro o risco de apanhar aqui. XD

  3. Renan MacSan

    É inegável a importância que o Chico tem para a história da cultura brasileira, principalmente musical. Eu mesmo sou um fã pois ouvia desde criança as músicas dele através de minha mãe.
    Li dois livros dele e concordo que estão abaixo da média, não tem sentido ele estar lá, nem concorrendo. Essa é a hora do Jabuti reconhecer que seu modelo é errôneo e se reformar para não perder a relevância no meio literário.

  4. Nilda

    Eu nem culpo o Chico por este imbróglio todo, pq quem faz mesmo toda a pressão para que um livro e/ou autor seja indicado é a editora. E a editora do Chico com certeza o indicou por ser um nome conhecido e por isso, com mais chances.

    O problema mesmo é a forma como são escolhidos os candidatos e os vencedores. Ao que parece, é uma escolha viciada, em que autores desconhecidos da “panelinha” ou com pouca força junto às editoras não tem a mínima chance…

    • Dani Toste

      Se vou ser sincera com vocês, eu não acredito muito nesse negócio de premio.

      Tudo bem que significa um reconhecimento para alguém que fez um bom trabalho, e isso é legal, mas ao mesmo tempo não acho que signifique muito sobre a obra em sí. Quer dizer, será que alguém realmente pode ter a autoridade para dizer que alguma coisa (qualquer coisa) é boa ou ruim? Não acho que nenhum juízo de valor seja absolutamente verdadeiro ou certo, é um ponto de vista.

      Eu sempre falei isso em relação à musica. Não gosto de opiniões de pessoas “eruditas” que acham que possuem a medida exata para distinguir o bom do ruim. Para mim o critério é simples: se eu gosto, então é bom (para mim) se eu não gosto então é ruim (para mim), e quem é que tem autoridade para julgar o meu gosto? Enfim, já devem ter percebido aqui no Grifo que pouco me importa se um livro é o clássico dos clássicos que revolucionou o mundo da literatura: se eu gosto avalio bem, senão, paciencia.

      Então, sei lá, o Chico ganhou o prêmio, parabéns para ele, não sei se o livro é bom ou ruim, mas nem acho que faça tanta diferença, fica triste quem não ganhou, ou quem tem critérios diferentes dos que foram utilizados, sei lá. Até entendo a questão da credibilidade do prêmio embora, honestamente, eu sei lá se qualquer prêmio merece muita credibilidade.

  5. Melissa

    Eu acho que tá na cara que o Chico só foi indicado por ser um nome famoso e consequentemente ter mais chances de ganhar. Essa coisa de indicação por editora nunca poderia dar certo, né? Sempre rola a questão da grana antes de qualquer coisa.

    • Meireles

      Concordo plenamente contigo, Melissa!
      Sempre rola grana antes de qualquer coisa.

  6. Jagunço

    Esse é um velho ponto que discordo da Dani. No meu entendimento “gosto” pode até ser uma questão fortemente pessoal, mas “qualidade literária” não. Não porque não se trata de uma questão de “livro bom”, “livro ruim”. É uma questão de uma obra ser ou não representativa para uma sociedade, uma comunidade, uma cultura e, dessa forma, servir de contribuição e de marco cultural para a mesma.
    Então eu entendo que prêmios, especialmente os mais conceituados, são importantes. Porque eles influenciam leitores, editoras, mercados, públicos e, querendo ou não… gostos.

    Abraços.

    • Dani Toste

      Então…

      Eu penso, penso, penso, mas simplesmente não consigo aceitar essa idéia de “qualidade literária”. Quer dizer, em algum momento, tem alguma pessoa (ou grupo), por algum motivo, escolhendo o que é bom ou não e ninguém me tira da cabeça que não dá para fazer isso de uma maneira fria e calculista e com um critério e técnica incontestáveis o que significa que no fim do das contas essa pessoa (ou grupo) acaba decidindo a partir de seus gostos o que as outras pessoas devem achar.

      Afinal de contas, tudo bem, algumas obras são representativas, mas todas são? as que não são, são ruins? todas as que são, são boas? não acho que dá para pensar assim. Até porque, as vezes demora um tempão para alguém se tocar que a obra “X”, despretenciosa ao seu tempo, tinha grande carga de representatividade e, não por isso essa obra era ruim ou passou a ser boa: ou é boa, ou não é…

      Dai, o fato de os prêmios influenciarem é só mais um motivo para eu não gostar deles porque, afinal de contas, é uma pessoa (ou grupo) decidindo o que é bom para as outras.

      É claro que nada disso teria problema se a pessoa decidindo fosse eu. Mhuahuahuahuahua. Brincadeira.

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