Review: A Fúria dos Reis – As Crônicas de Gelo e Fogo II

Escrito por: | em 09/04/2011 | Adicionar Comentário |

“A noite chega, e agora começa a minha vigia. Não terminará até a minha morte. Não tomarei esposa, não possuirei terras, não gerarei filhos. Não usarei coroas e não conquistarei glórias. Viverei e morrerei no meu posto. Sou a espada na escuridão. Sou o vigilante nas muralhas. Sou o fogo que arde contra o frio, a luz que traz consigo a alvorada, a trombeta que acorda os que dormem, o escudo que defende os reinos dos homens. Dou a minha vida e a minha honra à Patrulha da Noite, por esta noite e por todas as noites que estão para vir.”

Com diferença de apenas poucos meses entre os dois volumes, a editora Leya lança A Fúria dos Reis – As Crônicas de Gelo e Fogo – Livro Dois.

Seguindo os eventos passados, a Guerra dos Cinco Reis continua e se intensifica. Após a morte do rei Robert há agora cinco autoproclamados reis declarando posse sobre territórios específicos. Acompanhamos a história deles através dos olhos dos mesmos personagens apresentados anteriormente e com o acréscimo da visão de mais duas pessoas, Theon Greyjoy e Davos Seaworth.

O rei Robb Stark tenta manter as vitórias sobre os Lannisters, mas não pode deixar de olhar o Norte; O rei Joffrey Lannister/Baratheon mantém suas condutas pouco populares e se assegura na regência da mãe e de uma nova Mão do Rei; O rei Stannis Baratheon, herdeiro legítimo do falecido rei Robert, tem de lutar contra sua falta de maleabilidade e conquistar o que acha que é seu de direito, mesmo que para isso tenha que abraçar uma nova e misteriosa religião; O rei Renly Baratheon, irmão mais novo de Stannis, conta com seu carisma para reunir a maior quantidade de homens e os colocar em marcha; E nas Ilhas de Ferro um antigo rei voltará a sê-lo antes do fim, o inflexível rei Balon Greyjoy.

Em A Fúria dos Reis, George R. R. Martin continua de onde parou em A Guerra dos Tronos, fazendo uma obra que nada perde para a primeira, pelo contrário, acredito que o mundo fica cada vez mais rico com o passar das páginas e o desenvolvimento de personagens velhos e novos. Seu estilo de escrita está praticamente inalterado, se você gostou do primeiro certamente gostará deste, não há mistério… quero dizer… sim há bastante mistério assim como no primeiro, mas muitas coisas vão se resolvendo. Passa-se a impressão que os dois livros foram escritos como um único volume.

Pontos positivos: São muitos, mas primeiramente tenho que destacar a inclusão dos pontos de vista de Davos e Theon. Davos é um personagem excepcional, é leal e humilde contrastando com outros nobres. Tem um passado bastante peculiar e talvez seja um dos mais cativantes do livro. É através dele que conhecemos a corte de Stannis; Theon é o ponto de partida para a corte dos Greyjoy, tem diversos conflitos com que lidar e um núcleo de personagens diversos com personalidades distintas.

A Patrulha da Noite é mais bem desenvolvida, conhecemos guerreiros famosos e um pouco mais de sua tradição. Quando Sam visita a biblioteca, largada às moscas, que contém mapas e livros antiqüíssimos e relatos de viagem de outras eras, ficamos com vontade de saber mais sobre eles e os ancestrais dos homens que conhecemos.

Há inclusive a sugestão de homossexualismo em um dos grandes personagens colocada de forma não tão óbvia desde o primeiro livro mas que já fez com que suspeitasse no primeiro capítulo deste segundo volume, e que o próprio Martin confirmou. Pequenas dicas sempre aparecem.

Cersei: Habilidade de causar raiva +100

Pontos Negativos: Excluindo-se os já discutidos no primeiro post, são poucos. Por exemplo, a baixa idade dos personagens infantis. O próprio Martin se pronunciou a respeito disso dizendo se arrepender de tê-los colocado tão novos. Realmente é difícil ver uma criança de 8 anos como Arya matando ou amputando alguns homens em um determinado ponto ou tendo pensamentos tão complexos. Inclusive a HBO teve que escalar atores mais velhos para os papéis para dar uma maior veracidade à série.

Além disso há a tradução, e isso é uma coisa pessoal (não me matem!), pois acredito que qualquer nome próprio em inglês ou espanhol não devam ser traduzidos, salvo em livros infantis. Acho que por exemplo King’s Landing = Porto Real ou Riverrun = Correrio, não transmitem por completo o sentido e sonoridade da palavra.

Veredicto: A Fúria dos Reis é uma continuação com C maiúsculo. A humanidade dos personagens foi preservada com toda a aquarela de sentimentos e atitudes que isso acarreta. O autor não nos poupa das violências físicas e sexuais que muitos livros escondem e a magia entra definitivamente na história aparecendo em diversas situações. Desta vez a adaptação da tradução portuguesa está muito superior à do primeiro volume.

Objetivo: Conquistar 24 territórios à sua escolha

Aguardo “A Tormenta de Espadas” e espero que a editora também publique sem demora. É o maior volume até agora. Outra boa notícia é que Martin anunciou no seu site uma data para o lançamento do quinto livro, A Dance With Dragons, o dia é 12 de Julho de 2011. Vale lembrar que já está há 6 anos trabalhando nele.

P.S.: Não há spoilers além dos apresentados na contra-capa ou prólogo. As outras informações não alteram a leitura ou são meras constatações.

P.P.S.: Quem já jogou Dragon Age percebeu a semelhança entre os Grey Wardens e a Patrulha da Noite?



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Renan MacSan

Estudante de Medicina, leitor de longa data, jogador de games e amante de HQs. Tem como livro favorito O Nome da Rosa e sonha em terminar de escrever o seu. Leitura atual: Dança dos Dragões ; e Londres - O Romance.

7 Comentários sobre Review: A Fúria dos Reis – As Crônicas de Gelo e Fogo II

  1. Gustavo Domingues

    Ótima review Renan, parabéns cara.

    Quanto às traduções: também tenho minhas reclamações, mas percebo que é um fator extremamente individual, pois gosto da tradução de King’s Landing e odeio a de Riverun.

    Quanto ao Dragon Age… já vi tantas similaridades no jogo tiradas do das Crônicas que nem consigo mais enumerar. É a sina dos bons livros: serem eternamente plagiados.

  2. Thaís Priolli

    Otima review Renan, ainda estou na metade do primeiro livro e estou gostando muito, se o Dragon Age tem tantas similaridades com o livro, então deve ser ótimo jogo.

  3. Jagunço

    Só comecei o Fúria dos Reis. A série tem o mérito incalculável de reinventar algumas coisas do gênero fantasia. Porreta esse Martin.

  4. Guto Vissoci

    Terminei de ler e estou louco para continuar a saga com o próximo livro. e tomara que o Sr. martin se inspire com a nova série e não demore tanto em escrever os livros finais da saga. esperar mais seis anos entre os livros vai ser de doer o coração!

    Concordo com a má tradução dos nomes. Dentre eles, os que mais me espantam são o de Jardim de Cima (sério? o original é Highgarden! Jardim Alto seria bem menos estranho) e Atalaia da Água Cinzenta (do original Grey Water Watch – simplesmente não há justificativa para traduzir Watch por Atalaia – o mesmo vale para a atalaia que tem no leste da muralha)

    • Daniel

      Errado. Atalaia está em nossos dicionários, e com um sentido perfeitamente compatível.

  5. Renan MacSan

    @Thaís Fiquei sabendo que virou seu livro favorito né? Muito legal. Deve estar ansiosa pra ler os próximos.

    @Guto Nossa, Atalaia é uma tradução que me irrita, nem é um nome usado hoje em dia no Brasil. O Martin teve um trabalho gigante para dar nomes fortes e sonoros aos lugares, TODOS eles, foram bem pensados.
    Aí mudar assim é complicado, acho que como a educação em inglês e espanhol é obrigatória no Brasil os nomes próprios devem ser preservados. O espanhol não tem muito tempo, mas é muito parecido com o português e dá pra entender.

    Pegando seu exemplo: Grey Water Watch ele fez uma aliteração com o Wat pra ficar sonoro ; Harrenhal tem 3 sons de R dando um nome forte a um dos maiores fortes (esse não foi traduzido, ainda bem) ; Riverrun é o castelo de uma das maiores casas de nobres, e também usa aliteração pra criar força, mas transformar em Correrio… eu nunca respeitaria um nobre que tivesse como castelo um lugar chamado Correrio (que parece correria).

    Outro exemplo é Ponta Tempestade (Storm’s End), é uma tradução que achei boa e também ficou forte, mas pra fazer isso tirou o sentido da palavra, pois ao conhecermos a história do lugar vemos que significa Fim da Tempestade.

  6. Rodrigo

    Atalaia significa justamente “Guarda; ponto alto de onde se vigia; vigia” que é uma tradução muito adequada de “watch” neste caso. Não vi problemas na escolha deste nome.

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