Violentina: um jogo de contar histórias marginal

Escrito por: | em 27/07/2011 | Adicionar Comentário |

Para quem acompanha como eu o mundo dos Role Playing Games nacionais, não deve ser novidade a existência de um grupo de pequenas e novas editoras que vem tentando produzir jogos e livros de forma independente. A Secular Games (da qual já falei um pouco) sempre me chama atenção pela capacidade de trazer novidades.

Você já imaginou contar histórias ao estilo Pulp Fiction, Kill Bill, A balada do pistoleiro ou o sagrado Bastardos e Inglórios? Violentina é um projeto da editora mineira baseado nessa premissa. Como em um RPG de mesa tradicional, os personagens desempenham papéis e fazem a história tomar rumos impensados. Mas ao contrário dos jogos mais famosos (como Dungeons & Dragons ou seu retroclone (amado pela Dani Toste), o Pathfinder RPG, em Violentina os jogadores tem maior liberdade de decisão narrativa. Além disso, o jogo usa cartas de baralho e fichas de poker ao invés de dados, aumentando o clima mafioso de sua proposta.

Mas a maior novidade é a forma como a editora está tentando publicá-lo: através do financiamento aberto por parte de fãs e curiosos ou, na linguagem estranha do mundo dos negócios, por meio de um crowdfunding.

Fiquei curioso com a ideia, ainda que nem de todo positivamente. Estou ansioso para testar esse jogo e torço muito pelo sucesso do mesmo, mas, como alguns de vocês, não conheço outras experiências do tipo e fico me perguntando quanto tempo um processo desse pode levar. De qualquer forma, a transparência tem sido uma das marcas desta jovem empresa, então, vou pagar (literalmente!) pra ver.

Segue abaixo as informações completas sobre o crowdfunding. E não, não estou ganhando dinheiro nem promessas sexuais por este post. Só acho que novas ideias merecem, no mínimo, divulgação.

A Secular Games anunciou durante a RPGCon 2011, realizada nos dias 9 e 10 de Julho, que seu próximo lançamento, o jogo Violentina de Eduardo Caetano, seria feito através do modelo de financiamento coletivo. Alguns dias se passaram enquanto fazíamos os últimos ajustes, e agora, com tudo pronto, é hora de darmos a largada nesta experiência!

Esperamos que o Violentina seja o primeiro jogo de RPG nacional lançado através de uma campanha de financiamento coletivo (e precisaremos de seu apoio para isso!). Mas o que é oViolentina, e que diabos é financiamento coletivo?

Violentina é um jogo sobre Violência, Vícios, Volúpia e Vingança desenfreados, onde os jogadores interpretam trapaceiros, mafiosos, femme fatales e autoridades corruptas em uma espécie de Colaboração Competitiva. Profundamente inspirado na estética e na narrativa dos filmes de Quentin Tarantino Guy RitchieVioletina utiliza um sistema baseado em cartas e fichas de poker afim de distribuir de forma equilibrada o controle narrativo entre os jogadores, transformando aspectos e características específicas deste tipo de filme em mecânicas de jogo. De acordo com esta proposta, Violentina é um Jogo de Contar Histórias sem mestre, sem preparo, sem ordem cronológica, baseado em enquadramentos de cena e na criatividade de todos os participantes.

Violentina vem sendo desenvolvido por Eduardo Caetano de maneira aberta – e a versão mais atual do jogo pode ser baixada de graça – recebendo críticas e sugestões da comunidade, essenciais para o desenvolvimento do jogo. O lançamento através do financiamento coletivo é só mais um passo em seu processo de criação colaborativa e aberta!

E o que significa financiamento coletivo? Financiamento coletivo (ou crowdfunding) é o método de bancar um projeto através da contribuição antecipada daqueles interessados na iniciativa. Se o valor estipulado para a execução do projeto for alcançado, a parada acontece e todos os colaboradores recebem recompensas previamente combinadas de acordo com o seu nível de suporte. Se o valor não for alcançado, o projeto volta para a gaveta e nenhum colaborador é cobrado. Como um amigo nosso definiu muito bem, ao participar de uma iniciativa de financiamento coletivo, você se torna uma espécie de micro-sócio no projeto, contribuindo para sua execução, mas também recebendo coisas legais em troca caso ele realmente saia do papel (ou do site!) e se realize.

Bang!

A cada dia o financiamento coletivo se torna uma estratégia mais comum e eficiente para bancar projetos interessantes. Recentemente A Banda Mais Bonita da Cidadeconseguiu bancar a gravação de seu primeiro disco através do financiamento coletivo, e fora do Brasil vários jogos independentes tiveram campanhas decrowdfunding muito bem sucedidas, tais como o Do: Pilgrims of the Flying Temple, Technoir e Startup Fever só para citar alguns.

Queremos não só que o Violentina seja o primeiro jogo de RPG nacional lançado através do modelo de financiamento coletivo, mas também testar o formato e sua viabilidade do mercado nacional de jogos, abrindo portas para outras iniciativas independentes!

A campanha de financiamento coletivo do Violentina será feita no site Movere.me, e terá início no dia 01/08, próxima segunda-feira. A campanha terá a duração de 30 dias e tem como objetivo arrecadar R$1750,00 para a produção da tiragem inicial de 100 cópias do livro. Dentre as possibilidades de recompensa se encontram:

  • O download da versão final de em Violentina PDF.
  • A cópia impressa do livro autografado.
  • Par de baralhos exclusivos para o jogo.
  • Livreto impresso com 3 novas Tramas
  • Uma maleta super com uma versão do livro encadernada à mão e com todas as outras recompensas disponíveis e mais alguns itens exclusivos.

A contagem regressiva para o início da primeira campanha de financiamento coletivo para um RPG nacional começou! Se você quer ver esta iniciativa dar certo já pode contribuir antes mesmo do dia 1º de Agosto, divulgando este texto e a proposta para o maior número de pessoas que conseguir, espalhando o link para download da versão de playtest do Violentina, e nos enviando suas críticas e sugestões.

Façam suas apostas!



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Jagunço

Sociólogo, professor, blogueiro ocasional e amante de cinema pipoca. Acredita piamente que literatura é um troço extraordinário, uma das maiores formas de experiência humana, especialmente se você topa aprender algo com ela. Gosta de bom humor, enredos absurdos e de rir das marmotas da vida.

3 Comentários sobre Violentina: um jogo de contar histórias marginal

  1. Thaís Priolli

    Muito boa essa iniciativa, vamos torcer (e financiar) para que dê certo e ver o resultado.

  2. Jagunço

    A coisa toda tem ideias legais como base. Acho essa onda de editoras indie uma coisa boa pra qualquer mercado cultural.

  3. Eduardo Caetano

    Fala Jagunço!

    Valeu demais pela força e por acreditar na gente!

    Esperamos conseguir superar suas expectativas!

    =D
    Abração!

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