Notícias Subterrâneas: Semana 17

Escrito por: | em 28/01/2012 | Adicionar Comentário |

Saudações! Bem vindos à extraordinária semana 17 das Notícias Subterrâneas. Não, não há nada de especial na coluna, mas creio que se partirmos do número 17, fizermos uma soma e uma multiplicação definidos por algum alinhamento astral e nos basearmos em algum conceito de numerologia deveremos chegar a… alguma coisa que justifique minha escolha pobre de adjetivo. De qualquer forma, começamos aqui nosso relatório de lançamentos da semana de 22 a 28 de Janeiro.

Todos façam suas preces, dependendo de suas crenças, para que a Literatura Nacional saia logo do coma de fim de ano. Com sorte chegaremos logo ao pós-carnaval.

Aos leitores novos ou recentes, para mais informações, sinopses ou compras cliquem nas capas.

Lançamentos americanos

Burton & Swinburne in: Expeditions to the Mountains of the Moon (Mark Hodder)

Expeditions to the Mountains of Moon

Há algumas semanas, enquanto me empenhava na eterna busca de novos livros Steampunk bons, mais precisamente enquanto lia informações sobre Whitechapel Gods, me deparei com o livro Burton & Swinburne in the Strange Affair of Spring Heeled Jack. Ainda não li ou comprei o livro, mas a série é promissora em meio ao mar de lixo a vapor cuspido nas prateleiras de sci-fi toda semana.

Expedition to the Mountains of the Moon é o terceiro livro de Sir Burton e seu parceiro, o poeta sádico Swinburne, representando o fim do primeiro arco de uma longa saga que supostamente está por vir. Fora todos os jogos políticos, viagens no tempo e versões steampunk de jack, o estripador, no plano de fundo, a história se foca em uma expedição à África para resgatar/roubar um artefato antigo.

Steampunk ainda pode ser bom? Burton e Swinburne tem pelo menos o benefício da dúvida.

Boneyards (Kristine Kathryn Rusch) 

Boneyards

Mais uma autora com dezenas de livros publicados e alguns prêmios, Kristine Kathryn Rusch escreve principalmente obras de universo expandido para filmes/comics e faz diversas participações como co-autora em outras séries. Boneyard é o terceiro livro da série sem nome que tem como protagonista a historiadora-espacial Boss (nomes criativos como sempre). O cenário da série é um bem básico e genérico de space opera, mas os livros da série são curtos demais para fazer algo muito complexo ou diferente sem sacrificar desenvolvimento de personagens. Não é uma obra colossal, mas também não se propõe a ser colossal.

Serge Storms: Pineapple Grenade (Tim Dorsey)

Pineapple Grenade

 Francamente, qual o problema de alguém que escreve algo como isto? De forma alguma quero dizer que é ruim, longe disso, mas ao ler a sinopse senti que o autor simplesmente pegou um bolo de fichas com ideias para livros e sacou quinze aleatórias para espremer na mesma obra. A obra não é muito grande, tem só 350 páginas, e pela quantidade de informação da sinopse imagino que o enredo seja todo apressado durante o decorrer de toda a obra. Basicamente temos vários esteriótipos e piadinhas sobre Miami, um personagem alucinado e dezenas de acontecimentos bizarros. Impossível levar uma obra, inclusive, com esse nome a serio.

Lançamentos ingleses

Against the Light (Dave Duncan)

Against the Light

Semanas atrás fiz um preview de When the Saints, o qual comecei com uma extensa explicação sobre quem é Dave Duncan. Versão resumida: ele é um escritor de ficção histórica e fantasia com mares de livros lançados. Against the Light é a típica obra de fantasia baseada em um momento histórico característico que não tenta esconder suas referências. Nesse caso trata-se de um reino que é lentamente dominado por uma nova religião monoteísta cujos adeptos perseguem os cultuadores dos deuses antigos e da mãe terra. O protagonista é preso por heresia, mas consegue fugir e ao reencontrar sua família depara-se com a decisão de fugir para onde possa manter suas crenças ou lutar contra a dominação da nova religião. Com esse preceito o livro até que parece bem grande (500 páginas)

Resurection (Arwen Elys Dayton)

Resurrection

 Relançado 11 anos depois de sua primeira edição, Resurection ganhou novas páginas de artworks e revisões diversas nessa edição comemorativa. Detalhe: a editora responsável chama-se 47North e pertence ao Amazon. Ah, sim, repararam no nome da autora?

A sinopse é de uma reconstrução da história da humanidade partindo do princípio de que aliens se infiltraram no Egito antigo e batalharam por tecnologias perdidas ao longo do tempo até agora. Sim, mais uma reconstrução histórica, mas comparando as críticas de 2001 com as que estão aparecendo nos últimos dias parece-me que é uma bem competente.

Estou Lendo- Stormlight Archives, livro 1 : The Way of Kings

Voltando a usar o espaço no final da coluna para algo útil. Nesta semana falando de um livro que estou lendo. Estou lendo novamente The Way of Kings. “Novamente” quer dizer que há meses parei na página trezentos e alguma coisa e só voltei a ler agora. Parei por falta de tempo, não de interesse, visto que é uma obra absurdamente intensa, aliás, raramente abri o livro para ler menos de cinquenta páginas.

Só fazendo uma análise rápida do livro até agora (estou na página 700), imaginem os parágrafos seguintes lidos em uma voz acelerada de esquilo.

The Way of Kings, de Brandon Sanderson, é o primeiro livro de uma série prevista para dez. Em suas mil páginas, o livro se propõe a ser a nova série colossal e esmagadora de mundos para todos dominar. Não, até agora não houve uma cena em que um grande herói montando um dragão joga a lua em saturno. O protagonista de fato é um escravo chamado Kaladin. “Escravo” lê-se lanceiro/ médico/ escolhido das forças universais/ herói típico. O cenário é gigante, diferente de quase tudo (digo quase tudo porque espero que haja algo parecido, embora eu não conheça), para achar algo muito genérico naquele mundo de artrópodes, pólipos e tempestades o leitor tem que se esforçar muito.

A única grande falha até os 70% do livro é também a maior qualidade do mesmo: o epicismo. Mesmo em outras obras épicas-destruidoras-de-mundos não senti uma intensidade tão pronunciada de tudo. Todos estão a todo momento à beira do colapso nervoso, cada diálogo tem que ser tão intenso quanto um combate final de um livro clichê.”Olá, Shallan” disse o Kabsal, Shallan sentiu usou toda sua energia em uma tentativa desesperada de vencer sua exaustão, seu ódio e suas preocupações, com uma reserva de força de vontade perdida há muito ela conseguiu dizer “Oi”.

Parando por aqui antes que eu me empolgue e faça um review completo. The Way of Kings (rezo para que saia por aqui e com uma tradução boa) é uma obra tão alucinada que os dragões foram trocados por lagostas gigantes.

Obrigado a todos pela presença.

Deixem seus comentários.

Nos vemos na próxima semana na coluna de notícias mais sem graça da internet!



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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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