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Notícias Subterrâneas: Semana 34

Escrito por: | em 27/05/2012 | Adicionar Comentário |

Saudações! Notícias Subterrâneas no ar. Após uma semana pobre em lançamentos retorno com livros de peso (e o único realmente decente da semana passada) para nossa excursão aos Reinos Subterrâneos da literatura. Com seis livros na lista, para compensar a semana anterior. Sentem-se, deem a levantada de sobrancelha do crítico chato e preparem-se para me insultar, pois começamos falando de NEW WEIRD!

Ao novo leitor: clique nas capas para mais informações ou comprar; se sente falta de um lançamento sinta-se livre para discursar sobre ele nos comentários e assim ampliar a lista; lembre-se de deixar sua opinião no final do post (por favor).

Railsea (China Miéville)

railsea

Visto que falamos do casal VanderMeer duas semanas atrás, nada mais apropriado que comentar agora o lançamento de Railsea, do outro pilar do New Weird: China Miéville. Sem passar muito tempo falando dos inúmeros prêmios e nomeações dos livros anteriores ou das atuações políticas de esquerda, vamos logo ao enredo.

Trens. Sim, aquele mesmo da capa. A história é uma releitura de Moby-Dick com trens e toupeiras. O protagonista Sham Yes ap Soorap (saúde) é um novo marujo no trem Medes, um caçador de toupeiras gigantes liderado por uma capitã obcecada cujo braço foi arrancado por uma toupeira de pelo completamente branco anos antes. Só por isso já é tremendamente chamativo, mas há a guinada no enredo, e não é spoiler já que também está na capa. O Medes encontra um trem descarrilhado com informações que podem marcar uma revolução no modo de viver dos habitantes do Railsea (o mar de trilhos por onde piratas e caçadores fluem).

Railsea é um livro do China Miéville, não é o primeiro deles com trens e ainda por cima é baseado em Moby-Dick, não é um livro que deixa muita margem para erros.

Também disponível para Kindle e kobo.

Lançamentos americanos

The Imager Portfolio, livro 5: Princeps (L.E. Modesitt, Jr.)

princeps

Não chega a ser o quinto livro na verdade, porque não está diretamente ligado à trilogia anterior. Imager marcou o início da série, que encontrou seu fim em Imager’s Intrigue, o terceiro livro, mas pouco demorou para que despontasse no horizonte Scholar. O quarto livro é uma prequel falando de centenas de anos antes do tempo da trilogia original, quando o continente estava fragmentado, assolado por guerras e cheio de preconceitos contra imagers, os magos centrais da série. A trama política e intensa de Scholar rendeu críticas muito favoráveis (também falei dele em um post passado, aliás) e agora sua sequência aterrissou.

A história de Quaeryt prossegue de onde parou em Scholar. Só isso mesmo, sem mais detalhes, todos seriam spoilers de Scholar. Mal li o primeiro Imager, talvez por isso esteja tão intrigado com o porquê do protagonista estar segurando uma baguete na capa (espero que seja uma baguete, ao menos).

Também disponível para kindleaudio book e kobo.

Shakespeare Undead, livro 2: Zombie Island (Lori Handeland)

zombie island

Mais uma releitura bizarra. Todos já devem estar cansados da onda de Orgulho, Preconceito e Zumbis, Rainha Elizabeth Caçadora de Demônios e Abraham Lincoln Caçador de Vampiros que assolam o mercado. Há dezenas de obras desse tipo, talvez justamente por isso eu sinta uma necessidade patológica de comentar sobre ao menos uma delas.

Sequência de Shakespeare Undead, continua a saga do vampiro Willian Shakespeare em busca da realização de seu amor por sua Lady das Sombras após exterminar a horda de mortos vivos que invadiram Londres. Katherine Dymond e Shakespeare planejam uma suposta morte curiosamente idêntica à suposta morte em Romeu e Julieta para escaparem das garras do marido da Lady das Sombras e iniciar uma nova vida em Londres. Conspiração política básica no meio do enredo e chegamos a uma misteriosa ilha dominada por um feiticeiro, sua filha e centenas de zumbis. Romeu e Julieta, A Tempestade e uma trama de fantasia histórica. Talvez não seja um Anno Dracula, mas não deve ser o pior livro da onda de releituras com zumbis.

Murder of Crows, livro 1 (Kevin Kauffmann)

murder of crows

Quem aí gosta de Jogos Vorazes?

Eu não. Mas gosto o suficiente da temática e de Ender’s Game para apreciar o surgimento de Murder of Crows. O cenário de sci-fi é interessante, para resolver os problemas de superpopulação os governos mundiais trouxeram asteroides do cinturão para mais perto da terra e terraformaram-nos para  diversos fins. Eris, ou o Mundo da Guerra, foi usado para transações militares e sedeia um reality show no qual grupos de soldados massacram-se. Cada soldado é clonado de antemão para que após sua morte haja um novo receptáculo para suas memórias e, portanto, o jogo possa continuar. No entanto, a dor da morte e ressurreição é extrema, fora este ser um processo monstruosamente caro, o que faz com que cada soldado tenha dívidas para o resto da vida (que pode até ser eterna). Os Corvos são guerreiros de elite dentro dos jogos e o protagonista da história, Ryan Jenkins, é um deles.

A parte mais interessante me parece a proposta de discutir a própria morte quando esta se torna irrelevante e o sentido de liberdade quando não se pode nem morrer por conta própria. Fora isso: Let the games begin!

Lançamentos Ingleses

Danilov Quintet, livro 3: The Third Section (Jasper Kent)

the third sector

Há a típica situação de não encontrar jamais um livro sobre o tema que se procura e há a rara mas agradável situação de encontrar o livro que se procura meses depois em uma lista de lançamentos. Em minha incessante busca por ficções históricas de países cuja construção desconheço completamente passei algumas horas atrás de uma boa série sobre a história russa anterior ao século XX, sem muito sucesso (se alguém conhecer uma boa, por favor se manifeste!). Infelizmente ainda não consegui. Mas agora encontro Danilov Quintet, uma fantasia histórica que mescla os fatos das guerras do século XIX com… vampiros. Não é algo tão exagerado quanto o que é feito com outras fantasias históricas, há de fato um grande fundo de fatos históricos por trás de diversos acontecimentos e, bom, há alguns poucos vampiros no meio de tudo.

Twelve, o primeiro livro da série, fala de um pacto feito entre o Czar e doze vampiros para vencer Napoleão, em 1812. Sua sequência, Thirteen Years Later, retrata a volta dos vampiros para cobrar o preço e, finalmente, The Third Section marca o final da vida do Czar Aleksandr I e da luta da monarquia russa contra os vampiros. Certo, não é o tipo de ficção ou até fantasia histórica que estava buscando, mas enquanto não encontro nada mais adequado talvez seja uma leitura curiosa.

Estou Lendo

A Torre Negra, livro 4: Mago e Vidro

Nas duas últimas semanas meu ritmo de leitura foi mais intenso (ainda bem) do que estava sendo desde fevereiro. Primeiro, terminei Doze Contos Peregrinos (do Gabriel García Márquez) e agora posso dizer que de fato Terry Pratchett estava errado, realismo fantástico não é só uma forma educada de fantasia escrita por latinos. Embora discorde também de que seja um movimento único. O realismo fantástico parece muito mais um movimento latino de Weird, algo que é até reforçado pela presença de alguns contos de realismo fantástico na antologia The Weird, que os VanderMeers lançaram há duas semanas.

Quanto aos contos em si, nada muito impressionante. Talvez Gabriel García Márquez devesse se ater a escrever romances e para ter certeza disso pretendo ler Cem Anos de Solidão em breve.  Dez dos doze contos foram completamente previsíveis, seguiram o mesmo esqueleto de enredo fraquíssimo e não tiveram quase nenhum personagem interessante. Dos dois que sobram um foi bem surrealista e por destoar tanto dos outros se tornou levemente mais interessante, por fim há um de terror que considero o mais fraco do livro (talvez isso tenha sido condicionado por meus vícios em Edgar Alan Poe e H.P. Lovecraft, que inevitavelmente tornam qualquer conto de terror mediano algo desinteressante). Os contos A Santa e O Rastro do Teu Sangue na Neve  foram mais interessantes só pelo desenvolvimento, com certeza os que mais me divertiram no livro.

Na sequência li Deus Máquina (Leonel Caldela), que me decepcionou de diversas formas. A narração do Iago continua sendo criativa e o ponto mais interessante do livro, o enredo continua decente, mas as discussões sobre fanatismo que foram tão primorosamente conduzidas n’O Caçador de Apóstolos aqui se tornaram horrivelmente maniqueístas e ingênuas durante boa parte do livro. Mas deixemos isso para depois, pretendo escrever um review sobre os dois livros em alguns dias.

Estou na página 400 de The Well of Ascencion, segundo livro da trilogia Mistborn (Brandon Sanderson), e prefiro não comentar nada sobre esse para poupar todos de um mar de spoilers do primeiro livro. Por fim comecei a ler Mago e Vidro, da Torre Negra, mais um livro que amo tanto quanto odeio.

Ufa, foram semanas longas.

E falando em longas, as Notícias Subterrâneas de hoje já estão longas o suficiente, o que me leva a crer que aqui nos despedimos.

Agradeço a todos pela presença e novamente peço que deixem suas opiniões, sintam-se sempre livre para usar os comentários para discutir os lançamentos e o que estão lendo. Ainda pretendo transformar as Notícias Subterrâneas em um ambiente de discussão de lançamentos menos unilateral (mas mantenhamos o foco nas notícias, por favor).

Enfim, a semana foi longa, os lançamentos diversos, todos temos o que ler e alguns o que escrever.

Na semana que vem retornaremos aos Reinos Subterrâneos para escavar, descobrir e nos impressionar com o melhor e o pior dos lançamentos de fantasia, sci-fi e terror.

Até lá!

Menções Honrosas

life sketches

The Minstrel's SongThe Walls of the Universe

 

 

 

 

 

 

 

beyond the frontierchild of destiny




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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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