Lord of the Samples: Nameless (Lili St. Crow)

Escrito por: | em 21/04/2013 | Adicionar Comentário |

“Now that it was dusk the smoking, demon-infested fausts and Twisted hulks of minotaurs would be creeping forth to hunt”

Nameless

Primeiramente, perdão. Perdão, universo, porque não li mais nada sobre o livro além da sinopse antes de decidir que seria a sample da vez! (frase muito longa sem vírgulas, agora uma pausa para respirar).

Pois é, aqui começamos outro Lord of the Samples, a coluna de crítica de samples de ebooks do Grifo (by Lord Worth). Aplausos, obrigado. A vítima da vez é Nameless: A Tale of Beauty and Madness, por Lili St. Crow.

Nameless chamou atenção – e não só a minha, há várias reviews dele aparecendo – por sua sinopse bem curiosa de “Branca-de-Neve-dark-com-stress-pós-traumático-e-terror”, mas… Bom, vamos com calma. Como disse, Nameless é um take de fantasia urbana sombria sobre Branca de Neve… com mafiosos… e com magia… e vampiros? Não tenho certeza pelo que li, mas talvez sim. A sinopse é realmente instigante e sendo um livro de 300 páginas parece um projeto simples que não necessita de muito polimento para ficar agradável. Ora, Catherynne M. Valente lançou seu livro de “Branca-de-Neve-Velho-Oeste” pela Subterranean recentemente e dizem por aí que está bem decente. Se a Lili St. Crow não é lá uma autora de vanguarda como a Valente, ao menos não perde em técnica; muito provavelmente a versão dela não seria tão inferior. E realmente, a escrita é ótima, não acho que Six-gun Snow White possa ter um começo muito melhor que o de Nameless, e aqui torna-se pertinente seccionar a sample e analisar cada parte em separado.

A sample cobre duas cenas, ou uma e meia, ou uma e um quarto: um prólogo e parte do primeiro capítulo. A escrita do prólogo é primorosa, constituindo um retrato da adoção da protagonista, Camile, pelos olhos da própria anos após o ocorrido. Curiosamente, a narrativa é um híbrido de primeira e terceira pessoa na intersecção das memórias de Camile com a versão que ouviu depois de Trigger Vance, o guarda-costas do mafioso Papa Vultosino. A linguagem soa sofisticada e bem bolada se levado em conta que supõe-se o retrato construído em parte pelos olhos de uma garota com estresse pós-traumático. Termos tais quais “Demon-infested fausts” e “minotaurs” ficam realmente belos nas frases do prólogo. Ei, é a visão de uma garota traumatizada de seis anos, não? Até parei por alguns momentos para adivinhar o que ela queria dizer com alguns termos exóticos (“mortal wife”, por exemplo).

No entanto, tudo foi por água abaixo com o começo do primeiro capítulo. O livro em si não se apoia na narrativa híbrida da Camile, mas retorna a uma narrativa em terceira pessoa bem básica. Subitamente todas as metáforas bem pensadas do prólogo se revelam termos literais de um mundo de fantasia sombria que não parece fazer muita questão de fazer sentido. Pois é, “mortal wife” não é um jeito sofisticado de dizer “esposa doente” e dizer que Enrico é “imortal” não é uma indicação de que ele é um mafioso poderoso. Mas eu não diria que foi decepcionante só por não ter compreendido de cara a proposta do livro. A apresentação de personagens foi fraquíssima. As melhores amigas da Camile fedem a personagens de livro adolescente genérico, Nico irradia “galã-vampiro” fator 120 (ou seja, parece que brilha sob o sol), e a Camile gagueja mais que qualquer gago que eu tenha conhecido.

 A capa é bonita, mas nem por isso deixo a recomendação.

Agora que fui pego por um genérico pesado após meses me esquivando deles vou remoer isso em um canto escuro.

Até a semana que vem, e evitem Nameless!



Categorias: Review: Primeiras Páginas

Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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