Lord of the Samples: The Blade Itself (Joe Abercrombie)

Escrito por: | em 20/05/2013 | Adicionar Comentário |

“You have to be realistic. Have to be, however much it hurts.” – Logen Ninefingers

Blade Itself

Saudações a todos, Lord of the Samples no ar. Explosões, alegria, choro histérico. Obrigado, obrigado. Também estou irradiando alegria. Hoje venho com algum atraso falar da sample de um livro que  quase não fez sucesso e que devia ter lido algum tempo atrás: The Blade Itself!

Joe Abercrombie é um autor que vem fazendo um sucesso explosivo nos últimos tempos.  “Por quê?” eu algum dia indaguei, e a isto a resposta é simples: violência. E violência. Mais violência. Ah, falei de violência? Enfim, “gritty fantasy” é um termo comum em reviews de literatura especulativa que geralmente é associado a George Martin ou (advinhem) Joe Abercrombie. De fato, pelo quanto já ouvi a respeito dos enredos crus, descrições secas e zonas cinzentas dos livros do Sr. Abercrombie, estava meio receoso de… bom, aquilo que todos receiam quando consomem um produto muito bem comentado: que seja muito inferior ao que expectativa leva a crer. Já adianto que não, não me decepcionei com The Blade Itself.

A sample é longa, mas parece curta, agregando somente três cenas. Na primeira, o bárbaro Logen Ninefingers luta para sobreviver a um ataque surpresa a seu acampamento; na segunda, o inquisidor Glokta se depara com alguns problemas com seus superiores; na terceira, Logen novamente luta para sobreviver, com várias cenas recortadas de seu passado vagando pelo plano de fundo. Em suma: há bastante Tarantino neste D&D. As cenas são genéricas no enredo, mas inusitadas na execução, e muito me impressiona, por sinal, a forma como o autor muda sua escrita para refletir o perfil de cada personagem. Quando lemos Logen, há muito discurso indireto livre, um fluxo de consciência que beira uma loucura (ele literalmente se perde pensando no passado) para dinamizar a relação do personagem silencioso com seus arredores. Glokta, por outro lado, usa o mais interessante recurso de entrecortar sua fala com seu pensamento honesto, de forma a criar um divertido (e sinistro) mosaico em seu diálogos, opondo a amargura aparente com uma dose aguda de arrogância e asco internos (e sofrimento, muito sofrimento descrito em detalhes.

A introdução de um capítulo usando a descida de uma escada foi sensacional.

Dito tudo isso, não vi um grande enredo ou imensas complexidades de personagens, ou trejeitos inusitados para as funções bem conhecidas de cada figura (o bárbaro, o inquisidor, o mercador rico, os torturadores). Todo o charme está na execução, realmente é quase um Tarantino. O melhor, a história demora o quanto precisa, não se apressa e não se esforça muito para fazer cortes superdinâmicos: há longuíssimos diálogos internos dos personagens, há background apresentado de cara e com profundidade e há longas descrições e diálogos focados em aprofundar a cena presente sem empurrar adiante o enredo.

“Selo Lorde Worth” de aprovação (thumbs up).

Foi breve, mas não acho que a sample tenha conteúdo para justificar muito mais que isso. Assim, fico por aqui.

Até a semana que vem! (deixem seus comments antes disso!)



Categorias: Review: Primeiras Páginas
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Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

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