Entrevista: Gamila Gatti

Escrito por: | em 05/11/2013 | Adicionar Comentário |

Saudações, leitores. Depois de um pequeno hiato na sequência dos meus posts, trago hoje um conteúdo bem diferente do nosso habitual: uma entrevista! Pois sim, lembram-se da minha review do livro Crônicas e Absinto? A Camila Gatti, autora do Crônicas, concordou em dar uma pequena entrevista ao grifo. Deixem suas opiniões nos comentários – caso gostem, me esforçarei para trazer outras entrevistas com novos autores para o grifo.

Crônicas e Absinto

Grifo: Obrigado por esta oportunidade e seja bem vinda ao Grifo Nosso, Camila. Antes de falarmos especificamente do Crônicas, poderia nos contar um pouco sobre a sua trajetória como escritora até o momento? Como começou a escrever e qual foi o caminho que a levou a um livro de crônicas?

Camila: Eu que agradeço sua atenção, e ao espaço junto ao Grifo Nosso. Desde o tempo de faculdade pensava em escrever um livro, só não tinha uma história em mente, na época. Com essa vontade ‘engavetada’, digamos assim, só dando ‘frutos’ quase 10 anos depois, onde me percebi interessada em novos ares, novas indagações, ir além do lugar-comum. Decidi então por criar o blog ‘Crônicas e absinto’. Nesse blog pensei em desenvolver pequenos textos, como quem pensa em voz alta, com o leitor sentado em uma mesa de bar. Tudo isso serviria como um teste, um ‘ensaio’ para um projeto maior, que já estava por vir.

Grifo: No Crônicas e Absinto você trata de uma gama muito ampla de temas, algum textos são, aliás, grandes parábolas para chegar a uma conclusão tematicamente distante do primeiro parágrafo. Como você planejava essas crônicas? Havia um esqueleto pronto para cada texto ou você se apoiava no fluxo de consciência?

Camila: Machado de Assis conseguia atrair o leitor para dentro de suas histórias, quase que dialogando abertamente com quem lesse seus livros. Apesar de amar as palavras, sou mesmo apaixonada pelo que elas podem se tornar, decodificadas para o mundo visual, como no cinema. Em respeito ao leitor, busco criar, nos meus textos, ferramentas para que o leitor construa (por ele mesmo) visualmente o que ele lê, estimulando sua mentalização, em vez de oferecer um texto extremamente descritivo, por exemplo. Busco criar, pelo menos, a sensação de um filme, só que através da leitura. As ‘parábolas’ são artifícios usados da melhor forma possível, por pura ilustração lúdica. Às vezes um tanto passionais, porém totalmente verdadeiras. Pela considerável diversidade de temas, quis manter a leveza, acima de tudo, independente do assunto a ser tratado. As planejei de modo simples: alguns temas foram listados, que tinha certeza que valiam boas reflexões individuais, como ‘bullying’ e ‘milagres’. Como no início os textos seriam para o blog, à medida que fui desenvolvendo-os, se tornaram robusto o suficiente, a meu ver, ao ponto de valer ir além do mar de blogs da internet, e virar um livro, onde o leitor poderia levá-lo para onde quisesse, fazendo suas anotações, etc. Com esse reposicionamento, decidi por escrever sobre temas ‘adormecidos’ ou tratados como tabus, como política, espiritualidade, religião, assim como expor novas ideias e indicar livros e filmes diversos, disponibilizando uma ‘bagagem’ ao leitor, onde ele lê uma crônica, e ‘ganha de brinde’ várias indicações atemporais. Quando ultrapassei 40 crônicas, decidi por finalizar, fechando a lista com um sonho. A partir daí seria revisar e concluir o original.

Grifo: Aproveitando a pergunta sobre o planejamento, como foi a sua rotina de escrita para o Crônicas? Havia intervalos muito grandes de tempo entre a elaboração das crônicas?

Camila: Posteriormente, escrevi uma crônica justamente explicitando esse processo de como o escrevi (http://cronicaseabsinto.blogspot.com.br/2013/03/voce-entende-overdadeiro- sentido-das.html). Curiosamente, a maioria das crônicas foi escrita à mão, em um caderno, sempre à noite, terminando lá pela madrugada. Busquei inspiração no personagem de um filme que vi, durante períodos do ‘bloqueio mental’, quando você escreve e depois relê e não acha interessante o suficiente. Para ultrapassar essa sensação e seguir em velocidade total, criei um desafio lúdico comigo mesma, e terminei o livro em menos de duas semanas, dez dias, praticamente. Foi como correr uma maratona, sendo chegar ao fim, a realização.

Grifo: Você chegou a banir crônicas do livro? Como foi o processo de organizar seus rascunhos para chegar ao livro final?

Camila: Na verdade, não cheguei a banir nenhuma crônica. Busquei tratar dos temas selecionados com sinceridade, olhando de frente, sem falsos moralismos. As pessoas podem conversar sobre todo e qualquer assunto, em vez de se engessarem no politicamente correto. A verdade é sempre mais interessante e, apoiada nesse critério, decidida a ser livre, as revisei em termos de português ou erros de digitação, mantendo o que foi escrito de início, como uma ‘vingança do rascunho’, que se tornou a versão final, sem cortes.

Grifo: Há uma crônica no livro que seja a sua favorita?

Camila: confesso que tenho duas favoritas: a 1 (‘Sobre as estrelas), e a 41 (‘Um sonho’).

Grifo: Quando você começou a planejar publicar o Crônicas? Como chegou à Novo Século?

Camila: após decidir tornar o que seria conteúdo do blog em livro, finalizei o original, estruturando os textos ‘versão livro’, para registrá-los e assim encaminhar às editoras, para análise. Cheguei à Novo Século, pesquisando todas as editoras brasileiras possíveis. Visto que novos escritores não possuem tanto espaço no meio literário, onde algumas editoras preferem traduzir um ‘Best Seller’ internacional ou produzir um livro de um autor já conhecido do grande público, por exemplo, percebi que a Novo Século praticava um jeito diferente de negócios, abrindo as portas a novos escritores, através do selo ‘Novos Talentos’. Sem linhas editoriais engessadas, se a editora considera o original interessante, ela decide por publicá-lo em seu selo, simples assim.

Grifo: Então, como foi a recepção do livro até agora? O que seus leitores acharam da proposta das crônicas?

Camila: Está sendo um momento muito feliz; recebo alguns feedbacks, sempre muito interessantes, positivos e/ou questionadores. Sinto que acertei o alvo, pois, independente do leitor concordar ou não com as ideias, o livro fomenta o debate, o pensar por si, que era minha intenção (provocar pensamentos). Surpreendi-me positivamente por buscar tornar ‘pop’ a ideia de se ler um livro de crônicas. Sei que atualmente as pessoas em geral gostam de ler histórias, sejam épicas, fantasiosas ou romances: ler histórias curtas, e sem personagens, é quebrar um paradigma junto ao leitor, o que a meu ver, torna o projeto ainda mais interessante, como assistir uma peça monólogo, por exemplo.

Grifo: Agora, qual seu próximo projeto? Veremos mais crônicas no futuro próximo?

Camila: Terminei recentemente um livro que estava na ‘gaveta’, projeto este anterior ao ‘Crônicas’. O título é ‘Nas Alturas’, sendo uma história totalmente diferente, inspirada inclusive em fatos reais, com direito a personagens, tramas e reviravoltas. Estou buscando ser versátil o suficiente para não me prender em um gênero específico. Histórias são histórias, independente de ser um romance, documentário, aventura ou crônica. Quero escrever sobre tudo que puder.

Grifo: Por fim, há algum último comentário ou pensamento que gostaria de compartilhar com nossos leitores?

Camila: busquem inspiração e conquistem seus sonhos, pois todos eles são realizáveis, independente do que a TV transmite. O céu é o limite.



Categorias: Diversos

Lorde Worth

Caçador de Hobbies exóticos, leitor obsessivo e jogador compulsivo.

Comentário sobre Entrevista: Gamila Gatti

  1. Fernando Cardoso

    Parabéns pelo “presente”, essa entrevista proporcina um novo olhar para essa jovem escritora. adorei! crônicas leves, sábias/maduras e que com certeza o jovem vai parar para refletir, afinal… a autora toca o coração com suas palavras.

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