Outras Mídias: A História Sem Fim

Escrito por: | em 19/05/2010 | Adicionar Comentário |

Saindo da série “ultimas estréias do cinema” resolvi continuar o “Outras Mídias” com um uma duplinha (filme e livro) que eu considero maravilhosamente clássica: A História Sem Fim.

OBRA ORIGINAL OBRA DERIVADA
Capa

Capa do Filme "The Neverending Story"
Título “A História Sem Fim”
“A História sem Fim”
Autor ou Diretor Michael Ende
Wolfgang Petersen
Editora ou Estúdio N/A
Warner Bros. Pictures
Tipo Livro Filme


Acho que há grandes chances de que este outras mídias fosse mais útil ao contrário (falando do livro e não da adaptação) considerando que a maioria das pessoas deve conhecer o filme e pouquíssimas devem ter lido a obra original.

Ainda assim, vou começar explicando: foram feitos três filmes baseados no livro “História sem fim” (que eu saiba), mas eu prefiro continuar a minha vida fingindo que o segundo e o terceiro nunca existiram, de forma que vou me ater a falar do primeiro filme, que merece muita atenção.

Um aviso: essa definitivamente não será uma review imparcial, sob o risco de começar de trás para frente vou adverti-los: esse é o meu filme favorito de todos os tempos, é o TOP 1 da minha lista de filmes queridos, é a cereja do meu bolo.

Mas, embora isso tudo faça com que minhas opiniões não sejam neutras, não acho que elas sejam menos válidas. Se o filme é o meu favorito é porque conquistou e conseguiu manter esse lugar desde a minha infância, e isso deve valer alguns pontinhos.

Bom, a primeira comparação importante de fazer é a da extensão: o filme se limita à primeira parte do livro. Teoricamente o segundo filme deveria ser a segunda parte, mas como eu disse, prefiro pensar que ela nunca foi feita. Acho que no geral essa foi uma boa escolha porque realmente é possível traçar uma linha divisória bem clara no seguimento do livro: Antes e depois do Bastian ir para Fantasia.

O filme se atém à história do livro, mas não é exatamente fiel. Não sei muito bem se eu teria gostado do filme caso tivesse lido primeiro a obra original, mas da forma que foi eu fiquei com a impressão de o filme ser uma espécie de versão resumida. De certa forma, fico agradecida por não ter assistido o filme com uma cabeça cheia de conceitos formados, porque poderia ter perdido toda a magia que ele traz.

Mas, antes de falar da magia, vale um aviso: o filme é velho. Assistir o filme hoje significa saber olhar através dos efeitos especiais completamente ultrapassados e significa mais ainda saber perceber a história e prestar atenção nos diálogos e nas mensagens. Se hoje temos uma série de filmes lindos o ocos, história sem fim tem uma casca meio velha, mas um conteúdo que vale a pena.

A magia do filme, para mim, está nos personagens (não só o Bastian e o Atreyo, mas o Falcor, o Artax, a Imperatriz Menina, o elfo noturno, o come-pedras), é a forma como somos levados a nos importar com todos eles, por menor que seja a sua parte na história. Não da para dizer que esse é um filme baseado em personagens (como o Alice por exemplo), porque ele tem uma mensagem fantástica na trama, mas são os personagens que tornam a mensagem válida.

Dentre as cenas do filme que valem a pena destacar não posso deixar de falar da parte do Artax no pântano, que é uma das cenas mais comoventes de todos os filmes que eu consigo me lembrar, o tipo de coisa que me da vontade de chorar só de pensar.  Embora o Artax do livro fale e o da filme não,  em ambas as mídias o trecho passa a mesma mensagem. Como acho que muita gente não leu o livro, vou deixar um trecho dessa parte aqui, para vocês terem uma idéia (ALERTA PARA SPOILER, se não conhece e não quer conhecer a história, pule a citação abaixo):

— Você nunca me falou assim, Artax, disse Atreiú assombrado. Que é que você tem? Está doente?
— É possível, replicou Artax. A cada passo que damos, minha tristeza é maior. Perdi a esperança, senhor. E sinto-me cansado, muito cansado. . . Acho que não sou mais capaz de andar.
— Mas temos de prosseguir!, exclamou Atreiú. Vamos, Artax! Puxou-o pelas rédeas, mas Artax ficou parado. Já estava atolado até a barriga, e não fazia qualquer esforço para se libertar.
— Artax!, gritou Atreiú. Você não pode desistir agora! Ande! Ande para a frente, se não vai ficar atolado!
— Deixe-me, senhor!, respondeu o cavalinho. Não consigo. Vá sozinho! Não se importe comigo! Não posso mais suportar esta tristeza. Quero morrer.
Atreiú puxou-o desesperadamente pelas rédeas, mas o cavalinho afundava-se cada vez mais. Não podia fazer nada para impedi-lo. Finalmente, quando o animal tinha só a cabeça fora da água negra, abraçou-o pelo pescoço.
— Eu seguro você, Artax, murmurou ele. Não vou deixar você afundar.
O cavalinho relinchou outra vez, suavemente.
— Você não pode fazer mais nada por mim, senhor. Está tudo acabado. Nenhum de nós sabia o que nos esperava aqui. Mas já sabemos porque o Pântano da Tristeza tem este nome. É a tristeza que me torna tão pesado e que me faz afundar. Não é possível evitá-lo.

(Trecho do livro: A História Sem Fim, de Michael Ende)

Uma coisa que muda bastante na adaptação é a forma como Atreyo conhece Falcor (O Dragão da Sorte). No livro a relação deles faz um pouco mais de sentido, porque o Atreyo de certa forma salva a vida do dragão, que estava preso na teia do Ygramul (personagem que é omitido no filme), e acaba ganhando a lealdade dele. Há outras partes mais ou menos diferentes, mas no geral seguindo o mesmo fluxo do livro.

Acho que se eu tivesse que escolher uma coisa nesse filme que o torna insuperável, diria que é o dialogo entre o Atreyo e o Gmork, quase no final. Embora o diálogo seja bem resumido em relação ao livro, omitindo várias explicações da relação entra Fantasia e o mundo dos homens, conseguiu manter o mesmo sentido de importância e passar, para mim, a melhor mensagem de todas: da importância dos sonhos e da esperança. Como eu acho que é um trecho que vale muito a pena, vou transcrevê-lo abaixo para vocês, do filme :

– Fantasia não tem limites.
– Não é verdade! Você está mentindo!
– Garoto bobo. Você não sabe nada sobre Fantasia? É o mundo da fantasia humana. Cada parte, cada criatura é um pedaço dos sonhos e das esperanças da humanidade. Portanto, não tem limites.
– Por que Fantasia está morrendo?
– Porque as pessoas começaram a perder as esperanças e esquecer os sonhos. Assim, o Nada se fortalece.
– O que é o Nada?
– É o vazio que resta. É como um desespero que destrói esse mundo. E tenho tentado ajudar.
– Mas por quê?
– Porque pessoas sem esperança são fáceis de controlar.

(Trecho do filme História sem Fim)

Não vou colocar o trecho correspondente do livro para não enchê-los de citações, mas fica minha dica: vale muito a pena ler e refletir a respeito.

Conclusão:

Se você leu o livro e não viu o filme (de que planeta você é?) eu recomendo MUITO assistir (a menos que você já não tenha gostado da obra original), mas com a mente limpa, sem ficar se preocupando porque o Atreyo do filme não é verde.

Se você viu o filme, gostou, e não leu o livro: pare tudo o que está fazendo e vá ler o livro, tenho certeza que vai gostar, ao menos da primeira parte.

Se você não conhece nenhuma das mídias: recomendo começar pelo filme e ler o livro depois. São histórias de fantasia, mas não tem nada a ver com Senhor dos Anéis e outros livros de fantasia medieval, para mim esse livro esta mais próximo de Peter Pan e Alice, porque fala de um “mundo de sonhos” e das coisas belas e estranhas que habitam tal local, mas para além da magia, mas acho que ele tem mais coisas para refletir também, porque fala da relação dos sonhos com o nosso próprio mundo.

Avaliação:


A essa altura acho que vocês já devem ter adivinhado: 5 grifos com mega, ultra, hiper estrelinhas de louvor. Para mim é um filme inesquecível e não é sem razão que conseguiu ser o meu favorito até hoje, superando outros muito mais modernos e me fazendo gostar mais e mais a cada vez que eu assisto.



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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.

12 Comentários sobre Outras Mídias: A História Sem Fim

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  2. Cutia

    Um dos melhores filmes da minha infancia… Lembro quando no segundo colegial en contrei o livro na biblioteca da escola. Estava lendo os três mosqueteiros, mas devolvi para ler o HSF… infelizmente o livro estava pela metade, escola publica, saquelé…

    Em todo caso lembro que o Atreiú do filme não é verde… mas tem uma cara de menina.
    Lembro a té hj do trecho, “Siga em frente, sempre com o sol nas costas”.

    Depois de tempos, li StarDust. Sei que não é nada parecido, mas me faz lembrar de história sem fim.

  3. Allana

    Cutia, Stardust tá mais para um conto de fadas. xD E eu adoro! =D

    História sem fim certamente é um marco. =) E eu adoro essa coluna. =D

    Quanto à adaptações, minhas melhores experiências foram vendo os filmes primeiro. Isso me permitiu desfrutar muito mais do filme do que ficar fazendo comparações chatas como “Ah, mas no livro não é assim, e blablabla”. Hoje sou muito mais tranquila sobre o quesito fidelidade à obra original.

  4. Cutia

    Sim Allana, é mais para conto de fadas.
    Mas saqualé, como no HSF o SD tem um rapaz que sai de sua terra natal, vai num mundo fantastico e imensuravel. Porem delimitada pelo “mundo real”.
    Fora que os vilões, se assim podemos os chamar, no fim nao são maus de verdade. É como na vida real, são de opnioes diferentes…
    Como se fosse um roteiro bem parecido mas de enredo bem diferente…

  5. Mitch

    Uma das partes do filme que mais me emociona é a parte da travessia do atreiú pelas esfínges. “Não adianta armadura bonita, elas podem ver o seu coração”

    Vou procurar o livro!

  6. Dy

    O filme é inegavelmente um marco de infância. Se bem que eu confesso que não gostava de ver. Não por não gostar da história, pelo contrario, mas pela angustia que me trazia, a vontade de chorar. Essa passagem de quando ele deixa o cavalo então….affff….. quase morro.
    Teve uma adaptação do Hallmark também, em 13 episódios, se não me engano, mas não tem pouco a ver com a história original.
    Infelizmente vou pensar duas vezes antes de ler o livro – se com o filme eu já fico tão angustiada e chorosa, imagine com a história original…. rs

  7. Day

    Ninguém deveria crescer sem ver e principalmente entender esse filme, e ler o livro também. Não li o livro ainda mas o farei em breve. Mas uma coisa que percebi ao rever o filme é que, o mundo de Fantasia, para milhares de pessoas, e muitas delas estão próximas de nós, já foi dominado pelo Nada, resta a nós não nos deixamos levar pelo Nada e sempre termos a esperança e os sonhos presentes em nossa vida.

  8. Vinicius

    na epoca q eu assisti essa q pra mim é uma grande obra, num era fanatico em leitura, e ainda não tive a oportunidad de ler o livro, mais historia sem fim pra mim marco a minha infancia, simplesmente adorava o filme e a ideia q ele passava, vo correr atras do livro pra minha coleção, a materia ficou muito boua parabens

  9. sergio ricardo guido

    adorei o filme a historia sen fin principalmente o misterio da enperatris que so aparece no final do filme queria que tivece um jogo de video geime da historia sen fin

  10. Daniela Dias Ortega

    Também considero que o terceiro não existe!

    Adorei sua análise.

    Assisti ao filme e depois li o livro.
    Gosto muito do filme.

    É um dos livros mais significativos que já li,
    porque como vc disse, ele tem algo mais a dizer.
    É uma história que dá sentido à própria ficção!

    “De certa forma, fico agradecida por não ter assistido o filme com uma cabeça cheia de conceitos formados, porque poderia ter perdido toda a magia que ele traz.”

    Muito bom seu texto, você escolheu trechos ótimos pra colocar aqui!

    Sou estudante de História e vou fazer um trabalho sobre a narrativa na História Sem Fim. Se ficar bom, publicarei.

  11. Marlene

    Oi Dani, sobrinha querida
    Hj passei por aki com maior calma. Visitei vários links (seus e dos outros assinantes do site). Maravilhoso o trabalho de vcs. Parabéns a todos. Diversificado, interessantíssimo, divertido, questionador, informativo muito bem construído e etc etc etc.
    Estou postando o comments nesta página por conta do blog que te falei, que faz uma análise deste filme sob um ângulo espiritualista, esotérico, também muito bem colocado pelo autor. O nome do blog é “Palavras…apenas palavras”. O link do post sobre “A História sem fim” é este: http://ariomester.blogspot.com/2010/05/historia-sem-fim.html.
    Espero que goste, como eu gostei.
    Bjs e sucesso prá todos

  12. Luís Augusto Lé

    Assisti primeiro ao filme. Gostei tanto que comprei o livro. Também gostei até a metade, ou primeira parte do livro. Inspirado nele escreve uma história muito legal: Aventura No Vale da Imaginação. Livro ainda não editado mas que pode ser lido gratuitamente em: https://www.wattpad.com/story/4663146-aventuras-no-vale-da-imagina%C3%A7%C3%A3o ou em http://www.mediafire.com/file/qzhrta47kw4iwd8/Infanto+Juvenil+-+Aventuras+Vale+Imaginacao+-+download.pdf

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