Outras Mídias: O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa

Escrito por: | em 03/01/2011 | Adicionar Comentário |

Faz um bom tempo que eu tinha assistido a versão Disney do clássico de C.S.Lewis, então, quando revi esse fim de semana fiquei com uma vontade louca de escrever um outras mídias sobre ele. Pensei seriamente se não devia esculhambar e fazer um post só, sobre as três adaptações da série, mas cheguei à conclusão de que é melhor dar um passo por vez.

OBRA ORIGINAL OBRA DERIVADA
Capa
Título As Crônicas de Nárnia: O Leão a Feiticeira e o Guarda Roupa
As Crônicas de Nárnia: O Leão a Feiticeira e o Guarda Roupa
Autor ou Diretor C.S.Lewis
Andrew Adamson
Editora ou Estúdio Martins Fontes
Disney
Tipo Livro Filme


Para manter a autenticidade da minha opinião, os dois primeiros parágrafos deste artigo serão escritos sem reler o livro, e os demais depois de dar uma relembrada na obra original.

Comecei a ler as Crônicas de Nárnia na ordem cronológica de Narnia, e tinha lido a pouco tempo “o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa” quando fui ao cinema assistir a versão cinematográfica. Me lembro de ter lido uma crítica ruim no Omelete e ter ficado com a pulga atrás da orelha, mas de sair do cinema absolutamente satisfeita: o filme era uma adaptação bastante fiel do livro que eu acabara de ler.

O problema central das críticas que o Omelete tem feito aos filmes da série, para mim, tem sido o fato de o autor (ou autores) das críticas não ser um fã dos livros. Isso quer dizer o seguinte: o filme é infantil SIM! porque o livro também é! Ele é pouco detalhista, cheio de lições de moral, fácil demais de absorver: todas essas características foram copiadas do livro para o filme, com algumas mais: ele é belo, mágico, inocente e, repito, infantil! Essas características são, na minha opinião, positivas, seja na obra original, seja na derivada.

Olhando o livro agora, antes de escrever o artigo, não posso senão reforçar a minha opinião original de que a adaptação foi bastante fiel e de que isso foi uma coisa positiva. Tanto a trama, quanto os personagens e até mesmo os diálogos foram bastante fieis à obra original, as poucas coisas que foram mudadas são detalhes pequenos e de pouca importância que de certa forma deixaram a história mais cinematográfica.

Minha única crítica ao filme é a atuação. Já vi muitas críticas aos quatro protagonistas, mas a única coisa que me incomada de verdade no filme é a atuação do Pedro nas cenas de luta/batalha, porque o garoto simplesmente não sabe segurar a espada de forma imponente, e acaba parecendo uma criança com um brinquedo na mão.

O que eu prefiro? Devo dizer que nesse caso em particular é muito difícil escolher, porque a beleza das duas obras é muito semelhante e a decisão acaba se resumindo a se eu prefiro ler um livro ou assistir um filme (embora a primeira opção pareça mais tentadora, acho que existe uma hora certa para cada coisa). Sendo assim, vou deixar esse post num empate técnico.

Conclusão: Se você leu o livro, e gostou, não vejo porque não gostaria do filme. Fora a atuação meio mais ou menos, o filme é absolutamente lindo e acho que criou muito bem o clima de mágia e beleza que o C.S.Lewis descreve no livro. Se você não leu o livro, apreciar o filme vai depender de se você gosta de filmes infantis.

Discordo absolutamente da opinião do Omelete de que o filme seja um “Senhor dos Anéis para crianças”, mas acho que para gostar do filme é preciso desligar um pouco aquela crítica adulta e tentar assistir o filme e perceber a história a partir do seu próprio ponto de vista, com um pouco mais de ingenuidade, para se preocupar menos com os detalhes e mais com a beleza e a mágia de Nárnia.

Sendo assim, vou deixar o filme com 4 grifos, descontando 1, porque faltou um pouco mais de atuação, principalmente do “Pedro” para o filme ser uma adaptação perfeita.



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Dani Toste

Advogada, jogadora de RPG, viciada em internet, amante de de livros, séries, música e filmes. Acha que o Lewis Carrol é um gênio, é obcecada pelos livros da Alice que considera os melhores do mundo.

13 Comentários sobre Outras Mídias: O Leão, a Feiticeira e o Guarda Roupa

  1. cutia

    Oi Dani,
    Eu discordo de você sobre o Omelete… se o referido fosse o livro e não o filme.
    Gosto muito do filme, vi e revi muitas vezes. A ingenuidade se encaixou muito melhor nas telas que nas paginas.
    Não sei o que é, mas o livro em si é muito parado… ou melhor, as coisas acontecem muito naturalmente.

    “Nossa 4 crianças que lutam bem… Beleza vamos nos rebelar contra a Bruxa má que controla um monte de monstros… há vale lembrar que ela é MUITO forte”

    É uma premissa boa para uma criança… mas quando olho o tijolo que é toda a série, não penso que seja para crianças, mesmo que o atual tijolo seja feito de 7 arcos de historias. Claro, me pondo no meu tempo, pois imagino que devia ser muito legal se sentar no fim da tarde para ver meu pai/mãe/vó/vô/“sei lá mais o que” contarem estórias. Mesmo assim é muito tempo para manter a atenção de crianças…

    Acho que ele chega a ser tão ingenuo quanto o garoto que mora no cometa B612. Mas este leva vantagem, pois a narrativa não é tão prolixa (sempre quis usar esta palavra), o que acaba deixando muita mais aceitavel.

    Acho que neste caso o filme ganha, e neste fim de semana vou assistir o Peregrino em 3D. rs

    • Dani Toste

      Cutia,

      Acho que teremos que concordar em discordar nessa, porque eu realmente acho que o livro seja para crianças. Vale lembrar que cada livro é uma história bastante independente, mesmo que os personagens sejam repetidos.

      Mas acima de tudo, pela premissa do tempo de atenção, acho que vc teria que pensar que os livros para crianças são apenas aqueles super coloridos de 15 páginas, e não é bem assim. Não só porque livros para crianças não são apenas para ser contados, mas principalmente, para serem lidos. É um livro absolutamente adequado para uma criança de uns 9 anos, que já sabe ler sozinha, mas não tem paciencia nem conhecimento para uma história demasiadamente completa. E nesse ponto vou ter que discordar completamente de você porque acho que as cronicas não são nadinha prolixas, muito pelo contrário.

      Independente disso, eu gostei bastante do filme do Peregrino, espero que vc goste também!

      Melissa,

      Eu concordo que a lição de moral católica às vezes é um pouco forçada, mas no geral isso não me incomoda muito. Me incomoda mais que critiquem o filme por isso, quando ele não faz nada além de reproduzir uma característica do livro.

  2. Melissa

    Concordo com você. A gente tem que entrar no clima. Não se pode ir assistir a um filme infantil achando que vai ser um épico de gerações. Poxa, é infantil. Tem que entrar na onda.

    A única coisa que me incomoda em Nárnia é a lição de moral católica super explícita. Acho que o Lewis exagerou na dose. rs

  3. Melissa

    É, também acho chato criticar o livro por fazer uma coisa que está no livro. E realmente, é um livro pra crianças. Temos que levar em conta que aqui no Brasil temos uma visão bem diferente sobre o que seja um livro infantil. Se pensarmos nos clássicos infantis inglees como “Jardim Secreto” e “A Princesinha” vemos que são livros super adequados ao universo infantil, mas que passam das 150 páginas! Não é o tamanho que importa, é o tema, a linguagem, o universo.

  4. Lucy

    Concordo plenamente com vc. Acho inclusive que vc usou as palavras que eu queria ter usado na resenha que eu fiz em um blog de uma amiga. rsrs A obra é totalmente voltada para o público infantil e por isso algumas pessoas passam a não gostar do livro ou do filme por isso. A parte dogmática cristã (em tempo: o autor era anglicano, não católico) pra mim não chegou a ser tão forçada a ponto de incomodar, acho que a parte que me incomodou nisso foi em A viagem do peregrino da Alvorada, quando Aslam fala com Lúcia.
    Acho que o livro incomoda mais por ser pouco detalhista em algumas partes ou personagens do que pela lição de moral cristã em si.

    Dos filmes, acho que o único que não gostei muito foi o Príncipe Cáspian, mas como não quero falar spoilers aqui, aguardo seu próximo post para explicar o motivo.

  5. Renan MacSan

    Não consigo enxergar a boa qualidade nos livros das Crônicas de Nárnia. Sei que são livros infantis, mas foram criados para uma geração que não é a de hoje.

    Hoje são absolutamente monótonos faltando mais movimentação e enredo. Lembro de ter ouvido Neil Gaiman falando que na infância leu dezenas vezes toda a coleção, mas esse é um cara de 50 anos, que teve outra infância.
    Quando meu irmão tinha 9 anos dei os livros a ele. No dia seguinte já tinha largado dizendo que eram chatos, corroborando com a minha opinião. E olha que ele lia bastante.

    Já o primeiro filme é bom como adaptação, mas não como obra isolada. Rendeu bem pois todos esperavam, como foi dito acima, um Senhor dos Anéis para crianças, mas não conseguiu ser e nem deveria.

    • Dani Toste

      Renan,

      Não querendo ser a chata que discorda de todo mundo, mas não posso concordar com você, acho que Narnia tem seu publico, ainda hoje. Não vou negar que o perfil das crianças em geral tem mudado muito nos ultimos tempos (aliás, as vezes acho isso assustador), então certamente não da para dizer que Narnia vai agradar TODO o público infantil, mas certamente vai agradar certos grupos.

      Digo isso porque tive uma experiência semelhante à sua, presentei um garoto da mesma idade (entre 9 e 10 anos) com o livro e ele adorou. Quero dizer com isso que mesmo na categoria “crianças que gostam de ler” existem muitos grupos distintos e acho que Narnia consegue atingir muitas delas sim (aquelas que são realmente fãs de fantasia mais clássica, na minha opinião).

      E mesmo que não fosse assim, Narnia no mínimo ganha o coração de jovens e adultos que, como eu, são super babões com histórias que ressaltam a beleza, a magia e a inocencia.

  6. Alexis González

    “As Crônicas de Nárnia” são livros para o público infantil, principalmente para a criança inglesa (dias de chuva, espaço restrito, etc).

    Em minha opinião, a leitura de um livro deve-se levar em conta a época em que foi escrito, ao tipo de literatura que se fazia no período, etc… Por isso acho Robert E. Howard, H. P. Lovecraft e Conde de Lautreámont escritores muito superiores aos atuais e alguns outros considerados grandes. Atualmente, boa literatura só mesmo no gênero New Weird!

    Discordo quando dizem que livro tal é monotóno, creio que talvez seu irmão não estivesse preparado para ler os mesmos, algo bem comum no Brasil quando forçam as crianças/ adolescente a ler Machado de Assis!

    Apenas uma opinião, apenas ignore se você discordar…
    Abraços

  7. cutia

    Talvez seja o que tenho como livro infantil que nao equivale ao senso comum. Monteiro Lobato com sua boneca de pano é infantil para mim…
    Talvez seja porque tive contato com essas histórias antes ao senhores com placas de ferro no peito, e espadas que servem de ferramenta para a justiça….

    Posso citar o filme ‘Onde vivem os Monstros’, o filme tem muita coisa ali, mais do que uma criança possa entender… mesmo assim dizem que o filme é infantil… fora o ToyStore3, pois apesar da tematica infantil o filme cresceu junto com o seu primeiro publico (ou como a dani comentou, as crianças estao muito mais espertas do que deviam).

  8. Renan MacSan

    Alexis, pode discordar à vontade, sem problema algum. Pelo contrário, acho que esse é um bom espaço para trocarmos idéias.
    Primeiro, acho que a comparação com Machado de Assis não é das melhores pois são autores completamente diferentes, e a maioria da juventude hoje concorda com o fato de que os livros dele nos são impostos muito precocemente.

    Segundo, não acho que meu irmão estivesse despreparado. Não sei o que ele lia na época, mas provavelmente já tinha lido Harry Potter, Eragon, e outros, que são livros de fantasia também, mas que se comunicam muito mais com a geração juvenil atual do que Nárnia. Assim, provavelmente ao ler CS Lewis ele deve ter feito uma comparação natural e achado inferior às outras fantasias que estava lendo.

    Continuo achando monótona a coleção, mas isso vai do gosto de cada um. Talvez se tivesse lido há 50 anos teria outra opinião.

    Abraço

  9. Gustavo Domingues

    Não sei se as pessoas aqui leram as Crônicas em ordem cronológica, mas o primeiro livro desta ordem é o Sobrinho do Mago. Quem leu este sabe a origem de Nárnia e o porque de todos os acontecimentos convenientes, a história é um ciclo totalmente interligado, onde do primeiro até o último livro é mostrada a criação e destruição de Nárnia, como uma alegoria ao Gênesis e Apocalipse.
    Eu gosto dos livros de Nárnia, mas acredito que isto seja por eu ter uma visão mais ampla de seu conteúdo, uma vez que já li outros livros de Lewis que em nada se relacionam com Nárnia.
    As Crônicas são os romances fantasiosos mais repletos de alegorias que já vi. Não é só a moralidade cristã (não católica, cristã), mas seu conteúdo, justificativas e teses.
    C.S. Lewis, antes de autor de fantasia era um Cristão Apologético (convertido por Tolkien, diga-se de passagem,, como provado em suas cartas).
    Se alguem vê As Crônicas de Nárnia como uma série de livros com limitações, saiba que as limitações estão em sua mente, e não no livro.

  10. Alexis González

    Agora tenho que concordar com o Gustavo… “Se alguem vê ‘As Crônicas de Nárnia’ como uma série de livros com limitações, saiba que as limitações estão em sua mente, e não no livro”.

    Abraços

  11. Nathália

    Acho que a grande X da discução é apenas uma questão de gosto, há quem goste e quem não goste, e mesmo que seja um clássico vai ser sempre assim. Quanto ao fato do Renan, acho simplesmente que seu irmão não estava preparado para ler tal obra(sem ofensas, mesmo que ele tenha lido Harry Potter e etc e tal, pois tais obras não aguçam a mente de ninguém(eu mesma já os li). Quanto ao fato da obra ser monótona, sim, ela é um pouco monótona ás vezes, mas levando em consideração que, como já foi dito anteriormente,o livro foi escrito em outra época e a realidade inglesa é bem diferente da brasileira, ainda sim acredito que isso não é argumento suficientemente forte para dizer que a obra não pode ser popular no meio infanto-juvenil.
    Quanto ao fato da moralidade cristã(e ainda bem que alguém lembrou de corrigir) acho que não há mal nenhum, nossas crianças estão tão envolvidadas com filmes e games imoral (como GTA e O sapo e a princesa – que se ensina fazer pactos de sangue) que uma boa dose de moralidade não ira matar ninguém, álias, nunca matou mesmo.
    Quanto a limitação literária do livro eu tenho que ser radical, querido (para quem pensa assim), pare de ler livros contemporâneos e vá ler os clássicos, é o melhor que você faz. As crônicas de Narnia pode não ser do seu gosto, mas tão pouco é ruim!

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